Psicologia geral

Afinal, psicoterapia é para todos?

Acredito que vocês devem ter ouvido muito a seguinte frase: “todo mundo deveria fazer terapia”, “todo mundo precisa de um(uma) psicólogo(a). Mas será que de fato todos necessitam de terapia? Todos estão preparados para esse compromisso?

Bem, para iniciar, antes de mais nada, você precisa refletir se está realmente disponível para esse processo, pois na terapia você vai lidar com diversas questões sensíveis e dolorosas, além de ser um processo que requer tempo e responsabilização, visto que psicoterapia é um trabalho em conjunto, troca e confiabilidade. Sem contar que é importante também analisar, junto com seu psicólogo, se suas queixas são demandas psicoterapêuticas ou de outras áreas profissionais, isto é, que não seja competências da psicologia.

Se psicoterapia não é para todos, quando procurar ajuda profissional?

A procura se apresenta em diversos contextos, como autoconhecimento (compreender mais como se encontra, seus limites), adoecimento mental ou conflitos emocionais (dificuldades de mudança, adaptação, luto, relacionamentos conflitivos, etc.).  

Nem todos os casos são necessários um acompanhamento profissional em razão da essencialidade de vivenciar conflitos e turbulências no meio social/individual/familiar como também você já ter os meios de lidar e assimilar aquilo que está vivenciando, sendo precisamente importante lidar com frustrações, raiva, medo e finalizações de ciclos, pois fazem parte da vida, produtor de presentes, possibilidades de caminhos.  

No entanto, os meios de vida se tornar pesados, sem cor ou bem difícil de lidar sozinho(a) com suas questões e a rotina vivida, nesse momento oriento procurar ajudar, visto que, por mais que de fato não necessite, o profissional que você procurar preferencialmente efetive um primeiro momento (anamnese, entrevista) com você, abrindo espaço para uma escuta e, a partir daí, analisa e comunica se é importante ou não o processo terapêutico ou mesmo um encaminhamento a um profissional de outra área.  

Psicoterapia é para quem?

A psicologia vem se transformando e ampliando olhares/campos ao longo dos 60 anos como ciência e profissão, mas também traz inúmeros desafios, limitações e melhorias a serem feitas.

Justamente, a psicoterapia se distancia de muitos espaços/pessoas que precisam de ajuda, pessoas essas que por uma condição social, de vulnerabilidade socioeconômica, acabam não tendo acesso a ela. Compreendo que a psicologia ainda caminha para a elitização, já que os valores cobrados são superiores ao que a maior parte das pessoas podem pagar, e mediante o aumento da condição de vida hoje, separou-se da realidade.  

Mas e as políticas públicas? O recurso financeiro direcionado aos CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), vem diminuindo e, consequentemente, afetando quem necessita. Também eram presentes os serviços na Unidade Básica de Saúde (UBS) – NASF (Núcleo Ampliado Saúde da Família) a qual o psicólogo(a) realizava escuta/acompanhamento psicológicos em casos leves, tal como outras ações realizadas coletivamente e individualmente que contribuía para a saúde e bem-estar. Essa política foi extinta da UBS desde de 2020 com uma nota técnica 3/2020.  

Possibilidades, caminhos e desafios

Nas clínicas presentificam preços elevados, direcionando a um público específico, impossibilitando algumas comunidades se encontrarem nesse processo terapêutico, embora hoje muitos profissionais ofertem preços sociais justamente para o acesso a pessoas de baixa renda terem direito/possibilidade a um acompanhamento. Mesmo assim ainda há também uma flexibilidade na pactuação de valores a serem pagos e a viabilidade que melhor se encaixe para ambos os lados.  

Ressalto que o valor cobrado não é mais importante do que a quem procura, na verdade a pessoa atendida é a prioridade e é valioso ter um olhar transversalizado e o interesse no outro que precisa do nosso trabalho, olhar e acolhimento. Da mesma maneira compreende-se a existência de um investimento alto do profissional para melhor atender as pessoas que a(o) procura/acompanha, tendo que investir em qualificações profissionais, tarifa no conselho profissional, em livros e ambiente adequado para melhor sigilo, conforto e retorno financeiro.  

