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Ansiedade Social ou Fobia Social: Você já ouviu falar?

Ansiedade do bem x Ansiedade Social

Você provavelmente já deve ter se deparado com algumas dessas circunstâncias, por exemplo: iniciar uma conversa com alguém que não era um conhecido seu, puxar a primeira conversa com uma paquera, um primeiro encontro romântico, falar em público, apresentar um trabalho de aula, ou um projeto no trabalho. 

Diante dessas situações de exposição que fogem à normalidade, ou que nos tiram da nossa zona de conforto, podemos sentir sensações desconfortáveis que se manifestam através de reações físicas como: 

  • Frio na barriga ou gastura no estômago; 
  • Tremor nas pernas; 
  • Mãos trêmulas ou geladas; 
  • Coração acelerado; 
  • Suor ou algum outro sintoma característico de ansiedade. 

Mas, até aí tudo bem, isso é completamente normal e natural diante de novas situações que fogem do habitual, é o que chamamos de ansiedade do bem, faz parte da vida e do nosso processo de adaptação.

Mas, por outro lado, há pessoas que se sentem tão desconfortáveis quando enfrentam este tipo de situação que suas reações são de pavor e pânico quando o assunto é interação social, de tal maneira que chegam até mesmo a evitar, fugindo delas para que, segundo elas, não tenham problemas. 

Nestes casos, quando a ansiedade nas situações de interações sociais se manifesta de forma muito elevada e desproporcional, passando a ser extremamente aversiva, pode ser indicativo de um problema muito sério que precisa ser tratado. 

O comportamento ansioso

O comportamento ansioso ocorrido em demasia e de forma disfuncional pode ser indício de um quadro de sociofobia, ou como é mais conhecido: Fobia Social, ou simplesmente Transtorno de Ansiedade Social (TAS).

Entendendo o Transtorno de Ansiedade Social (TAS)

Para entender melhor o que é este transtorno, vamos analisar o que está descrito nos manuais de saúde mais conhecidos: a CID – 10 e o DSM – 5.

Segundo a CID – 10 (Classificação Internacional de Doenças) a Fobia Social é caracterizada como o medo de ser exposto à observação atenta de outro, levando a evitar situações sociais. Geralmente são acompanhadas de uma perda de autoestima e medo de ser criticado. Os sintomas são: 

  • Rubor; 
  • Tremor nas mãos; 
  • Náuseas ou desejo urgente de urinar.

Sendo que o paciente muitas vezes é convencido de que estes sintomas podem ser causados por outro problema de saúde. Quando o transtorno não é tratado pode evoluir para um ataque de pânico.

Já no DSM -5 (Manual de Diagnósticos e Estatística dos Distúrbios Mentais), a fobia social é descrita como sendo um medo acentuado e persistente de uma ou mais situações sociais ou de desempenho.  

Em decorrência deste medo a pessoa teme agir ou mostrar sintomas de ansiedade em situações que considere humilhante ou embaraçosa, bem como a exposição à situação social temida vem a provocar manifestações de alarme, tensão nervosa, medo e desconforto, tudo isso pode trazer consequências ruins até o ponto de interferir no modo de vida de quem sofre.   

Por isso, pessoas que apresentam Fobia Social, em geral, evitam situações de interações sociais ou quando precisam enfrentá-las chega a ser um processo muito penoso. Justamente porque todas às vezes têm de confrontar-se com tantas reações desagradáveis que afetam tanto o seu bem estar físico quanto mental.

Os danos do Transtorno da Ansiedade Social

Como a Fobia Social é um transtorno que se apresenta em situações muito específicas, comumente pessoas com Fobia Social apresentam traços de timidez e inibição social, e até são taxadas como tímidas, antissociais ou introvertidas. 

Não é fácil para elas realizarem simples interações sociais, pois estas podem causar reações emocionais e fisiológicas de terror que conduzem à fuga da situação.

As pessoas que apresentam este transtorno se preocupam excessivamente com a opinião alheia a seu respeito (“o que vão pensar de mim?”, “estão me julgando?”, “vão perceber que estou nervoso (a)?”, “vão dizer que eu sou ruim?”, etc.), são perfeccionistas e determinadas, além de apresentarem em geral um alto senso de responsabilidade, apresentam um bom desempenho, justamente por terem a preocupação intensa com situações sociais, onde estará sob avaliação de outros, o que desperta intensa ansiedade antecipatória.

Quando o transtorno começa a manifestar-se?

É um transtorno que geralmente começa a manifestar-se na infância e início da adolescência, e segue um curso crônico até trazerem sérios problemas para a vida adulta, como afastamento do trabalho, absenteísmo, culminando até mesmo em pedidos de demissão e outras coisas do tipo.

Pessoas que apresentam o Transtorno de Ansiedade Social, na maioria das vezes possuem em seu histórico lares extremamente rígidos, possivelmente com a vivência de situações de humilhação, controle, falta de apoio, busca de aprovação, expressão emocional baixa ou nula, geralmente tiveram pais ansiosos ou deprimidos, e em consequência disso passam a manifestar com frequência pensamentos de autoestima baixa e procuram confirmar a rejeição dos outros exatamente por acreditarem que estão sendo julgadas a todo momento.

Os dois grupos da Fobia Social

Os fóbicos sociais podem ser classificado em dois grupos: 

  1. O generalizado, que é o indivíduo que possui medo da maioria das situações sociais e de desempenho (quando está sob avaliação de outros), 
  2. O circunscrito, que é o fóbico que apresenta temor em apenas algumas situações públicas e poucas situações de interação social, como por exemplo: comer em público e não ter problemas nas outras situações sociais. (*Rangé, B. (2001). Psicoterapias Cognitivo Comportamentais: um diálogo com a psiquiatria. Porto Alegre: Artes Médicas 2001).

Fobia social e as drogas

Muitas pessoas que apresentam o Transtorno de Ansiedade Social acabam recorrendo ao álcool e ao uso de drogas, pois acreditam que assim terão como enfrentar estas situações sociais aversivas e, com isso, acabam adquirindo para suas vidas um outro problema que é o vício e/ou a dependência química.

A fobia social é um transtorno de características incapacitantes, pois os indivíduos que convivem com estas situações podem tornar-se retraídos e cultivar uma visão distorcida de exagero e irracionalidade em relação ao seu medo.

Muito embora seja um transtorno que vai além de uma simples timidez, muitas pessoas não levam a sério aqueles que sofrem com a fobia social, mas é preciso entender que esse assunto precisa ser tratado com seriedade e jamais ignorado. 

A ajuda psicoterapêutica[/tie_index
A ajuda psicoterapêutica

A psicoterapia pode auxiliar pessoas que sofrem com o transtorno de Ansiedade Social, permitindo que o indivíduo aumente sua confiança e, com isso, tenha mais autonomia e possa melhorar suas capacidades de interagir com os outros e por conseguinte consiga desenvolver suas atividades de modo pleno e mais feliz.

Regiane Bezerra Simões Cruz
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