Trabalho

Adoecimento psíquico devido ao trabalho

A desmotivação com o trabalho

Desde a adolescência somos incentivados a escolhermos uma profissão, algumas pessoas por razões sociais não escolhem onde irão trabalhar e acabam se sentindo desmotivadas com o trabalho.

Outra questão que desmotiva o trabalhador é quando este sofre assédio moral por parte de seus superiores. Define-se por assédio moral como “a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e aéticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s), desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização, forçando-o a desistir do emprego”.

O contexto empresarial é rodeado de pressões, pois a empresa deseja destacar-se diante da concorrência do mercado de trabalho. É uma verdadeira pirâmide, os empresários têm seus gastos e cobram resultados dos gerentes, e os gerentes, assim, cobram dos funcionários. Diante disso, muitos funcionários apresentam estresse no contexto organizacional, os autores definem estresse como um desequilíbrio entre as demandas do trabalho e a capacidade de resposta dos trabalhadores.

A situação saudável de trabalho seria a que permitisse o desenvolvimento do indivíduo, alternando exigências e períodos de repouso com o controle do trabalhador sobre o processo de trabalho. Ainda é difícil identificar o adoecimento do funcionário relacionado com o trabalho e, consequentemente, considerar que houve um acidente de trabalho, e por isso afastando o funcionário pelo INSS. Essa dificuldade é percebida pelos profissionais dos serviços de saúde, dos sindicatos e os próprios trabalhadores (Glina, ect 2001).

Os transtornos mentais relacionados ao trabalho

No artigo científico Saúde mental e trabalho: uma reflexão sobre o nexo com o trabalho e o diagnóstico, com base na prática, são descritos casos clínicos de pessoas que tiveram transtornos mentais relacionados ao trabalho. Um dos casos é de um homem de 46 anos, motorista de empresa de transporte coletivo, estava exposto a ruído, calor e vibração; cumpria jornada das 15:40h à 00:50h, que se prolongava, com horas-extras frequentes.

Trabalha em trajeto de linha considerada violenta, tendo sofrido assalto à mão armada, por cinco vezes. Descreve sua situação: “A empresa pressiona muito e por qualquer coisa, demite sem direitos. Qualquer coisa é suspensão, advertência. Não há diálogo com a chefia. Eles querem é carro rodando na rua. Para ir ao médico, tem que pedir permissão. Se um colega bate o carro, “gancho”. Querem só tirar o carro do local e o trabalhador é quem arca com a burocracia e desconta o prejuízo do seu salário”.

Após o ultimo assalto em que houve até assassinato, passou a apresentar sintomatologia na forma de tremores e ansiedade que, tendo se tornado incontrolável, levou-o a procurar médico e a psicóloga da empresa, que não propuseram afastamento do trabalho. Foi diagnosticado com transtorno de estresse pós traumático.( Glina e ect, 2001)

Além desse caso outros foram analisados, e percebe-se condições de trabalho nocivas para o trabalhador (por exemplo, ruído, calor, vibração, produtos químicos; problemas relacionados à organização do trabalho, por exemplo jornadas extensas e horas-extras, excesso de trabalho e pressão por produção, metas irreais e falta de retaguarda; gestão inadequada; em alguns não houve um procedimento adequado em relação ao trauma sofrido pelo trabalhador, i.e., assalto e acidente); violência (por exemplo: assaltos).

Os quadros clínicos mostraram a existência de sinais e sintomas ligados a sentimentos, por exemplo:

  • Medo,
  • Ansiedade,
  • Depressão,
  • Nervosismo,
  • Tensão,
  • Fadiga,
  • Mal-estar,
  • Perda de apetite,
  • Distúrbios de sono,
  • Distúrbios psicossomáticos (gastrite, crises hipertensivas),

Além disso, contaminação involuntária do tempo de lazer, ou seja, os trabalhadores sonhavam com o trabalho, não conseguiam “desligar-se”. Os transtornos mais comuns foram: quadros psicóticos orgânicos ligados a acidentes ou exposição a produtos químicos, apareceram ainda quadros de fadiga, depressivos, paranóides, de adaptação e de reação ao estresse grave (Glina, ect 2001).

Pode-se afirmar que quanto menor a autonomia do trabalhador diante da empresa, maiores as possibilidades de que a atividade gere transtornos à saúde mental. Novas formas de organização do trabalho, novas tecnologias e a precarização do trabalho trazem o temor do desemprego e a intensificação do trabalho. Percebe-se que o excesso de trabalho e a pressão por produção ocorrem em todos os degraus da hierarquia.

As profissões que mais causam depressão

Segundo a revista Health Magazine, das profissões que mais causam depressão estão:

  • Enfermeiro particular,
  • Garçom/garçonete,
  • Assistentes sociais,
  • Profissionais de saúde,
  • Artistas e escritores,
  • Professores,
  • Profissionais administrativos,
  • Técnico em manutenção,
  • Contadores,
  • Vendedores.

Outra lista mostra que em relação ao estresse os policiais e bombeiros são os mais prejudicados, pelo contexto de perigo que vivenciam.

No livro Do Assédio Moral à Morte em Si – Significados Sociais do Suicídio no Trabalho o psicólogo Nilson Berenchtein discute a questão do assédio moral no trabalho, e o quanto as empresas fazem para encobrir casos de suicídio entre os trabalhadores. Na França houve diversos casos de suicídios devido ao fato das empresas estarem quebrando por conta da crise financeira.

No Brasil, é necessário criar iniciativas em prol da saúde mental do trabalhador, para que não ocorra o mesmo que na França, por exemplo: a inserção de psicólogos clínicos nas empresas para prestarem atendimento psicológico aos funcionários.

Dica de filme sobre o assunto

Recomendo o filme Whiplash – Em busca da perfeição, que é um caso de adoecimento devido ao trabalho e de assédio moral.

O solitário Andrew (Miles Teller) é um jovem baterista que sonha em ser o melhor de sua geração e marcar seu nome na música americana como fez Buddy Rich, seu maior ídolo na bateria. Após chamar a atenção do reverenciado e impiedoso mestre do jazz Terence Fletcher (JK Simmons), Andrew entra para a orquestra principal do conservatório de Shaffer, a melhor escola de música dos Estados Unidos. Entretanto, a convivência com o abusivo maestro fará Andrew transformar seu sonho em obsessão, fazendo de tudo para chegar a um novo nível como músico, mesmo que isso coloque em risco seus relacionamentos com sua namorada e sua saúde física e mental.

O que fazer se sofro com esse problema?

Se você percebe sintomas:

  • Tristeza,
  • Desmotivação,
  • Problemas de sono e apetite,

Por muito tempo, devido ao trabalho, procure um profissional da área da psicologia para ajudá-lo(a).

Nilse da costa Andrade
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