Ansiedade

O que está por trás da insegurança?

Todos nós podemos sentir insegurança em algum momento da vida e em intensidades diferentes. O que separa, no entanto, uma insegurança funcional (que te prepara para a situação), de uma insegurança disfuncional é o sofrimento emocional e prejuízo em geral que te causa.

Ou seja, o nível de sofrimento e a paralisação de desejos e projetos diante da insegurança é o que vai predizer a necessidade de buscar ajuda para lidar com os prejuízos que a acompanham.

Muitas vezes, o sentimento e a postura de insegurança podem esconder elementos mais profundos e enraizados, como:

Bixa autoestima

Você sente dificuldade em perceber ou acreditar no seu valor, entende que as conquistas que teve até hoje foram fruto do acaso ou da sorte e não tiveram relação com capacidade ou autoeficácia.

Uma pessoa com autoestima baixa sente que não tem valor no mundo, experimenta a sensação de impotência, é sensível à rejeição ou críticas e se sabota constantemente devido ao medo de falhar ou à sensação de que não é capaz.

Dificuldade de impor opinião e limites

Expressar-se e colocar seus limites, desejos e opiniões pode ser uma tarefa muito difícil para você, uma vez que a insegurança permeia também os relacionamentos interpessoais.

A dificuldade de colocar-se no mundo diante das outras pessoas pode estar relacionada com pensamentos do tipo “eu não posso desagradá-los”, “não vou ser aceito se discordar”, “não sou respeitado”, “serei abandonado se eu não atender as expectativas das pessoas”.

Invalidação dos próprios sentimentos e potencial

Invalidar-se é um fato que ocorre devido insegurança e baixa autoestima, mas que retroalimenta os mesmos. Algumas vezes, o ato de invalidar-se pode ser um reflexo do que o indivíduo vivenciou em sua infância, onde os pais (críticos e rígidos) exerceram um papel invalidante e o indivíduo agora faz consigo mesmo o que viveu anteriormente.

E por isso age sem acreditar no seu potencial e interpretando o seu sofrimento como algo supérfluo ou sem importância, deste modo tende a colocar-se em segundo plano e não se permite perceber o quanto o seu sofrimento também merece atenção.

Necessidade de evidências ou provas do amor do outro

A insegurança comumente também aparece nos relacionamentos amorosos e na interação com outras pessoas. Às vezes, a insegurança nos faz desejar provas constantes de que somos amados, de que o outro está feliz ao nosso lado, de que não seremos abandonados ou rejeitados.

Esta necessidade de provas pode tornar o relacionamento desgastante, porque por mais que o outro faça por nós, o medo do abandono ou a sensação de rejeição iminente parece nunca ter fim.

Pessoas que necessitam deste tipo de evidências constantes podem vivenciar ainda, relacionamentos de dependência e codependência afetiva, que além de não serem saudáveis, acabam fortalecendo ainda mais a insegurança.

Sensação de incapacidade

A insegurança relaciona-se com a sensação de incapacidade justamente pelo fato de que existe uma sensação forte de que nunca a pessoa será bom o suficiente, que nada do que faz traz resultados esperados ou que é inferior aos outros e não dará conta das situações sozinho.

A crença de incapacidade também tem relação com nossas vivências passadas e está altamente ligada a comportamentos de autossabotagem, onde você pode sentir que é necessário fugir de situações, porque em seu íntimo existe a crença de que não vale a pena tentar, porque não irá conseguir ou que não se sairá tão bem.

Falta de autonomia

Está ligada a um modo de vida onde você deixa que os outros falem, façam e decidam por você, seja pela crença de que a opinião do outro é melhor ou por outros aspectos comuns na insegurança.

Geralmente, pessoas que não vivenciam a autonomia na vida adulta foram impedidas de experienciá-la durante a infância, pela superproteção em sua criação, por exemplo.

Uma criança que foi privada de ter experiências, de explorar o mundo ou o adolescente que foi privada de resolver o que lhe cabe, acaba não desenvolvendo a autonomia e habilidades sociais para levar uma vida mais independente e tornar-se mais seguro e autoconfiante.

Perseguição ao perfeccionismo

Quando a insegurança “toma conta de nosso ser”, dificilmente interpretamos resultados como bons e, geralmente, acreditamos que todo o nosso trabalho ainda não está bom o suficiente, por mais que nos debrucemos em retrabalho.

O perfeccionismo está ligado também a outras interpretações disfuncionais, mas no caso da insegurança é fruto da sensação de que você não deu o seu melhor ou não alcançou o que melhor poderia ter alcançado.

A perseguição ao perfeccionismo é uma luta interminável, porque devido à insegurança você acha que nunca será bom o suficiente e acredita que deveria estar fazendo mais do que já faz. Além disso, a busca pela perfeição traz a ilusória sensação de controle da situação, sendo um irreal escape para a insegurança.

Dificuldade em tomar decisão

Se você é uma pessoa insegura, possivelmente pode enfrentar certa dificuldade em tomar decisões. A tomada de decisão envolve autoconhecimento, autonomia e coragem de decidir por si mesmo.

A insegurança pode te tornar dependente da opinião e validação de outras pessoas e criar bloqueios quanto a sua própria autoeficácia. Porém, quando se vive baseado na opinião dos outros, “paga-se” com a perda da própria autenticidade.

Autocobrança e autocríticas exageradas

Outros fatores por trás da insegurança são a autocobrança e a autocrítica, que surgem quando não conseguimos realizar o que pretendíamos ao longo da vida.

Podem estar associadas também a crenças desenvolvidas no decorrer da nossa história de vida, onde sentimos que não foi possível suprir as expectativas das pessoas (pais, professores, pessoas que nos relacionamos).

A autocobrança nos faz querer caminhar para o perfeccionismo, sendo nociva a nós mesmos, enquanto a autocrítica nos deixa cada vez mais longe da autocompaixão.

Medo de falhar

O medo de falhar muitas vezes paralisa ou gera a esquiva da situação. No entanto, quanto mais você evita determinada situação pelo medo de falhar, mais ansiedade você gera!

Quem posterga tarefas e situações por esta questão, acaba deixando de lado muitas realizações que não serão alcançadas, porque a tendência neste caso é abandonar projetos e ideias pelo medo de falhar, sem nem ter começado.

A insegurança pode ser capaz de paralisar e de nos fazer desistir de objetivos importantes para nós, causando angústia e frustração por viver uma vida pautada em desistências, que intensificam ainda mais a sensação de que não será possível concretizar aquilo que almejamos.

A sua forma de insegurança possui como base as vivências que você experienciou até hoje, principalmente na infância. Ressignificar experiências passadas e desenvolver habilidades, autoestima e autonomia para trilhar o próprio caminho são elementos chave para uma vida mais assertiva e com menos inseguranças e a terapia pode te ajudar nisso!

Se a sua insegurança tem causado prejuízo significativo na sua vida ou na qualidade dos seus relacionamentos, agende um horário, ninguém precisa enfrentar as adversidades da vida sozinho.

Referências

  1. BECK, Judith S. Terapia Cognitivo-Comportamental: Teoria e prática. 3ª ed. Porto Alegre: Artmed. 2021.
  2. KNAPP, Paulo; BECK, Aaron T. Fundamentos, modelos conceituais, aplicações e pesquisa da terapia cognitiva. Rev Bras Psiquiatr. Vol. 30, n. 02. 2008.
  3. ITO, Ligia M. et al. Terapia Cognitivo-Comportamental da Fobia Social. Braz. J. Psychiatry. Vol. 30, n. 2. 2008.
Camila Fusco
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