Desenvolvimento pessoal

A tríade humana

O que é uma Tríade?

Desde há muito tempo até atualmente, o homem determinou sua vida em três direções distintas: o que quero, o que posso e o que sou. Isso compõe o que eu chamo de Tríade Humana, uma malha de três interesses que poderiam se complementar, estimular e motivar, porém servem como obstáculos, adversidades na vida muitas vezes e também como justificativas para as falhas no desempenho, na humanidade pretendida.

Situação atual

Estamos vivendo uma situação desconhecida, estranha. E isso se reflete não apenas na condição da doença causadora desta pandemia, mas também, e principalmente, na condição psicológica das pessoas. Não estávamos acostumados a viver com tudo isso que veio de uma só vez, todas essas limitações: o isolamento, o distanciamento entre as pessoas, as consequências dessa doença, a morte rondando próximo, atingindo muitas vezes pessoas muito próximas de nós.

Outras situações conflito

Outras situações se sucederam para complicar ainda mais nosso sistema psicológico: o home-office foi uma das soluções encontradas para não deixarmos de produzir (e ganhar dinheiro), mas ainda assim não estávamos acostumados a trabalhar em casa; reestruturamos nossos lares, dispusemos de locais onde poderíamos ter mais privacidade, muitas vezes nos privando de áreas de nossos lares até então destinadas ao lazer; reorganizamos os horários de escola de nossos filhos, nossos horários de lazer foram substituídos pelo convívio com nossos familiares, e várias outras atividades que antes fazíamos com amigos ou em lugares públicos foram transferidas para nossa casa, no isolamento social.

Definindo a ansiedade

A ansiedade é um sintoma, um indicador de que alguma coisa não vai bem conosco, com nosso psiquismo, com nossas relações com a vida, com nossas relações com o mundo. É um indicador que nos mostra que existe um vazio existencial, uma dicotomia entre o que desejamos e o que conseguimos. Além disso, essa ansiedade pode indicar um caminho curto para outros transtornos psicológicos, como a depressão.

O que esperamos de nós mesmos?

O discurso que ouvimos atualmente é “seja feliz”, “procure a felicidade”; mas o que é a felicidade? O que pode nos deixar felizes? Afinal, qual é a “cara” da felicidade? E se eu não consigo identificar essa felicidade eu me deprimo, eu TENHO que encontrar essa felicidade, estabeleço um compromisso de encontrar essa tal felicidade e sou cobrado a todo momento pelas pessoas de meu convívio para que eu seja feliz (como se todos fossem felizes); mas elas mesmas não sabem o que é a felicidade e também vivem essa busca, cujo insucesso as deprime. E essa busca incessante e desesperada gera a ansiedade falada anteriormente. 

Então como caminhar para lidar com a ansiedade?

Existem alguns passos que podemos tomar para facilitar a busca do controle da ansiedade; vamos aprender um pouco a lidar com essa ansiedade e essa “busca pela felicidade”, a trilhar caminhos que podem nos ajudar nessa incessante procura da felicidade.

Felicidade

Não procure a felicidade, busque coisas que lhe façam feliz.

Felicidade é algo muito amplo, difícil de identificar, difícil de definir; e como buscar alguma coisa que não se sabe com o que se parece, nem que cor tem, nem onde fica e muito menos que outra pessoa conheça?

Metas

Trace metas.

Uma meta é uma visão geral de onde você pretende chegar, o que você pretende construir ou conquistar em qualquer prazo que você definir; pode ser um sonho, pode ser algo tangível ou pode ser algo não tangível (como a felicidade, por exemplo!); pode ser, inclusive, algo muito longe de você, que você considere muito grande para você, não importa, porque o importante vem a seguir.

Objetivos

Estabeleça objetivos plausíveis, atingíveis.

Aqui, sim, vem a grande responsabilidade e vai mostrar sua capacidade para lidar com adversidades e a busca pelo que lhe fará feliz. Objetivos são passos, caminhos para se atingir uma meta; podem ser muitos, podem ser poucos, não existe um tempo definido, você vai definir o tempo para atingir sua meta; eu disse que as metas não precisam ser tangíveis, já os objetivos devem obrigatoriamente ser tangíveis, você tem que mensurá-los. Um objetivo não mensurável fará com que você não saiba quando ele estará cumprido e isso pode aumentar a ansiedade.

A paciência 

Tenha paciência.

Tudo na vida tem um ritmo próprio, segue um tempo. Não tente apressar seus objetivos, ao invés disso, se necessário, estabeleça maior número de objetivos de menor complexidade. A paciência também pode nos ensinar a olhar a vida e as pessoas de outra forma, porque cada coisa (e pessoa) também tem um ritmo próprio, tem seu próprio tempo de resposta e isso não depende de você. Portanto, exercite a paciência.

Dores e esforços

Faça com que seus esforços e suas dores tenham sentido.

Marque todos os momentos, defina sempre o sentido que cada coisa tem para você, encontre a satisfação em cada objetivo, em cada passo que você der. E se algo não der certo, se falhar algum objetivo, faça-o novamente, estabeleça um objetivo mais claro ou ainda mais simples do que aquele que falhou. Lembre-se sempre: não tenha medo da dor, ela deve servir como alavanca para seu sucesso.

Razões e causas

Todos somos obrigados a buscar nossas metas e objetivos? Todos somos obrigados a buscar a felicidade? E aqueles que nos cobram disso? Entendamos que todos nós temos razões para buscar a felicidade e, para isso, devemos identificar metas e estabelecer objetivos. Todos nós. Isso faz parte da condição humana; a ausência dessa busca é como algo que falta em nós mesmos e que nos tira razões para viver; tira nossos motivos para viver.

O não cumprimento dessas “obrigações naturais” nos causa um vácuo existencial, o que nos causa a ansiedade e possivelmente a depressão.

E quem nos cobra disso, já encontrou a felicidade?

As pessoas que ficam em cima da arquibancada, gritando nosso nome e nos impelindo a buscar a felicidade a qualquer custo, nos empurrando, ditando frases e conselhos mirabolantes aprendidos na internet, comparando nossa atitude com a de outras pessoas, nos instigando e, geralmente, nos irritando, possivelmente estão espelhando em você o próprio insucesso delas.

Não se sinta incentivado por essas pessoas. As metas são suas, os objetivos são seus, a paciência é sua, de mais ninguém. Não permita que essas pessoas interfiram em seu tempo para as coisas, em suas necessidades e no sentido que as coisas lhe trazem.

Felipe Pierry
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