Escolha do profissional 

Diante de tudo que foi dito ao longo desse texto, há algo que também precisamos nos atentar, que é a escolha de um profissional.

Como sei que posso cofiar em um profissional? Inicialmente você pode pedir indicações de quem já está em processo psicoterápico ou buscar por perfis que te chamam a atenção e entrar em contato com o profissional para esclarecimentos de dúvidas ou até mesmo arriscar e ver o que possibilita nesse encontro.  

Pode ocorrer de começar o processo e não estabelecer o Setting Terapêutico, ou seja, construção da relação entre profissional e paciente. A famosa “não bateu a química”. Isso pode ocorrer e tudo bem, neste caso basta que você procure um novo profissional em quem você sinta confiança e à vontade em relatar suas questões e experiências.

Mas e a psicoterapia on-line, serve para ela também? Sim. O processo virtual abre novos horizontes e permanece o acesso próximo com o profissional, podendo você entrar em contato por e-mail, ligação, mensagens e até pelas redes sociais, ou entrando no perfil profissional que é disponibilizado na plataforma de atendimento.

Além da escolha, é vital examinar alguns aspectos que filtre tais escolhas, como: horários disponíveis, datas e especializações. Sendo assim possível uma relação, iniciar o processo e correr para o abraço.

Confiabilidade no profissional

Para iniciar a caminhada na psicoterapia é importante confiar no profissional o qual procurou, afinal, como vai haver progresso e troca se não confiar em quem você procurou? Por isso é fundamental, além do interesse, escolher um profissional que traga confiança ética e compromisso.

Contudo, de que maneira construo essa tal de confiança? Pesquise. Caso provoque uma vontade de iniciar a terapia com determinado profissional, mesmo com receio e insegurança, se jogue. No fim das contas você não vai ter 100% de certeza se vai dar certo, vai ter que arriscar e “pagar para ver”.

Psicoterapia é andar junto

Relevantemente, vale salientar que a psicoterapia não proporcionará resoluções de seus problemas ou mesmo uma pílula mágica, estamos aqui para mediar, e abrir caminhos possíveis que você ainda não esteja identificando.

Para mais, você é o caminho e é capaz de construir e reconstruir caminhos, corres e rios inteiros e só precisará, realidade, de alguém que o guie nesse andar exaustivo em busca de si mesmo. No meio do caminho, será capaz de seguir seu trajeto sozinho(a) com os meios que possuir/construir.  

Reflita se de fato é o momento de lançar-se para esse caminhar. E quando se achar disponível, desejo que seja lindo seu processo, em que se lançará para tantos trajetos e possibilidades a se seguir e refletir, sendo muitas vezes dolorosos, mas que será necessário andar, parar, retornar e seguir nas diversas formas de viver e encontrar/reencontrar a sua essência de existir e amar.

Se lance nessa caminhada!

Referências

  1. DIMENSTEIN, Magda. A cultura profissional do psicólogo e o ideário individualista: implicações para a prática no campo da assistência pública à saúde. Estudo de Psicologia. (5) -1, 95-121, 2000.  
  2. GIL, Antonio Carlos. O psicólogo e sua ideologia. Psicologia, Ciência e Profissão. 0-6.  
  3. LUMERTZ, Ivan Castilhos; CASTRO, Amanda. O Valor Social no Atendimento Psicológico Clínico. ID on line. Revista de Psicologia. V.15, N.571, 628-646. Outubro/2021. 
  4. MONK, Alex. Bolsonaro desassistirá milhares de famílias retirando o NASF da atenção básica. Rede Internacional, Natal – RN, 07 de fev. 2020. Disponível em: Bolsonaro desassistirá milhares de famílias retirando o NASF da atenção básica (esquerdadiario.com.br) 
Vyrna Dias de Alcântara
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