Psicologia geral

Ansiedade e Neuroplasticidade

O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) é uma patologia muito comum e usual no século XXI, requerendo inferir o limite entre a ansiedade normal e a patológica, ou melhor, analisar quando enfrenta se situações comuns e cotidianas de stress e ansiedade e, quando vivencia se o sofrimento patológico do TAG, ou seja, o sofrimento frequente, duradouro e prejudicial para o desenvolvimento das relações e atividades cotidianas, o que torna como tarefa primordial realizar mudanças e ajustar padrões, evitando assim o progresso da doença, bem como as comorbidades que podem acompanhá-la, requerendo a contribuição da neuroplasticidade, definindo a importância deste tema.

O que é Neuroplasticidade

A neuroplasticidade é o nome dado para a capacidade do cérebro de aprender e reprogramar. O que favorece o entendimento de que da mesma forma que ocorre a aprendizagem e a tradução de experiências que podem trazer traumas e padrões de comportamento desajustados e patológicos, existe a possibilidade de, por meio da aprendizagem de técnicas e da alimentação da mente através de mensagens positivas, gerir a superação de traumas e a adoção de novas posturas diante das situações.

Desta forma, cabe o questionamento de como a neuroplasticidade contribui para melhorar o TAG?

A importância da neuroplasticidade possui relevância justificada pela definição de um processo de reabilitação neuropsicológica ou psicoterapia, que se baseia na capacidade de inserir modificações na estrutura do sistema nervoso, alterando suas funções por meio de novos padrões de experiência, conjecturando efeitos que impactam na redução e minimização do Transtorno de Ansiedade Generalizada, com concepções e técnicas que favorecem concepções e avaliações a partir de perspectivas estruturais (configuração sináptica) ou perspectivas funcionais (modificação do comportamento). 

4 possibilidades de intervenções

Diante das considerações de que o cérebro deixa de ser considerado um órgão estático, com atividades pré-moldadas, estritamente sob a ordenação genética, favorecendo, como define Merzenich (2013), a criação de novos circuitos e conexões neuronais no processo que responde aos estímulos e experiências, surgem novas possibilidades de intervenções, baseadas nas conquistas diante dos resultados alcançados por meio de mudanças funcionais.

Nesse processo, surgem as possibilidades de recuperação e desenvolvimento de habilidades perdidas decorrentes de lesões, envelhecimento ou doenças, conforme Merzenich (2013), gerindo a utilização de estratégias para que com simplicidade, profissionais e pessoas comuns possam utilizar a plasticidade cerebral para assumir o controle e melhorar sua qualidade de vida.

O cérebro passa a ser programado para receber novas informações e realizar as mudanças necessárias, segundo Merzenich (2013), por meio de experiências e atividades vivenciadas e direcionadas, aprimorando habilidades, modificando a fiação cerebral composta por sinapses ou conexões neurais, selecionando as informações que formam as conexões que suportam o desenvolvimento de comportamentos e habilidades.

A obtenção de uma série de benefícios que alteram e regulam todo o funcionamento cerebral, passa a suprir novas operações de funcionamento dos mecanismos, melhorando e desenvolvendo habilidades e, ainda mais, segundo Negretti (2016), renovando todo o sistema cerebral, por meio de mudanças físicas e, consequentemente químicas, gerando uma complexidade de recursos cerebrais, gerando avanços e retrocessos, conforme a realização de sua utilização.

O poder do cérebro

De acordo com Merzenich (2013), o cérebro opera de forma limitada pelo ambiente e poderá ser aperfeiçoado progressivamente conforme for treinado, conforme receba informações por meio de atividades que direcionam a busca de alta performance, tornando-se mais preciso com o tempo e a prática habitual da alimentação de informações que supram a necessidade de desenvolvimento.

Ainda segundo Gomes (2018), quanto maior for a prática, melhor o sistema cerebral se tornará, coordenando os diferentes sistemas existentes, combatendo os sintomas do estresse e da ansiedade, retardando os efeitos do envelhecimento, realizando a manutenção da rapidez de decisões e da fluência nas operações.

A representação da informação no sistema cerebral passa a determinar quais são os novos limites, em performance e complexidade, realizando previsões de acordo com as informações recebidas e acumuladas continuamente ao longo do tempo, conforme Negretti (2016), minimizando as associações com as experiências do passado.

As possibilidades de intervenção permitem como enfatiza Merzenich (2013), a manipulação de informações elevando o nível de operações e da rapidez de respostas, onde, não há mais somente uma verdade absoluta, mas uma série de alternativas que passam a ser processadas com rapidez e fluência, emergindo dentre as possibilidades detectadas, a mais plausível.

Quando o stress, a sobrecarga, atingem os níveis máximos trazendo prejuízos na rotina do indivíduo, diagnosticado com o transtorno de ansiedade, de acordo com Negretti (2016), torna-se necessário a administração de tratamento, as intervenções realizadas habitualmente são construídas entre profissional especialista e paciente, de acordo com as possibilidades, preferências, disponibilidade de tempo ou facilidade de acesso a serviços e técnicas. 

Os métodos de redução da ansiedade

De acordo com Wright (2012 p. 167), uma variedade de métodos comportamentais pode reduzir a ansiedade e a tensão e ajudar as pessoas a superarem seus temores. Algumas das técnicas que o terapeuta ensina são exercícios de relaxamento (maneiras de reduzir a tensão muscular e o estresse), imagens mentais positivas (trazer imagens tranquilizadoras a mente) e treinamento da respiração (aprender a se concentrar em um estilo relaxado de respiração para interromper os ataques de pânico e outros motivos de ansiedade).

