Ansiedade

Como os índices de transtornos de ansiedade na mulher são um grito de socorro para a saúde mental feminina

Você sabia que as mulheres possuem o risco de desenvolverem um transtorno de ansiedade maior que os homens? Ou que existem particularidades na forma como esse tipo de adoecimento se manifesta na mulher?

Caso sua resposta para ambas as perguntas acima seja “não”, convido-a a acompanhar-me nos próximos minutos, pois este artigo te ajudará a conhecer mais sobre esse assunto, além de ajudar também você e outras mulheres a buscarem ajuda profissional.

Entendendo o que é a Ansiedade e qual sua função

O que chamamos de ansiedade é mais do que apenas uma emoção. Podemos defini-la como um quadro em que uma pessoa se encontra quando está apreensiva quanto a alguma situação futura que vê como ameaçadora.

É um quadro porque envolve sintomas em várias dimensões. Estão presentes alterações no comportamento (como evitar e se esquivar do que é temido), nas cognições (como foco de atenção para a situação temida, dificuldade de concentração e memória afetada), no próprio corpo (como dor de barriga, tensão muscular, tremores e batimentos cardíacos acelerados) e nas emoções (como medo, nervosismo e frustração).

A Ansiedade, em si, não é um problema. É normal – e necessário – ter ansiedade. E mais: ela tem uma função na sua vida e, por surpreendente que possa parecer, existe para protegê-la contra ameaças. Simplesmente não conseguiríamos nos manter vivas caso não pudéssemos contar com todo um mecanismo de preparação para enfrentarmos um perigo futuro.

Tudo bem, Letícia. Mas nem sempre tem um urso na minha frente, e mesmo assim e eu sinto tudo isso!”

Isso porque o nosso cérebro produz toda essa reação para nos proteger de um perigo – não importando se é real ou imaginado. Ou seja, se você tem de apresentar um trabalho na faculdade e só de pensar na ideia começa a sentir aquelas quatro dimensões de sintomas de que falei é porque o seu cérebro entende que você está em uma situação de perigo (e quer protegê-la).

Quando a Ansiedade não é normal: transtornos de ansiedade

Que a Ansiedade pode ser normal e que todas a experimentamos em algum momento já sabemos, mas nem sempre sua ansiedade é normal. Quando ela é frequente em seu cotidiano, interferindo em seu trabalho, no estudo ou em relações sociais de modo a trazer prejuízos significativos à sua vida, além de lhe causar sofrimento, é sinal de que você precisa buscar ajuda profissional para investigar mais a fundo do que se trata, pois pode ser que você apresente um transtorno de ansiedade.

Outro elemento SEMPRE presente em transtornos ansiosos é uma avaliação equivocada que se faz do perigo de uma situação – o medo não corresponde a uma ameaça real. Vou dar o exemplo do urso: se você está sozinha em uma floresta e um urso vem à sua direção, faz todo o sentido pensar: “estou em perigo e posso ser atacada, preciso sair daqui!”.

Porém, caso você veja um cachorro Poodle Toy na coleira do dono e tenha o mesmo pensamento, essa ansiedade será anormal e pode ser indício de um transtorno de ansiedade do tipo fobia específica.

Na prática, não é tão simples assim diferenciar a Ansiedade Normal do Transtorno de Ansiedade. A maior dica mesmo que eu posso dar-lhe é: na suspeita de que a sua Ansiedade não está Normal, marque uma consulta com um(a) psicólogo(a).

Um diagnóstico como esse requer entender desde quando tais sintomas apareceram pela primeira vez a como eles lhe impactam desde o momento que você acorda ao momento que vai dormir, a qualidade do seu sono, a sua história de vida e cada significado que as preocupações possuem ao seu modo de vê-las.

A incidência maior de transtornos de ansiedade nas mulheres

Vamos aos números, cara leitora!

As pesquisas – que ainda não são muitas sobre o tema – mostram que a chance de a população feminina vir a apresentar, em algum momento da vida, um transtorno de ansiedade é impressionantemente maior que o observado na população masculina.

Em alguns tipos de transtornos ansiosos, o índice que acompanha as mulheres chega a ultrapassar o dobro do verificado em homens (sim, o do-bro!), como você pode ver a seguir:

  • Síndrome do Pânico: 2,9% para homens X 7,7% para mulheres.
  • Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC):  2% para homens X 3,1% para mulheres.
  • Fobia Social: 11,1% para homens X 15,6% para mulheres.

As particularidades do transtorno de ansiedade na mulher

O que diferencia as mulheres dos homens no quesito transtorno de ansiedade não é apenas a probabilidade maior de virem a desenvolver tal tipo de adoecimento. Tem muito mais coisas envolvidas – que nós, mulheres, precisamos saber.

Uma delas é que mulheres apresentam os sintomas ansiosos de forma mais grave. Isto é – cada sinal corporal, psicológico, comportamental e emocional tende a ser sentido de forma mais intensa e a trazer mais sofrimento e prejuízos ao seu cotidiano.

Ainda, as mulheres apresentam, com mais frequência, uma ou mais comorbidades psiquiátricas quando comparadas aos homens. Comorbidade? O que é isto? Vou te explicar!

Comorbidade psiquiátrica é quando uma pessoa possui um diagnóstico de algum transtorno mental e descobre que, juntamente com ele, apresenta outro tipo de adoecimento psiquiátrico. É o caso, por exemplo, de uma mulher com Transtorno Obsessivo-Compulsivo que é também diagnosticada com depressão. Na prática, essa pessoa vai precisar lidar com as dificuldades e com o sofrimento que acompanham cada um dos diagnósticos. 

Tratando o transtorno de ansiedade na mulher

Boa notícia: Você não precisa ser enfrentar esse sofrimento sozinha. E, para isso, os profissionais da saúde mental estão à sua disposição para ajudá-la E como é que se trata?

O tratamento de um Transtorno de Ansiedade é, via de regra, feito com o acompanhamento de um psicólogo(a), no processo de psicoterapia (mais conhecido como “terapia”). Nesse tipo de intervenção, a cliente comparece semanalmente ao consultório psicológico – presencial ou online – e pode conhecer o seu quadro ansioso, quais os gatilhos para ele, assim como aprender a lidar com todos os sintomas envolvidos na forma singular com que sua ansiedade é manifestada no dia-a-dia.

E aproveito para lhe dar uma dica valiosa: é importante buscar um(a) profissional capacitado(a), que conheça sobre as especificidades da ansiedade feminina.

Em alguns casos, é necessário realizar o tratamento psicológico juntamente com o psiquiátrico, ou seja: aliar a psicoterapia ao medicamento que um(a) médico(a) psiquiatra competente vai receitar. Isso é preciso quando o seu ou a sua terapeuta percebe, de acordo com a maneira pela qual a Ansiedade se manifesta e afeta a sua vida, que você teria melhores resultados contando também com o tratamento medicamentoso.

 

Referências Bibliográficas:

1 KINRYS, Gustavo; WYGANT, E. Lisa. Transtornos de ansiedade em mulheres: gênero influencia o tratamento?. Revista Brasileira de Psiquiatria, p. 43-50, v. 27, supl II, 2005. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/rbp/v27s2/pt_a03v27s2.pdf.

2 CLARK, David; BECK, T. Aaron. Terapia Cognitiva para os Transtornos de Ansiedade. Porto Alegre: Artmed, 2012.

Leticia Maria Carvalho Mendes Costa
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