Desenvolvimento pessoal

O que fazer com a frustração?

Introdução

Imagine que você está se preparando para algo muito importante em seu trabalho, para o qual se preparou durante meses ou quem sabe anos. Trata-se de um projeto solicitado pela alta administração da empresa, que lhe custou muito esforço e noites mal dormidas e que você acredita que lhe trará um grande reconhecimento profissional. 

Agora imagine que houve uma mudança repentina na direção da organização e o novo chefe considerou esse projeto irrelevante para os novos direcionamentos da empresa. E o pior, você recebeu apenas um comunicado da área de recursos humanos para que compareça à administração a fim de verificar o novo setor onde será lotado(a).

Infelizmente essa não é uma situação incomum no ambiente corporativo, e a vida cotidiana também está cheia dessas contrariedades. O quão frustrado(a) você se sentiria? E como pensa que reagiria a essa situação? 

Neste artigo você verá que existem diversas formas de reagir à frustração, umas mais e outras menos adaptativas, e em seguida algumas dicas de como se preparar para lidar melhor com situações frustrantes sem adoecer ou perder o controle das suas emoções.

O que é a frustração?

A frustração é consequência inevitável de um mundo cheio de incertezas e imprevisibilidades, uma resposta comum quando nos confrontamos com um impedimento ou barreira, real ou imaginada, interna ou externa, diante de algo que desejamos, projetamos ou necessitamos.

Barreiras e obstáculos podem representar tanto situações concretas e reais, como o cancelamento de um voo, um corte de recursos financeiros ou uma barreira ambiental para uma pessoa com deficiência, quanto questões mais subjetivas, como crenças limitantes, um traço de personalidade ou um comportamento aprendido e mantido desde a infância, que inibe ou impede uma pessoa de realizar algo que deseja.

A frustração é definida na literatura psicológica como um objeto ou situação impeditiva à realização de uma necessidade ou ainda um sentimento negativo de insucesso e tristeza por não ter alcançado um objetivo desejado.

É um fenômeno ligado a situações de conflitos, impedimentos e experiências traumáticas. Tem a ver com estados de tensão e desequilíbrio, que normalmente provocam algum nível de estresse e requerem um esforço de adaptação.


O fato é que aquilo que fazemos com essa frustração é o que determina se nosso “mal-estar” se prolongará com impactos para nossa saúde ou se saberemos contornar a situação frustrante de maneira assertiva e quiçá levar dela algum aprendizado.

Afinal, aprender a lidar com a frustração em um mundo ferozmente competitivo é questão de sobrevivência, pois nas corporações e mesmo nas relações interpessoais, ninguém deseja ter ao lado alguém que joga a culpa de suas mazelas nos outros ou que vive se queixando de tudo o que acontece.

Como reagimos à frustração?

Algumas teorias que explicam a reação à frustração apontam que existem três tipos de respostas à frustração, a saber:

a) Intracepção. O indivíduo age por si próprio, tomando uma atitude para solucionar o problema, assumindo a culpa, ou até mesmo se autoagredindo em razão da situação frustrante);

b) Extracepção. O indivíduo age, mas em interação com o meio, exigindo que alguém resolva o problema ou mesmo agredindo algo ou alguém para eliminar o obstáculo);

c) Acepção. O indivíduo enfrenta o problema, mas acreditando que tudo se resolverá por si mesmo com o tempo.

No nível de adequação da reação, uma resposta adaptativa é uma ação para satisfazer a necessidade frustrada e consequentemente superar os obstáculos que se colocam contra ela.

Uma resposta não adaptativa ocorre, por outro lado, quando o indivíduo se mantém repetindo comportamentos que não solucionam os problemas de maneira eficaz. Formas de não resolver o problema muito comuns são agir sob o “calor” da emoção, decair em estados depressivos ou mesmo passar a ruminar pensamentos ansiosos que mantêm o indivíduo em um elevado estado de tensão, o qual prejudica o raciocínio e o processamento cognitivo das informações.

A reação à frustração vai depender de como cada pessoa interpreta a situação que está vivenciando. Caso a considere incontrolável, provavelmente reagirá buscando fugir dela, de forma adaptativa ou não. No primeiro caso, poderá substituir um objeto perdido por outro, por exemplo, e no segundo poderá esquivar-se de entrevistas de emprego por considerar-se incapaz.

Se, ao contrário, considera a situação controlável, iniciará comportamentos para solucionar o problema, tais como realizar um treinamento para adquirir uma habilidade que não possui, comprar uma nova ferramenta para possibilitar a realização de um trabalho, buscar apoio e recursos com pessoas-chave, etc.

Dicas para lidar melhor com a frustração

Primeiro de tudo devemos encarar a frustração como parte natural da vida, e não achar que temos “direito adquirido” a viver sem dificuldades, barreiras ou privações.

Nada disso! É melhor encarar a vida como uma longa estrada com trechos perigosos e sinuosos, buracos incontornáveis e riscos normais de toda estrada, mas também com trechos de belas paisagens, asfalto em perfeito estado e companhias agradáveis ao longo do caminho. Estar “advertido” quanto à frustração é uma boa maneira de estar preparado(a) para encará-la quando acontecer.


Outra dica é fortalecer o sentimento de autoeficácia.

Aqueles que acreditam em si e na sua capacidade de enfrentar desafios têm, segundo as pesquisas e o próprio conceito de autoeficácia, uma chance muito maior de realizar bem suas atividades, apenas por acreditarem que podem fazê-lo satisfatoriamente.

Crer na competência de manejar e superar problemas quando eles surgem é uma ótima forma de evitar os efeitos negativos da frustração. Desenvolver também habilidades de solução de problemas e uma visão mais objetiva dos fatos é também uma dica preciosa para lidar com a frustração de maneira assertiva. 

Por fim, não se esquivar das situações que podem causar frustração é de suma importância no desenvolvimento de habilidades para lidar com ela.

Quando evitamos a frustração perdemos grandes oportunidades de fortalecer o sentimento de autoeficácia, pois ao encararmos os problemas aprendermos maneiras de solucioná-los e reforçarmos a crença em nosso próprio desempenho.

Nesse sentido, para aqueles que são pais é importante saber que quando protegem os filhos de qualquer frustração os impedem de aprender a lidar de forma mais assertiva com suas dificuldades, aumentando neles a chance de desenvolverem transtornos mentais no futuro, tais como a depressão e a ansiedade.

Referência bibliográfica:

DE MOURA, C.F. (2008) Reação à frustração: construção e validação da medida e proposta de um perfil de reação. Tese de doutorado. Universidade de Brasília, Brasília-DF.

Roberta Arueira Chaves
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