Desenvolvimento pessoal

A decepção fez ou faz parte de sua vida?

Quem nunca sofreu uma decepção na vida, que atire a primeira pedra! 

Dificilmente encontramos pessoas que não tenham passado por esses momentos. E por que essas decepções aparecem de onde e de quem menos esperamos?

Entendendo a decepção

Mas o que é uma decepção? Como essa palavrinha tão pequena traz tanta angústia, e pode ter significados tão diferentes para cada pessoa?

Segundo o dicionário Oxford Languages da Língua Portuguesa, decepção é “sentimento de tristeza, descontentamento ou a frustração de um determinado fato inesperado, que representa um mal; desilusão, desapontamento”.

Consideramos que há decepção quando se dá uma diferença entre aquilo que esperávamos, e o que de fato aconteceu, seja envolvendo pessoas ou propriamente a nós mesmos.

O melhor é transformar a decepção em um gatilho inverso, que nos motiva a uma ação e, consequentemente, ao nosso crescimento, permitindo o avançando de nossos objetivos. Questione e encare a realidade como ela realmente é!

A decepção e a frustração

A decepção é muito similar à frustração, ambas necessitam ser experimentadas de forma a promover o aprendizado e o crescimento do indivíduo.

A decepção é inevitável na vida, porque ela é fruto da expectativa que criamos a respeito de alguma coisa, de algum acontecimento ou de alguém. Que ser humano consegue viver sem criar expectativas? Ainda que procuremos evitá-las, é impossível.

Refletir e se projetar no futuro é uma parte importante de quem somos, e quando nós nos lançamos para o futuro visualizamos ali algo bom e criamos uma expectativa de realização, mas a realidade é um caminho complexo e diverso, e isso nos decepciona. Precisamos aprender a lidar com elas, mas às vezes doem tanto, e são tão sérias que desequilibram nosso emocional, sendo necessário, neste caso, contar com a ajuda de um psicólogo.

As razões para a decepção

São inúmeras as razões que provocam a decepção, e as consequências podem comprometer a forma como a pessoa lida com as situações da vida, como por exemplo:

  • Um filho que descobre que seus pais não são pais biológicos e que eles mantiveram segredo sobre sua adoção, isso pode torná-lo uma pessoa desconfiada, retraída e insegura.
  • Alguém que sempre confiou em seu parceiro e no acordo de fidelidade que assumiram no início do relacionamento, que jamais quebrariam, quando é rompido tal compromisso através da infidelidade, causam sentimentos como raiva, vingança, desprezo… Ao mesmo tempo geram a autoproteção contra novas decepções, ou seja, “um pé atrás”.
  • O rompimento abrupto de um relacionamento pode despertar em seu par a ira; e por outro lado, a culpa desse parceiro. O sofrimento poderá atingir a ambos, tanto do abandonado (pela rejeição); como do causador da ruptura. Muitas vezes pela culpa da quebra do compromisso, produzem questionamentos dos motivos pelos quais levaram a tal quebra dessa aliança.
  • Um funcionário que acredita estar desempenhando bem suas funções, cumprindo todas as normas da empresa, pode se decepcionar quando é ignorado, não tendo o devido reconhecimento, com relação a uma promoção, ou até mesmo dispensado da instituição onde trabalha. Sem compreender os motivos, pode desacreditar em seu potencial e desempenho, achando por exemplo que não valeu a pena.
  • Pais que acreditam ter suprido as possíveis necessidades físicas, financeiras, emocionais, espirituais de seus filhos, enfim buscaram o melhor para eles, no entanto ignoram todos esses investimentos realizados por seus pais e “viram as costas”, não por bons objetivos, mas pela falta de amor e gratidão, mas por desprezo e egoísmo, vivendo em muitas vezes em desacordo com a própria sociedade e suas normas. 

O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e sua doença é incurável. Quem é capaz de compreendê-lo? (Jr 17:9)

O que a decepção pode causar?

Tristeza, frustração, raiva, remorso, sentimento de humilhação e de fracasso, ou até mesmo desconforto físico, como dores no corpo, falta de ar, entre outros sintomas. Tais sinais podem nos acometer ao mesmo uma vez no decorrer de nossa vida, principalmente a decepção amorosa.

Decepção

Uma das principais causas da dor emocional, talvez seja uma das dores mais intensas (dor da alma), pois é derivada das expectativas que depositamos em pessoas, nas quais confiamos ou amamos, e de quem esperamos lealdade, fidelidade, e um tratamento justo.

Os indivíduos que não agem de acordo com nossas expectativas, através da ingratidão e injustiças nos causam muita dor emocional. É difícil, mas temos que enfrentar tal realidade, por mais difícil e dolorosa que possa parecer. Afinal, estamos falando de seres humanos imperfeitos e que causam desilusões e outros sentimentos negativos e prejudiciais ao próximo. Erramos, cometemos deslizes e até injustiças, e, às vezes, mesmo sem querer causamos decepção aos outros, além de nos sentimos decepcionados também.