Estabelecer alvos para a mudança, registrar seus esforços, monitorar e anotar as vivências, de acordo com Negretti (2016), são algumas técnicas que podem contribuir para o enfrentamento da patologia. Além de medicação o profissional acompanhante avalia quais tratamentos complementares são indicados, tais como: atividade física, meditação, alimentação, homeopatia, ioga, massoterapia, acupuntura e psicoterapia.

Cury (2014, p. 37) propõe incentivar atividades lúdicas de contato com a natureza, de leitura de livros, aprendizado de música, artes plásticas, artes cênicas, enfim, atividades contemplativas, bem como utilizar a técnica DCDDuvide de todas as suas falsas crenças; Critique cada ideia pessimista, cada pensamento angustiante e Determine estrategicamente ser livre, não ser escravo dos conflitos, ter uma mente saudável e generosa. 

Sweet (2015, p. 17) apresenta a técnica de Mindfulness – estar presente. Meditação. A regularidade é fundamental, é a chave para ganhar benefícios. O poder está no efeito cumulativo de desacelerar a mente, acalmando a ansiedade e os pensamentos repetitivos ou perturbadores.

A frequência gera estímulo motivador, maior e melhor estado de alerta, gerindo melhor os elementos que propiciam maior mudança, segundo Merzenich (2013), coordenando os pontos fortes das conexões neuronais, simultaneamente, orientadas para a aprendizagem e para o aumento da confiabilidade.

Desta forma, toda e qualquer atividade inicia no cérebro, todos possuem o mesmo potencial de reformulação, tudo depende da dedicação de cada indivíduo, como ressalta Gomes (2018), gerindo a plasticidade em constante mudança, reformulando os modos irreversíveis de mudança sob a prática de submissão a tensões, adotando novos hábitos ou eliminando antigos, gerenciando a flexibilidade e a mutabilidade.

A remodelagem de um órgão fisiológico e estático como o cérebro, como ressalta Merzenich (2013), deve ser realizada por toda a vida, ativando as conexões neurais pela frequência e repetição, ensejando que um simples ato ou a realização de uma atividade somente uma vez não surtem efeito neste processo.

A remodelagem deve prover novas possibilidades de intervenção que resultem em resistência e aprendizagem permanente, invertendo os padrões geradores pela ansiedade, modificando limites e os aspectos essências da vida, conforme Gomes (2018), gerindo situações que possam propor ao cérebro mudanças significativas, definitivas e de melhores condições de vida.

Gostou do texto? Compartilhe em suas redes sociais. Esse é seu momento de procurar ajuda profissional? Estou a sua disposição, agende seu horário.

 

REFERÊNCIAS

CURY, Augusto. Controle o Estresse: saiba como encontrar o equilíbrio. São Paulo. Ed. Gold. 2014.

DAHLKE, Rüdiger. A doença como linguagem da alma: os sintomas como oportunidade de desenvolvimento. São Paulo, Cultrix, 2007.

DSM-V, American Psychiatric Association – Manual de Diagnóstico e Estatístico de Distúrbios Mentais 5ªed. Edit. Artes Médicas, 2014.

GOMES, Pedro Lourenço. A Plasticidade do Córtex Cerebral Humano.  Cérebro Cognição Linguagem. Disponível em http://www.minhavida.com.br/saude/temas/transtorno-de-ansiedade-generalizada. Acesso em 17 de jun. 2018.

LAROSA, Marco Antonio. Como produzir uma monografia passo a passo… siga o mapa da mina. 4. Ed. Rio de Janeiro: WAK, 2002.

LURIA, A. R. Fundamentos de neuropsicologia. São Paulo: Edusp, 1983.

MANFIO, Vitor. Fora do Controle? Confira se o seu nível de ansiedade já passou do aceitável. Segredos da Mente – Cérebro e Ansiedade, Bauru: SP 1, nº 1, 2016. ed. Alto Astral.

MERZENICH, Michael. Soft-Wired: How the New Science of Brain Plasticity Can Change Your Life. University of California, San Francisco (UCSF), 2013.

NEGRETTI, Natália. Em busca de alívio: Existem diversas formas de controlar a ansiedade, sem envolver medicamentos. Conheça algumas das mais eficazes para acalmar a mente. Segredos da Mente – Cérebro e Ansiedade, Bauru: SP  1, nº 1, 2016. Ed. Alto Astral.

SWEET, Corinne. Mindfuness o diário: Companhia indispensável para um dia sem estresse.  1 ed. Rio de Janeiro: Best Seller, 2015.

VELOSO, Luciana. Outros casos: Quando a ansiedade comum do dia a dia evolui para um transtorno, a atenção deve ser redobrada. Segredos da Mente – Cérebro e Ansiedade, Bauru: SP  1, Ed. Alto Astral, nº 1, 2016. 

WRIGHT, Jesse H. Terapia cognitivo-comportamental de alto rendimento para sessões breves: guia ilustrado. 1 ed. Porto Alegre: Artmed, 2012.

Ingrid Ribeiro Borelli
Últimos posts por Ingrid Ribeiro Borelli (exibir todos)
Etiquetas

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verifique também
Fechar
Botão Voltar ao topo
Fechar
Fechar