Ansiedade

Ansiedade normal vs patológica: Saiba diferenciar uma da outra

O que é ansiedade

A ansiedade é natural para todos os seres humanos. Evolutivamente, nós tivemos que desenvolver a capacidade de entrarmos em estado de alerta, para podermos nos defender dos perigos aos quais éramos expostos, na época em que ainda vivíamos em florestas, cercados por animais selvagens.

Ao longo do tempo, fomos ocupando e construindo espaços urbanos e ficamos menos expostos aos riscos e ameaças, à medida em que as sociedades se desenvolveram no âmbito econômico e social, até chegarmos ao nosso contexto atual. Contudo, este mecanismo de defesa continua a ser acionado sempre que ficamos diante de alguma situação de surpresa ou de uma expectativa de futuro, devido ao medo daquilo que para nós ainda é desconhecido.

Este mecanismo de defesa faz o seu corpo se preparar para algo que vai ou pode acontecer, fazendo você ficar vigilante. Observe que quando você tem ansiedade, você tende a ficar mais agitado que o normal. Sempre que existe um compromisso marcado, ou que você precisa se preparar para algum evento, reunião ou deve tomar alguma decisão importante, você provavelmente ficará mais ansioso.

Os tipos de ansiedade

Além disso, a ansiedade tem tipos diferentes, de acordo com os estímulos que causam o medo e o estado de hipervigilância, como por exemplo:

  • A ansiedade movida a traumas: Estresse pós traumático,
  • Compulsões: TOC,
  • Fobias: Fobia social ou fobias específicas,
  • Sensação de morte: Síndrome do pânico,
  • Ansiedade generalizada ou a Ansiedade de separação, mais comum em crianças e adolescentes.

Nestes casos, estamos diante de TRANSTORNOS DE ANSIEDADE. Os transtornos de ansiedade delimitam quando uma ansiedade se torna patológica, devido ao seu grau de intensidade e aos prejuízos gerados a curto e longo prazo para o indivíduo afetado.

A ansiedade normal e a patológica

A sua ansiedade é considerada normal quando tem uma causa aparente, dura pouco tempo e não exige um esforço intenso para que você seja capaz de controlá-la e superá-la. Em contrapartida, quando ela se repete constantemente e é gerada por um turbilhão de pensamentos intrusivos e negativos (chamamos isto de catastrofização), o seu corpo entende que você deve ficar em estado de alerta para se proteger daquilo que está por vir.

Todo esse estresse gerado pelo excesso de ansiedade gera uma série de manifestações físicas. Note que sempre que você tem uma ansiedade muito forte é comum ter suor excessivo, tremores, palpitações, sensação de falta de ar, batimentos do coração acelerados, euforia e irritabilidade.

Chamamos estes episódios de CRISES DE ANSIEDADE, ou seja, acontece quando a sua ansiedade se manifesta de forma intensa e repentina. Um quadro de ansiedade patológica traz prejuízos a longo prazo, como o estabelecimento de doenças psicossomáticas, aquelas que são geradas por problemas psicológicos não resolvidos.

É muito comum, chegar a um consultório médico com uma queixa de dor física e depois descobrir que o problema é psicológico. Muitas pessoas se espantam quando descobrem que a origem de problemas como: doenças de pele, gastrite e úlcera, por exemplo, são desencadeados devido a ansiedade excessiva. Além disso, um transtorno de ansiedade pode abrir espaço para o estabelecimento de um quadro de depressão. Muitos pacientes, ficam extremamente desgastados por não conseguir lidar com a sua ansiedade e acabam entrando em um quadro depressivo.

Mas o que faz você ficar deste jeito? Por que esses pensamentos ficam aparecendo na sua cabeça o tempo todo? E o mais importante: o que você pode fazer pra resolver tudo isto?

A Terapia Cognitivo-comportamental é o tratamento mais eficiente 

Bom, para isto existe a Terapia Cognitivo-comportamental. Os estudos acerca do tema demonstram que a linha cognitiva é a mais indicada para a prevenção e tratamento dos transtornos de ansiedade.

Nela, trabalhamos em conjunto com o paciente para reconhecer os seus gatilhos emocionais e a origem de pensamentos e crenças que corroboram para a manutenção da ansiedade, agindo diretamente no que chamamos de DISTORÇÕES COGNITIVAS, que são padrões de pensamentos e crenças distorcidas da realidade, a fim de que o paciente possa identificá-las sempre que eles surgirem e assim corrigi-las cada vez mais rápido e assim obtenha maior domínio sobre elas, ofereça novos significados e adote novas posturas e atitudes frente aos conflitos.

Por este motivo que a terapia cognitiva é “psicoeducativa”, ou seja, ela ensina o paciente a compreender o que acontece no seu organismo, como acontece, por que acontece e o mais importante: como este paciente pode resolver todos os problemas envolvidos.

Para que um paciente possa adotar estratégias de enfrentamento, o protocolo adotado para casos de ansiedade patológica varia de acordo com o tipo de ansiedade (por isto, a necessidade do diagnóstico).

Um paciente com caso de fobia, além do treinamento cognitivo, para identificar pensamentos e crenças envolvidas no transtorno, é feito a exposição gradual ao medo, em pequenos passos até ele atingir seu objetivo, já no caso da síndrome do pânico, o paciente é estimulado a retirar o foco dos sintomas até que possa se acalmar e se situar novamente no ambiente.

De acordo com a OMS (2019), o Brasil ocupa o primeiro lugar em número de pessoas ansiosas no mundo. Este dado demonstra a urgência de se atentar a saúde mental para que seja possível conviver com mais inteligência emocional e, consequentemente, maior qualidade de vida. 

Ao passo que a ansiedade nos permitiu sobreviver ao longo da história e evoluir como seres humanos, ela também se tornou a vilã de muita gente que ficou refém dos sintomas sempre que eles aparecem. Portanto, é importante saber identificar quando ela está passando de um nível aceitável para um nível exagerado e procurar um psicólogo que possa oferecer todo o suporte necessário e faça um atendimento personalizado para cada caso, uma vez que, conforme já foi descrito, a ansiedade é plural e se manifesta de forma diferente para cada pessoa.

Se você suspeita que sua ansiedade é exagerada, desproporcional, irracional, automática e sem controle, não hesite em buscar uma ajuda profissional. O serviço de psicoterapia é essencial para que a pessoa aprenda a conviver com mais domínio sobre as suas reações emocionais, sem depender do uso corriqueiro dos medicamentos.

Lembre-se que para alcançar a mudança que você precisa, é necessário dar o primeiro.

Como está a sua ansiedade hoje?


Psicólogo Saymon Souza Correa da Silva
CRP .: 08/32082

Referências:

Braga, J. E. F., Pordeus, L. C., Silva, A. T. M. C., Pimenta, F. C. F., Diniz, M. F. F. M., & Almeida, R. N. D. (2010). Ansiedade patológica: bases neurais e avanços na abordagem psicofarmacológica. Revista Brasileira de Ciências da Saúde, 14(2), 93-100.

Castillo, A. R. G., Recondo, R., Asbahr, F. R., & Manfro, G. G. (2000). Transtornos de ansiedade. Brazilian Journal of Psychiatry, 22, 20-23.

Saymon Souza Correa da Silva
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