Ansiedade

Ansiedade: do sinal à síndrome. Quando procurar ajuda de um profissional de saúde mental?

Entendendo sobre ansiedade

Sim, podemos pensar sobre ansiedade e isso é uma ação muito importante para conseguirmos identificar como esse sentimento pode atingir nossa qualidade de vida, ou não. Mas como assim? A ansiedade está relacionada ao medo, emoção primária do ser humano, importante para a proteção e evolução da espécie. O medo nos faz prevenir acontecimentos e ameaças, ocasionando um comportamento de fuga ou enfrentamento de determinada situação.

Para melhor ilustrar a informação do paragrafo anterior, podemos dar o seguinte exemplo: Com objetivo de obter diploma de nível superior, o estudante precisa ser aprovado no trabalho de conclusão de curso (TCC).  Este estudante sente medo e ansiedade para realizar o trabalho. Ao refletir sobre a relevância dos seus sentimentos, consegue fazer autorregulação emocional, buscando estratégias que o ajudará no desenvolvimento do seu trabalho. Caso contrário, estes sentimentos podem paralisá-lo, levando-o a não conseguir realizar o seu trabalho e, consequentemente, não concluindo o seu curso.

O medo e a ansiedade estão associados. A ansiedade é como se fosse uma carga emocional relacionada ao medo, podendo também ocasionar esgotamento físico e mental. Portanto, apesar do medo e ansiedade serem considerados sentimentos inatos do ser humano, eles podem paralisar o indivíduo e interferir na sua qualidade de vida, sendo considerado patológico.

Quando a ansiedade pode ser considerada patológica? 

Então, entendemos que a ansiedade e o medo estão associados e que são sentimentos considerados primários dos seres humanos, por isso é normal sentir ansiedade e medo, mas quando estes sentimentos interferem de maneira significativa no:

  • Comportamento; 
  • Qualidade de vida; 
  • Resolução de problemas;
  • Participação em atividade laboral; 
  • Interação social;

É importante pensar na hipótese de ansiedade patológica, que afeta diretamente a saúde mental e o desenvolvimento adaptativo psicossocial do indivíduo. Para entender se a ansiedade pode ser patológica ou normal, a pessoa deve observar se a reação ansiosa é de curta duração associada a um estimulo momentâneo ou não, além de como esta interfere na realização das atividades diárias.

É fundamental entender que existem vários tipos de transtornos ansiosos e que muita vezes os sinais relacionados a como o organismo responde na presença da ansiedade é necessário para compreender sobre a condição de saúde mental da pessoa. Portanto, as síndromes ansiosas são divididas em dois grandes grupos: Ansiedade constante e permanente (ansiedade generalizada) e crises de ansiedades (crises de pânico).

Caso os sintomas relacionados à ansiedade ocorram de modo repetitivo, afetando à rotina de vida do indivíduo, podem configurar em um tipo de transtorno de ansiedade. O profissional da área de saúde mental deverá ser responsável por investigar os critérios para levantar a hipótese diagnostica.

Estão inclusos nos transtornos de ansiedade aqueles com características de medo e ansiedade associados. Sendo que o medo é a resposta emocional à ameaça observada, e ansiedade é a antecipação de ameaça futura. Estes sintomas estão também relacionados à presença de perturbações comportamentais de maneira exacerbada.

Ansiedade e risco de suicídio 

Outra questão importante a se pensar é sobre a relação do risco de suicídio com os transtornos de ansiedade. Existem dados de pesquisas informando que o diagnóstico de transtorno do pânico e crises de pânico estão associados à taxa elevada de ideação suicida, como também tentativas de suicídio, mesmo quando são levados em conta comorbidades, história de abuso infantil e outros fatores de risco de suicídio.

As dificuldades enfrentadas no dia a dia leva ao estado emocional ansioso que deve ser observado sua intensidade, em que muitas vezes o nosso corpo emite respostas orgânicas para estímulos estressores, sendo elas:

  • Sensação de palpitações (taquicardia), 
  • Suor intenso (sudorese), 
  • Tonturas, 
  • Náuseas, 
  • Dificuldade respiratória, 
  • Extremidades frias; 
  • Dores de cabeça,
  • Tensão muscular,
  • Apetite desregulado,
  • Sono desregulado.

Ao identificar estes sintomas é importante buscar ajuda de um profissional da área de saúde mental responsável por diagnosticar e tratar a síndrome ansiosa. O diagnóstico e tratamento correto fazem toda diferença no prognóstico favorável.

Referências

  1. SILVA, Ana Beatriz B. Mentes ansiosas: medo e ansiedade além dos limites. Rio de janeiro: Objetiva, 2011.
  2. CASTILLO, Ana Regina G. L. et al. Transtornos de ansiedade. Revista Brasileira de Psiquiatria, 22 (2000): 20-23. Disponível em: 
  3. https://www.scielo.br/j/rbp/a/dz9nS7gtB9pZFY6rkh48CLt/?lang=pt Acesso em: 08 de set. 2021
  4. HOLLANDER, E, Simeon D. Transtornos de ansiedade. In: Dalgalarrondo, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais – 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2008. p 304-306.
  5. American Psychiatric Association. (2014). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5 (5a ed.; M. I. C. Nascimento, Trad.). Porto Alegre, RS: Artmed.
Aminy Alves Sobrinho
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