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Aposentadoria… e agora?

“Como todo investimento bem-sucedido, a base para uma boa aposentadoria é o planejamento”. Earl Nightingale 

aposentadoria

Passar grande parte da vida em ambientes de trabalho pode, às vezes, fazer com que a identidade pessoal seja pautada neles mais do que na vida familiar ou nos espaços de lazer.

E então, chega a fase da aposentadoria, e muitos conflitos podem emergir: a crise da meia idade, ou seja, os conflitos que podem ser gerados por uma percepção de que a juventude se esvaiu no tempo e que o corpo já não apresenta as mesmas condições de antes. Além de poder surgir também essa grande questão: quem sou eu se eu não tiver mais o trabalho para me identificar?

Em grande medida esse auto-questionamento surge porque é no ambiente de trabalho que a pessoa coloca em exercício seu potencial e prova para si sua própria capacidade, quer seja por meio da execução de tarefas ou da tomada de decisões.

Aposentar-se, então, pode assumir o significado de que algo passa a faltar, pois não há mais aquelas oportunidades costumeiras de reconhecimento por meio do exercício do trabalho.

Nesse cenário de fechamento de ciclo é importante que a pessoa identifique novas formas de vivenciar seu potencial de realização. Trata-se de uma fase da vida em que há uma mudança de rotina, pois o tempo que antes era despendido no ambiente do trabalho, agora será usado de outra forma.

Qualidade de vida na maturidade

A aposentadoria é, portanto, um divisor de águas que causa uma grande alteração no estilo de vida, uma vez que se deixa, abruptamente, de frequentar um ambiente que durante muito tempo fez parte da rotina de vida. É por isso que a preparação emocional para essa transformação é tão importante.

Uma boa estratégia para manter a qualidade de vida após a aposentadoria é, por exemplo, ampliar o relacionamento com pessoas que estejam passando pela mesma fase da vida. Esses grupos sociais costumam ter espaços de encontro em centros culturais públicos ou do terceiro setor. É importante planejar a fase de aposentadoria com antecedência para que se tenha maior facilidade de constituição de rede social quando se estiver aposentado.

Em uma visão ampliada da saúde, pautada na integralidade do ser, a autonomia do indivíduo é importante e deve ser potencializada. Nessa perspectiva, quando, ao aposentar-se, a pessoa passa a ter mais tempo para o cuidado de si e familiares e amigos, o aspecto prazeroso do encontro torna-se ainda mais relevante.

Nessa fase da vida o dar e o receber, a troca e o compartilhar podem assumir um papel definidor dos ambientes a se investir tempo, energia e dinheiro.

Sociedade, cidadania e maturidade

A cultura do consumo pode se constituir um desafio para a pessoa em aposentadoria, pois contextos familiares podem exercer uma carga no quesito financeiro: crises de desemprego, se atingirem os jovens, também podem ter influência sobre as pessoas aposentadas que, por vezes, acabam se tornando arrimo de família.

Neste cenário, serviços psicológicos e de assistência social, além de cursos de educação financeira podem ser de fundamental importância para a manutenção da saúde emocional e financeira das pessoas aposentadas.

Uma sociedade que supervalorize fatores como aparência física jovem e bons postos de trabalho pode ter problemas relacionados a sintomas de depressão, pois o sentimento de perda de um status pode diminuir a autoestima de quem, por exemplo, vê sua aparência física se transformando por conta da idade ou se vê às vésperas de uma aposentadoria.

É preciso ir além desses aspectos para se construir uma sociedade saudável, em que através do convívio solidário, o sentimento de pertencimento ao grupo melhore a qualidade de vida de todos.

Pessoas aposentadas podem direcionar suas vidas para uma configuração social em que possam compartilhar seus conhecimentos e também receber novos conhecimentos advindos da troca de experiências. Isso ajuda a ampliar o olhar do indivíduo sobre o mundo e, ao mesmo tempo, potencializa o seu processo de autoconhecimento.

É no relacionamento interpessoal que se aprende coisas novas e também que se transmite as próprias experiências. Grupos em que as pessoas têm vínculo entre si possuem a vantagem de ser mais fácil a resolução de problemas que seriam complicados para se resolver sozinho.

Mudança de vida e saúde emocional

A fase da aposentadoria é um momento propício para a pessoa lidar com seu mundo interior, em um mergulho para dentro de si para o vislumbre de sua sabedoria, construída ao longo das experiências da vida, ano após ano.

Ao contemplar esse ciclo que envolve o passado, o presente e o futuro, é possível identificar-se com novos interesses e dedicar-se a projetos de vida tais como desenvolver com mais afinco a um caminho espiritual, passar mais tempo cuidando da família, ou estar mais próximo do grupo de amigos, por exemplo.

Assim se constitui a riqueza da vida em sociedade, com sua variedade de realidades e realizações. Os pais cuidam dos filhos até que esses criem condições de manterem-se por si mesmos, então, começa a fase em que isso se inverte: os filhos passam a poder cuidar dos pais na medida em que possuem condições de acompanhá-los em situações em que a grande velocidade de inovação cria um distanciamento entre a experiência de vida do idoso e o conhecimento necessário atualmente para, por exemplo, acessar um serviço bancário ou fazer compras pela internet.

Essa diferença intergeracional constitui-se em uma riqueza na medida em que pessoas em diferentes fases da vida se complementam, oferecendo umas às outras aquilo que podem compartilhar para o crescimento coletivo.

Por outro lado, estes tempos modernos também abrigam em si a famigerada violência contra o idoso, que pode vir na forma de abandono, de palavras agressivas ou até mesmo na forma de violência física. É preciso estarmos muito atentos à saúde emocional das famílias e a terapia de família torna-se uma ferramenta importante quando a diferença intergeracional se transforma em conflito intergeracional.

Aposentadoria e Psicologia de Família

A aposentadoria afeta a todos da família, pois a mudança na rotina de uma pessoa transforma a rotina de todos, afinal, na convivência familiar todos estão interligados.

Para lidar com um novo arranjo na rotina familiar, pode-se fazer psicoterapia de família, ou seja, os integrantes de uma mesma família são atendidos no consultório, seja virtual, seja presencial, para que possam harmonizarem-se com as mudanças advindas dessa nova configuração familiar.

Ficou interessado e quer saber mais sobre o assunto? Deixe seu comentário a partir desse texto ou entre em contato com a autora e solicite um voucher promocional para a primeira consulta.

Rosemar Prota

Minha prática clínica envolve metodologias ativas que implicam de modo dinâmico e agradável o participante da consulta, que é convidado a falar sobre seus projetos de vida, sobre as dificuldades encontradas e sobre seu potencial a ser desenvolvido. O foco é nos pensamentos, que serão objeto das sessões, mas também focaremos a forma de se expressar por meio de palavras e atitudes. Meus atendimentos podem ser para um participante apenas ou para a família, o casal, ou mesmo um grupo pequeno de amigos que possuam demanda similar. Ficou curioso? Entre em contato, invista em você.
Rosemar Prota

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