A mágoa e a raiva podem nos consumir, e muitas vezes além das doenças emocionais podem também causar enfermidades físicas. Use e abuse de sentimentos opostos aos citados, como a gentileza, a gratidão, o amor, a bondade, mentalize acontecimentos agradáveis que lhe trouxeram prazer e alegria. Cuide de sua aparência física! Busque atividades que resgatem sua autoestima como ler, praticar esportes, passear, encontrar amigos, ver um bom filme ou jogar cartas. 

O tempo

É capaz de curar todas as dores, pois permite que você acalme suas emoções, reestruture sua base e encontre o aprendizado por trás da desilusão amorosa. Pratique o perdão! Se errou, perdoe-se! Combata a baixa estima, viva o “luto”, e desenvolva sua inteligência emocional, confiando no tempo para resgatar e curar toda ferida!

Deixe o passado no passado e dele lembre-se apenas das vitórias e objetivos alcançados, para vencer os sentimentos que o derrotam.  

A decepção pode nos levar a um estado de frustração, inconformismo tão grande que o indivíduo pode passar anos da sua vida obcecado em encontrar razões pelas quais foi traído, rejeitado, ignorado… em seus sentimentos mais sinceros. O ofendido deseja de qualquer maneira entender por que alguém em quem confiava destruiu essa relação maculando toda boa vivência e expectativa que ele teve. E toda uma história de bem-querer fica comprometida, dando lugar a um sentimento de injustiça. É como se algo morresse dentro de si.

A decepção em nossa vida é algo inevitável, o que podemos fazer para lidar com ela é evitar sucumbir a sentimentos depressivos, estacionando nessa desilusão, causando a letargia, e até mesmo resignação às situações, nos impedindo de olhar para o futuro.

Que o impede de seguir em frente? É impossível apontar uma solução para contornar uma decepção, já que elas são tão diversas e nós, como seres humanos individualistas, também somos tão diversos.

Seguem algumas dicas de como você poderá vencer as decepções que atingem você, e a maneira de como lidar com elas, confira!

Como o psicólogo pode ajudar você?

O ideal é aprender a administrar as próprias decepções desde a infância, pois estaríamos mais preparados e seguros para lidar com elas na adolescência e na vida adulta, quando a percepção, o entendimento, e o amadurecimento tornam essas habilidades necessárias para enfrentar inúmeros sentimentos e emoções decorrentes das decepções.

Se você tem dificuldade em lidar com a decepção, possivelmente ainda não tenha desenvolvido tais habilidades, e é nesse momento que o psicólogo, poderá orientá-lo(a) a encontrar várias opções e meios para enfrentar as decepções de uma maneira muito mais fácil e tranquila, através da psicoterapia.

O que fazer quando temos uma decepção?

Se não forem superados e curados, a dor gera mais dor e o sofrimento gera mais sofrimento!

Muitas vezes, no calor das emoções, falamos e tomamos atitudes que se refletíssemos antes, bem provável, não magoaríamos aos outros e não nos arrependeríamos mais tarde de muitos atos impensados. Por exemplo, a vingança e a revolta, que resultam em transmitir ao ofensor a mesma dor que experimentou, ou seja, igualar-se ao agressor.

Autocrítica

Não escolhemos ficar na posição de vítima passiva e, ao mesmo tempo, podemos nos certificar de que não absorveremos uma culpa que não nos cabe. Diante de episódios que nos causam decepção surgem muitas perguntas desencontradas e muitas vezes sem respostas, o ideal é refletir, fazer uso da empatia usando a razão, e não a emoção!  

  1. Tomar o distanciamento dos fatos nos leva a refletir sobre eles.
  2. Analisar a real importância que eles têm em sua vida.
  3. Verificar se as suas angústias em se mostrar como vítima de uma injustiça não passam pelo fato de desejar preservar-se de uma imagem que você tem de si próprio. 
  4. Ser honesto consigo mesmo torna a decisão mais assertiva, e o caminho a ser tomado mais seguro. Não tenha pressa! – uma reflexão tardia é mais saudável que uma atitude precipitada.

Como lidar com a decepção?

Equilíbrio é uma da maneira de como você encara a sua decepção, isso pode levar algum tempo, não subestime ou ignore sua dor, ela faz parte desse processo, e é necessário até encontrarmos uma solução para lidar com ela. Compartilhe-a com pessoas de sua confiança, isso auxilia e traz alívio, além de ajudar a restabelecer o equilíbrio emocional.

Alguns caminhos para a superação

Embora não existam soluções prontas para superar a decepção, seguem algumas alternativas que o ajudarão a buscar a paz interior e o bem-estar emocional.

