Ansiedade

Ansiedade: Uma metáfora anímica. Como lidar com ela?

“Aventurar-se causa ansiedade, mas deixar de arriscar-se é perder a si mesmo. E aventurar-se no sentido mais elevado é precisamente tomar consciência de si próprio.”  Soren Kierkegaard In: “O Conceito de Angústia”, 1844.

A ansiedade

A ansiedade afeta o ser humano desde as mais remotas eras, podendo ser observada ao longo da história a partir de diferentes perspectivas: seja pela filosofia, antropologia, sociologia, medicina, pedagogia e pela psicologia.

Esse sintoma pode ser originado por um mal-estar emocional, aparentemente estabelecido por uma crise existencial que se aproveita de uma fragilidade do  Ser à procura de forte ser. 

E nesse mal-estar que aparecem várias queixas corporais e/ou psíquicas, quando o desconforto psíquico, de alguma forma, sinaliza-nos um incômodo. Não existe só uma causa para o desenvolvimento de uma crise existencial: alguns sinais, dependendo de uma predisposição emocional, fazem-nos reagir e não agir positivamente, diante das pressões cotidianas.

A ansiedade pode ser uma resposta aos sinais dessas pressões, tais como a mudança e/ou perda de emprego, traumas ou qualquer exposição a uma situação que ameace o bem-estar das nossas relações com a vida.

Muitas das vezes, esses sinais não são percebidos e a confirmação desse mal-estar não costuma ser simples, principalmente por se tratar de um incômodo particular para cada um de nós, por isso devem ser investigados e observados de maneira individual. 

Esses sinais podem aparecer de forma somática e psicossomática, podendo apresentar múltiplos incômodos físicos, em diferentes locais do corpo e que não são explicados por nenhuma alteração orgânica. Os sinais se intensificam quando nos sentimos em situações de pressão para tomar decisão em escolhas ou perdas consideradas difíceis, momento esse que pode causar um estado de stress emocional.

Os sinais da ansiedade

Uma situação traumática é capaz de desenvolver-se em qualquer um de nós em qualquer idade.

Por várias causas, a ansiedade facilita o desenvolvimento de diferentes desconfortos emocionais, o que viabiliza a angústia, situações que geralmente estão associadas ao seu desenvolvimento, incluindo:

  • Sobrecarga nos compromissos profissionais e familiares;
  • Traumas;
  • Violência psicológica, física ou sexual;
  • Pressão psicológica de qualquer tipo, associada à dificuldade de falar sobre o assunto ou à tendência de se isolar socialmente.

Os sinais somáticos mais frequentes incluem:

  • Irritabilidade;
  • Impaciência;
  • Tristeza;
  • Stress,
  • Dentre outros.

Os sinais psicossomáticos mais frequentes ensejam:

  • Taquicardia;
  • Tremores;
  • Respiração rápida e falta de ar;
  • Sudorese excessiva;
  • Insônia;
  • Boca seca;
  • Enjoos;
  • Dor de estômago;
  • Sensação de nó na garganta;
  • Dor no peito, nas costas e na cabeça;
  • Dores articulares;
  • Dentre outros.

Como controlar a ansiedade

“(…) Há sabedoria nisso, sabedoria de vida, em receitar para si mesmo a saúde em pequenas doses e muito lentamente.” Nietzsche, Friedrich.                                                                                                                                       

As pessoas que mostram sinais de ansiedade devem procurar ajuda de profissionais como psicólogo e/ou médico, para realização de sessões de psicoterapias e diagnóstico.

Além disso, será bom aprender a contornar os sinais de ansiedade com a prática de alguma atividade física (caminhadas, pilates, natação, etc.), intelectual (como ler e/ou escrever), ouvir músicas, meditação (ioga), desenhar ou pintar para o desenvolvimento da criatividade.

Pode-se procurar também alternativas da medicina naturalista homeopática, que podem ajudar com técnicas de meditação e de respiração para aliviar os sinais emocionais e orientar uma medicação ideal com produtos naturais para amenizar a ansiedade.

O trabalho do psicólogo, que é um profissional capacitado para orientar sobre a forma de lidar com os sentimentos e adversidades, com certeza poderá ajudar na compreensão dos problemas que parecem não ter solução.

É muito importante entender também que, quando nos vemos diante dos dilemas existenciais, não estamos sozinhos e nunca será possível ter todas as respostas para todas as dúvidas, e que não há um grande problema nisso!

Assim, é necessária a compreensão dos estados emocionais que nos atrapalham para poder assumir a responsabilidade pela vida e empregar esforços para superar essa fase. Por isso, é fundamental compreender as razões de todos os sentimentos conflitantes despertados na crise. Qualquer indecisão será motivo para desencadear o processo de ansiedade.  

Dentre os transtornos emocionais, os de ansiedade são os que mais afetam nossa relação conosco, com os outros e com o mundo. Podendo, desta maneira, atrapalhar o nosso caminhar, acarretando sérios problemas aos objetivos propostos para nossa vida profissional, social e familiar.

Para reflexão, seguem trechos da letra “O que é, o que é?” do poeta, músico e saudoso Gonzaguinha.    

Viver

E não ter a vergonha

De ser feliz

[ … ]

Eu sei, eu sei

Que a vida devia ser

Bem melhor e será

[ ,,, ]                                                                

E a vida

Ela é maravilha ou é sofrimento?

Ela é alegria ou lamento?

O que é? O que é?

[ ,,, ]                                                                

Há quem fale

Que a vida da gente

É um nada no mundo

É uma gota, é um tempo

Que nem dá um segundo

[ ,,, ]                                                               

 Há quem fale

Que é um divino

Mistério profundo

É o sopro do criador

Numa atitude repleta de amor

Você diz que é luta e prazer

Ele diz que a vida é viver

Ela diz que melhor é morrer

Pois amada não é

E o verbo é sofrer

Eu só sei que confio na moça

E na moça eu ponho a força da fé

Somos nós que fazemos a vida

Como der, ou puder, ou quiser

[ ,,, ]                                                                

Assim, acredito que se pudermos escolher, sem medo, uma maneira de viver mais tranquila, assumindo cuidadosamente o processo do caminhar com tranquilidade podemos crescer como pessoas mais confiantes e desejantes, exigindo de nós mesmos a razão para poder (quem sabe?) resolver com calma e tranquilidade os conflitos existenciais de forma menos traumática.  

“O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.”  –  Rosa, Guimarães – In: Grande sertão: veredas. 

Se você gostou do artigo e se interessou pelo processo psicoterapêutico, fundamentado na abordagem da teoria humanista, procure-me no portal da Psicologia Viva para marcarmos um encontro. 

Um abraço 

Eu sou Sinésio Ribeiro Bastos Filho, Psicólogo formado na Puc-Minas e especializado no Instituto Humanista de Psicoterapia em Belo Horizonte MG.

Sinésio Ribeiro Bastos Filho
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