Relacionamento

Relacionamento abusivo: Por que não consigo deixar quem me despreza?

As muitas formas de abuso

Ao contrário do que muitos podem pensar, o relacionamento abusivo não se caracteriza necessariamente por violência física. Existem muitas formas de violência, como a psicológica, a sexual e a patrimonial. E por serem mais sutis, mas não menos graves, são mais difíceis de identificar. 

O relacionamento abusivo não ocorre apenas em relacionamentos heterossexuais, tão pouco é sempre o homem o abusador. Porém por uma questão sócio cultural é predominantemente praticado pelo sexo masculino, deste modo vamos tratar neste artigo da relação abusiva vivenciada pela mulher. 

A violência contra a mulher é um problema social e de saúde pública que atinge todas as etnias, religiões, escolaridade e classes sociais. É uma violação de direitos humanos e liberdades fundamentais. Por isso, este tipo de violência não pode ser ignorado ou disfarçado. Precisa ser denunciado por toda a sociedade.  

A violência pode se manifestar de várias formas, com diferentes graus de gravidade. Geralmente, com episódios repetitivos e que na maior parte das vezes costuma ficar encobertos pelo silêncio

Por que em pleno século XXI, tantas mulheres, de classes sociais distintas, ainda têm dificuldades em pôr fim a esses relacionamentos abusivos? 

Primeiramente o relacionamento abusivo começa de forma sutil, pelo abuso psicológico, que muitas vezes é mascarado por atitudes sociais e culturalmente mais aceitas, como por exemplo “ciúme”, ou então com justificativas do tipo: “eu te amo tanto que te quero só pra mim”, ou, “é para seu próprio bem”; deste modo o abusador começa a tentar controlar a vida da vítima, passando a decidir, por exemplo, que roupa ela pode usar, quando, onde e se pode trabalhar, com quais amigos e familiares pode se relacionar.

O abusador naturaliza a ideia de que subjugar outra pessoa será para seu próprio “bem”. O argumento utilizado não é apenas por parte do abusador, algumas vezes acontece pela própria vitima e, muitas vezes, também pelas pessoas que os cercam.

Deste modo, a vitima passa a ser cerceada. Podendo perder a independência financeira, a liberdade de fazer suas escolhas, pois tudo gera briga.

E por questões sócio culturais, em que foi ensinada assim, a vitima vai abrindo mão de seus direitos para fazer o casamento dar certo. Em nome do amor, vai se anulando.

O abuso psicológico também faz com que a vitima acabe por duvidar da própria percepção, acreditando que perdeu o senso crítico. Isso ocorre porque o abusador costuma falar que ela não o compreende.

Um exemplo:

– “Comentei que você está gorda, mas foi brincadeira, você que não entendeu”.

Assim, a vitima vai se fragilizando, se afastando de todo mundo, podendo desenvolver depressão ou ansiedade e passando a culpar-se. 

O sentimento de culpa

Culpar-se ou ser culpado durante um relacionamento abusivo não é apenas comum, como também é umas das maiores causas que mantém a vítima cada vez mais ligada ao abusador. A permanência na relação se dá pela esperança de um dia terminar o abuso mediante uma mudança do seu próprio comportamento.

Isso é resultado da destruição da autoestima de quem sofre o abuso. A pessoa se sente responsável pela  violência sofrida, por ter uma autoestima baixa, tornando-se vulnerável. 

O abuso sexual é outra violência que normalmente não é facilmente identificada pela vítima, pois ainda é considerado por muitos como algo naturalizado o fato da mulher “ter” de satisfazer os desejos do homem. Mas se a mulher não tem vontade, não quer ter relação sexual com o companheiro e o mesmo a força, isso é caracterizado como estupro

Um fato relevante é que mesmo os relacionamentos abusivos não são necessariamente feitos apenas de momentos ruins, assim os momentos bons também dão esperança de que as coisas podem mudar e que o relacionamento pode dar certo. 

Todos esses abusos fazem a mulher criar uma dependência emocional, acreditando que ela é desinteressante e assim, se ele não a quiser, ninguém mais também irá querer. E ainda acreditando que ela não é autossuficiente, capaz de viver sozinha. 

Um fato recorrente é que normalmente as mulheres que saem de um relacionamento abusivo, logo em seguida entram em outro. Isso ocorre porque possuímos a tendencia a repetir comportamentos. A maneira de evitar que isso ocorra é entender o padrão que leva a esse comportamento.

Podemos dizer que mulheres que vivenciam um relacionamento abusivo sofrem uma espécie de lavagem cerebral. Então é necessário entender o funcionamento desse relacionamento abusivo e avaliar o que você não quer mais para sua vida.

Busque ajuda de familiares e amigos, foque em trabalho ou estudo, divirta-se! 

É preciso buscar uma rede de proteção e apoio para se fortalecer. E se possível fazer psicoterapia, pois é o ideal para entender todo esse processo.

Referências bibliográficas

  1. GOMES, Ingridd Raphaelle Rolim; FERNANDES, Sheyla C. S. A permanência de  mulheres em relacionamentos abusivos à luz da teoria da ação planejada. Bol. – Acad.  Paul. Psicol., São Paulo, v. 38, n. 94, p. 55-66, jan. 2018. Disponível em  <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415- 711X2018000100006&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 11 jul. 2021. 
  2. MAIA, Laura Rodrigues. “A cultura do machismo e sua influência na manutenção dos  relacionamentos abusivos.” Psicologia-Tubarão (2017). Disponível em  <https://www.riuni.unisul.br/handle/12345/3896>. acessos em 11 jul. 2021. 
  3. DE OLIVEIRA, A. M.; BERGAMINI, G. B. Esquemas desadaptativos de mulheres em  relacionamentos abusivos: uma discussão teórica: Imagem: StockPhotos. Revista  Científica da Faculdade de Educação e Meio Ambiente, [S. l.], v. 9, n. 2, p. 796–802,  2018. DOI: 10.31072/rcf. v9i2.637. Disponível em: <http://www.faema.edu.br/revistas/index.php/Revista-FAEMA/article/view/637>.  acessos em 11 jul. 2021. 
  4. SOUZA, A. D. S. (2019). Relacionamentos abusivos: consequências psicológicas em  mulheres que o vivenciam. Anais eletrônico cic, 17(1). Disponível em  <http://fasb.edu.br/revista/index.php/cic/article/view/492>. acessos em 11 jul. 2021.
Cristiane Bonczinski
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