A construção de transtornos ansiosos durante a pandemia: Como lidar?

Estamos vivendo um momento de pandemia, onde um vírus está sendo transmitido de pessoa para pessoa, espalhando-se pelo mundo inteiro. Isto tudo, sem dúvida, nos traz uma sensação de falta de controle, de vulnerabilidade e de insegurança. 

Então, é natural que isso esteja nos deixando mais apreensivos e esteja contribuindo para que tenhamos os sentimentos mais intensos de:

  • Angústia,
  • Incertezas,
  • Preocupações e medo do futuro e, consequentemente, mais
  • Ansiedade – sentimento inerente à períodos de crise.

O problema é que esta situação está deixando as pessoas mais ansiosas do que o normal, ou agravando problemas de ansiedade que já viviam antes da pandemia, desencadeando transtornos de ansiedade.
Antes da pandemia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já apontava o Brasil como o país mais ansioso do mundo e, em pesquisa recente realizada pelo Ministério da Saúde, constatou que a “ansiedade é o transtorno mais presente durante a pandemia de Covid-19, encontrada em 86,5% dos respondentes”.

O que é ansiedade?

A ansiedade é uma vivência no cotidiano comum. É necessária e cumpre um papel importante na nossa sobrevivência frente a ameaças importantes. Assim como o medo, ela funciona como um “alerta” que nos protege da altura, de queimaduras, de afogamentos, etc. 

Então, faz sentido nos preocuparmos com a situação atual, para tomarmos as medidas de proteção devidas, mas a ansiedade excessiva, sendo patológica, provoca sofrimento, atrapalhando muito mais do que ajudando.

Nem todos que sofrem de ansiedade têm o mesmo transtorno e o diagnóstico para cada caso deve ser realizado por um profissional.

Quais os fatores que têm provocado ansiedade em muita gente durante a pandemia?

Algumas razões que causam desequilíbrio emocional são:

  • O isolamento social com distanciamento das pessoas queridas e sem interação;
  • Medo de contaminação ou de alguma pessoa próxima;
  • Receio de morte;
  • Problemas financeiros em decorrência da atual crise;
  • Aulas on-line e trabalho remoto (home office);
  • Dentre outros.

Como preservar a saúde mental nestas situações?

É importante entendermos que está ocorrendo uma mudança no cenário mundial e que precisamos nos adaptar a este momento atual.

Encontrar o equilíbrio emocional e físico para superar este novo cenário é o desafio. Adaptabilidade é essencial para lidar com a ansiedade e afetar-se o mínimo possível. Há restrições e muitos estão permanecendo em casa, mas não estamos impedidos de realizar atividades que nos propiciam bem-estar. 

Algumas dicas práticas para o enfrentamento desse problema 

Abaixo, seguem sugestões de estratégias para enfrentar esta situação da melhor maneira possível:

Aceitar a ansiedade

Aceite como um sentimento que todos tem e, vivencia-la é como parte natural da experiência humana.
Lembre-se que seu corpo está alertando uma ameaça e preste atenção no que ela mostra: observe os sintomas, eles não oferecerem risco e aguarde terminar. Porque é inevitável e vai acontecer. Não tente reprimir o que está vivendo e nem eliminar imediatamente os sintomas.

Tentar se acalmar para reduzir a ansiedade não funciona. Abandone a necessidade de controlar a situação: fugir da situação ou lutar contra os sintomas são comportamentos que aliviam temporariamente a ansiedade mas podem até mesmo piorá-la com o passar do tempo.

Filtrar informações e notícias

Cuidado com as informações que recebe e não fique o tempo todo buscando notícias a respeito da pandemia. Há uma constante exposição na mídia e é importante escolher as fontes seguras para se manter informado, sim, só que a exposição excessiva a este tipo de conteúdo pode exacerbar a ansiedade mais do que ameniza-la. Desconecte-se sempre que puder e escolha um horário especifico para se atualizar sobre o assunto.

Usar tecnologia a favor

Não se isole das pessoas queridas, mantenha contato mesmo que virtualmente, através de chamadas de vídeos, mensagens e áudios.

Organizar a rotina do seu dia a dia

Para quem segue uma restrição e permanece em casa, é importante estabelecer uma rotina próxima da que tem no dia a dia, priorizando o que estiver a seu alcance, com horários pré-estabelecidos para: acordar, tirar o pijama, trabalhar, fazer atividade física, realizar as refeições, interagir com outras pessoas, descontrair e dormir.

Sem autocobrança excessiva, pois nem sempre é possível manter a casa organizada tendo que atender as crianças. Mesmo para quem não trabalha, é importante organizar as atividades que irá realizar no dia a dia. Alguns dias você estará mais produtivo, em outros, menos, e tudo bem.

Cuide-se

Durante este período ansiogênico, adote hábitos saudáveis para melhorar a saúde mental:
cuide da sua alimentação, crie uma rotina de sono, desfrute de atividades prazerosas, tenha relacionamentos saudáveis criando momentos, seja cozinhando, vendo filme ou qualquer atividade que aproxime e possibilite a interação.

Mantenha-se bem consigo mesmo. Nem sempre você se sentirá otimista, mas monitorar os pensamentos negativos e deslocar a atenção daquilo que é o foco da ansiedade para atividades que despertam prazer e bem-estar, além das atividades físicas (com segurança) e meditação (melhora o sono e humor), ajudam a lidar melhor com toda esta situação. 

Praticar a respiração diafragmática

Esta técnica expande o diafragma, leva o oxigênio até o abdômen, o corpo e o cérebro. O ritmo cardíaco e a pressão arterial diminuem, os músculos relaxam e, este conjunto de ações promove uma sensação de tranquilidade, de bem-estar, melhorando o estresse e aliviando assim a crise de ansiedade.

Como praticar?

Respire lentamente contando até 5 e inflando a barriga, encha os pulmões com o ar expire lentamente contando até 3. Repita 3 vezes.

A ansiedade se agravou? Então, mais do que nunca, é preciso cuidar da saúde mental.
Nos casos mais graves é muito importante ter ajuda profissional.
Não fique sozinho em suas angústias, procurar um psicólogo é recomendável e o ideal nesse momento é a psicoterapia on-line.

Eu realmente espero que este conteúdo seja útil.
E eu estou à disposição.

Referências

  1. Leahy, R.L. (2011). Livre de ansiedade.
    Porto Alegre: Artmed
  2. Ministério da saúde – Secretaria de Atenção Primária à Saúde
    https:aps.saude.gov.br>noticia;
    https://antigo.saude.gov.br/noticias/agencia-saude
  3. DSM-5: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais
Andreza Scatena Dan Scatena Dan
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