Ansiedade

Saiba diferenciar a Ansiedade Normal da Ansiedade Patológica

A primeira coisa que precisamos entender sobre a ansiedade é que ela faz parte da nossa herança biológica, da nossa evolução enquanto seres humanos. Nossos ancestrais viviam em um mundo cheio de perigos que ameaçavam suas vidas e para garantir a sobrevivência tiveram de adquirir novas ferramentas e habilidades. 

Foi devido a esses perigos que a mente humana evoluiu, e através dessa evolução que as ferramentas necessárias foram adquiridas para nossa sobrevivência. Ferramentas que dizem respeito às formas diferentes de alertas, como por exemplo o medo, que tem como função a proteção. Então, é importante sabermos que mesmo não vivendo num mundo primitivo onde corremos perigo constante, ainda está na nossa biologia o instinto de sobrevivência

Quem nunca passou por uma situação onde se sentiu ansioso, seja antes de uma prova na faculdade, durante uma entrevista de emprego ou quando vivenciou  uma situação nova? Essa ansiedade é esperada e serve como motivação para nos prepararmos melhor para diferentes situações do dia a dia.

O medo e a ansiedade são tão normais quanto comer, dormir e respirar. Como necessitamos deles para sobrevivência, seria prejudicial eliminar todo o medo e ansiedade de nossas vidas. 

O fato é que precisamos de um pouco de medo e ansiedade, no entanto nem todas as experiências de medo e ansiedade são boas, pois para algumas pessoas a ansiedade se torna opressora, caracterizada por sentimentos excessivos e persistentes de preocupação, tensão e nervosismo sobre situações cotidianas que a grande maioria encara com pouca preocupação. 

A ansiedade é como uma dor de cabeça: ela dura algum tempo e depois some. Você não precisa estar no controle da situação; o controle é uma ilusão quando o assunto é a ansiedade. Quanto mais você tentar controlá-la, menos você estará no controle. Você pode deixar que a sua ansiedade esteja presente, apenas se distancie dela (Leahy, 2011).

Lidando com a ansiedade

Como já mencionado, existe uma linha tênue entre a ansiedade considerada “normal” e o transtorno de ansiedade, o limite é ultrapassado quando situações corriqueiras do dia a dia começam a causar sofrimento e prejuízos, nos incapacitando.

O medo básico que faz parte da ansiedade leva a pensarmos no perigo de maneira automática, exagerando a probabilidade e gravidade dos maus resultados de situações comuns do nosso cotidiano e tendemos a nos ver como fracos, vulneráveis e incapazes de enfrentarmos aquilo que nos deixa ansiosos.

Importante destacar que quando surgem os pensamentos catastróficos ou negativos e a sensação de vulnerabilidade que a ansiedade causa, estes estão atrelados a distorções da realidade, ou seja, acreditamos que não somos capazes de resolver determinada situação. Dominados pela ansiedade, nossa mente parece funcionar 24 horas por dia sem conseguir descansar e não conseguimos desligar os nossos pensamentos. 

A mente não descansa, mesmo quando queremos dormir, fazer algo relaxante ou até mesmo quando não estamos pensando em nada. E o mais incrível é que por mais que nossas vidas estejam indo bem, sem maiores problemas e não tenha algo pelo qual haja a necessidade de estarmos ansiosos, mesmo assim, ela não nos deixa em paz.

Porém, uma coisa é certa, a ansiedade patológica nunca irá nos conduzir a uma vida melhor e compensadora, ao contrário, ela nos leva a apresentar comportamentos inadequados, interrompe nosso sono, nos coloca em conflitos, limita nossas opções e principalmente não nos permite enxergar uma perspectiva real. Em poucas palavras: nos faz sofrer.

Ansiedade normal x Ansiedade patológica  

Os transtornos de ansiedade têm como característica uma preocupação exagerada e contínua, não deixando a pessoa acometida descansar ou relaxar, ficando em estado de alerta o tempo todo ao ponto de suas crises causarem incapacitação na realização de atividades comuns do dia a dia. 

Os sintomas de cada tipo de transtorno varia de acordo com cada quadro específico, mas de modo geral a pessoa pode apresentar:

  • Insônia,
  • Alteração no humor,
  • Falta de concentração,
  • Pensamentos catastróficos ou negativos,
  • Aceleração cardíaca,
  • Respiração ofegante,
  • Preocupação e,
  • Medo exagerado.

Sendo assim, os transtornos de ansiedade compartilham características de medo e ansiedade excessivos com perturbações comportamentais relacionadas e todos vêm do mesmo tipo de instinto de sobrevivência fundamental. 

Abaixo será listado o nome dos principais transtornos de ansiedade.

Os principais transtornos de ansiedade

  • Transtorno de Ansiedade de Separação;
  • Transtorno de Ansiedade Social (Fobia Social);
  • Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC);
  • Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG);
  • Transtorno de Estresse Pós Traumático (TEPT);
  • Transtorno de Pânico.

Apesar dos nomes dados a eles, não são apenas transtornos isolados, são simplesmente nossa ansiedade humana fundamental se manifestando fora da normalidade de acordo com estímulos e situações diferentes que vivenciamos. 

Tratando a Ansiedade

A ansiedade, a preocupação e os sintomas físicos causam sofrimento clinicamente significativo e prejuízo no funcionamento geral. A preocupação excessiva prejudica a capacidade de fazermos nossas atividades de forma eficiente, seja em casa, no trabalho ou em qualquer outra área da vida. Ela toma tempo e energia, e os sintomas associados contribuem para o prejuízo funcional.

Dessa maneira, quanto mais nos preocupamos, mais apresentamos perdas pela preocupação em excesso e provavelmente os sintomas estão relacionados a um transtorno de ansiedade. O medo e a ansiedade que sentimos e que estão conosco, podem e devem ser questionados, já que quando questionamos certas crenças irracionais, estamos revendo e reescrevendo novas formas de agir e pensar a partir de novas experiências de vida.

Essa é uma maneira de lidarmos com a ansiedade, questionando sua funcionalidade em momentos de crise.

  1. Será que preciso estar ansioso?
  2. Será que esses pensamentos são reais ou fantasiosos?
  3. E principalmente: será que preciso me preocupar tanto com situações que não estão sob meu controle?

Então, entender o que causa a ansiedade é o primeiro passo para trabalhar de forma objetiva no alívio dos sintomas e na assertividade das tomadas de decisões, além de buscar uma rede de apoio para que você se sinta mais forte e confiante diante das situações que causam sofrimento e prejuízos na qualidade de vida.  

A psicoterapia é uma ferramenta poderosa que visa auxiliar na compreensão dos nossos erros cognitivos, erros esse que caracterizam nossos pensamentos ansiosos. A psicoterapia ajuda-nos a questionar esses pensamentos e, consequentemente, a adotarmos uma nova perspectiva mais construtiva sobre nossas preocupações ansiosas.

Enfrentando situações de ansiedade através do fortalecimento de nossa autoconfiança e capacidade de resolução de problemas.

Referências

  1. Clark, A. D., Beck, T. A. (2014). Vencendo a Ansiedade e a Preocupação com a Terapia Cognitivo Comportamental: Manual do Paciente. Porto Alegre: Artmed.
  2. Leahy, R. L. (2011). Livre de Ansiedade. Porto Alegre: Artmed.
Beatriz Revelante Ferreira
Últimos posts por Beatriz Revelante Ferreira (exibir todos)
Etiquetas

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verifique também
Fechar
Botão Voltar ao topo
Fechar
Fechar