  1. Busque uma conversa amistosa com a pessoa que o decepcionou, ouça, reflita e pondere, procure compreender as razões pelas quais a pessoa agiu de tal maneira, busque a empatia, compreensão, e com serenidade verifique se realmente vale a pena resgatar essa relação, através de um diálogo esclarecedor, certamente te trará mais aprendizado e alento. Seja justo, direto e discreto. Revelar seus sentimentos é saudável, mas não crie mais expectativas no possível desfecho, pois poderá correr o risco de se decepcionar novamente. 
  2. Outra opção é escrever sobre essa decepção. Mas leia e releia o que escreveu. Isso também lhe dará oportunidade de rever seus sentimentos, conceitos e razões, isso é um exercício de autoconhecimento. Não espere por uma resposta pronta, nem por pedidos de desculpa. Amadureça a ideia e aguarde um momento oportuno para dirigir-se a essa(s) pessoa(s). O objetivo deve ser apenas revelar o impacto que esse episódio causou em você, e na(s) pessoa(s) envolvidas.  

Em casos mais graves as providências jurídicas são indicadas, após várias tentativas de entendimento com o ofensor. Consulte um advogado e certifique-se de estar amparado pela lei. Paralelamente, cuide de seu bem-estar emocional.

Não exponha seus sentimentos em redes sociais, ou com pessoas inadequadas, pois o assunto não diz respeito a mais ninguém, além disso gerarão mais desconforto e induzirão amigos ou colegas a tomarem partido de um ou outro.

Interpretações da realidade – a psicoterapia detalha o processo pelo qual nossa mente desenvolve, de maneira automática, as chamadas decepções.

“Bússola comportamental” – desde a infância nosso cérebro desenvolve crenças – “pacotes de juízos e de valores” que nos auxilia a lidar com o mundo ao nosso redor, que norteia nossas escolhas, caminhos e ações futuras. Esse recurso é extremamente importante e tem a função de nos adaptar às situações, e até mesmo prever e antecipar os desafios que encontraremos ao longo de nossa vida. 

Resolução dos problemas – São previsões e expectativas que temos a respeito do comportamento humano alheio. Por exemplo: quando saímos de casa pela manhã para um compromisso visualizamos e prevemos de maneira antecipada o caminho que utilizaremos, os possíveis pontos de trânsito, as melhores opções e alternativas, e como base nessas construções mentais, agimos com o objetivo de resolver nossos objetivos.

Assim, da mesma maneira que planejamos automaticamente uma série de pequenas ações em nosso cotidiano, também criamos os “contornos imaginários” que são interações de relacionamentos diretos ou indiretos que nos cercam. Raramente percebemos, mas se tornam ciladas, quando somos surpreendidos, devido a escolhas erradas, as quais acreditamos serem as mais corretas.

Com relação aos relacionamentos, quando uma pessoa não se adéqua aos modelos criados por nós, geram frustração e decepção, e é quando rapidamente nosso cérebro dispara um gatilho e nos obriga a realizar um tipo de atualização, ou “ajuste forçado“, para a nova realidade de adaptação. Nesse momento temos a súbita percepção da dissonância causada entre o que imaginávamos (no que tange aos comportamentos) versus o que percebemos de diferente na conduta alheia para conosco. 

Nesse processo acionamos inconscientemente alguns dos mecanismos mais primitivos, que é a rejeição pessoal, nos causando a desorientação psicológica. Esses sinais ao serem disparados, trafegam pelas mesmas vias neurais da dor física, provocando também um efetivo desconforto biológico.

Aqui, portanto, caberia uma pergunta importante: Como nos proteger das criações ou expectativas mentais irreais que desenvolvemos inadvertidamente a respeito das pessoas que, de alguma maneira, nos são importantes? 

Mudando o ponto de vista, algo bem simples pode ser adotado para nos poupar desses desencantamentos recorrentes. 

Recordando:

A quebra dessas expectativas vivenciadas, na verdade, faz parte de um processo que tem início e fim, sendo único e exclusivamente gerado em nossa própria mente. Portanto, cada ato ou acontecimento externo, apenas mostram que nossas construções imaginárias, no fundo, são falhas e, portanto, em última instância, são de nossa única e inteira responsabilidade (e não dos demais). 

Na realidade, não são pessoas que nos decepcionam, mas nós mesmos que, ingenuamente, atribuímos qualidades inexistentes que reproduzem “mágoas” e outros sentimentos e desapontamentos, quando as idealizações pessoais não se encaixam com outras pessoas.

Culpa – certo, ou errado? Claro que não! Qual a saída? Obviamente estarmos conscientes ao máximo, a respeito desse recurso de atribuição imaginária e, ao percebê-lo, minimizar e evitar os costumeiros dissabores das relações. 

Dica clara e cristalina: Contenha suas expectativas!

Asseguro a você que, agindo dessa maneira, você será poupado da consternação e futuros sofrimentos, e se poupará das inesperadas e dolorosas armadilhas que inconscientemente ingressamos. Portanto, tenha  consciência de si próprio e de seus pensamentos!

 

Referência Bibliografia:

DECEPÇÃO – Curando as feridas da traição – Dra Sheri Keffer – Ed Casa Publicadora da Assembleia de Deus – 2019

A Arte da Decepção: Mentiras da História – Jorge Lucendo – Ed: Jorge Lucendo – 2019

A Sociedade da decepção – Gilles Lipovetsky – Ed Manole – 2007

ANTONIO STEFANELLI
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