Desenvolvimento pessoal

Relações tóxicas

Relações tóxicas e suas características

Falar sobre relações tóxicas tem se tornado cada vez mais comum na atualidade. Estas vivências abusivas podem ser encontradas em todos os tipos de relações sociais, como no âmbito amoroso, entre amizades e relações familiares.

Muitas vezes os sinais podem ser sutis e irem aumentando a intensidade com o passar do tempo, já em outros casos a relação é abusiva desde de seu principio. São relações pautadas em ações e sentimentos negativos e prejudiciais para a saúde metal e física de quem passa por elas.

Para melhor caracterizar esta temática vamos falar mais sobre essas relações.

Relações tóxicas nos relacionamentos amorosos

Esta provavelmente seja a mais comum retratada no dia a dia. Ela tem como principal característica o poder exacerbado que o parceiro(a) exerce sobre o outro com o intuito de se manter no controle. Este poder decorre da maior fragilidade do parceiro atingido perante o abusador. 

Dentre os sinais que podem ser destacados neste tipo de relacionamento, temos: 

  • Ciúme excessivo;
  • Culpabilização da vítima;
  • Violência física, psicológica, verbal, sexual e patrimonial.

Muitas vezes as vítimas dessas relações têm dificuldade em notar que a relação é abusiva, principalmente em casos onde esta é sutil e pode se disfarçar de cuidado e amor

Outro fator que dificulta essa percepção são as constantes desculpas e mudanças abruptas de hábitos e comportamentos do agressor.

Podemos citar como exemplo o agressor que abusa da vítima em um dia, no outro diz está arrependido e promete mudanças em seu comportamento. Este comportamento acontece por um tempo, mas logo depois retorna com as ações abusivas, tornando-se um ciclo vicioso. As vítimas que passam por esta relação sentem muito medo, são constantemente agredidas, humilhadas e ainda culpadas pelo agressor por causar estes episódios.

Outra dificuldade que pode ocorrer é a dependência financeira e/ou emocional da vítima com seu agressor, o que dificulta a quebra desta relação. Sentem medo e vergonha de expor as agressões e serem julgadas, ou piorar ainda mais a situação em que vivem.

Relações tóxicas na amizade 

Esta relação é ainda mais disfarçada e difícil de ser percebida, já que amigos são pessoas que gostamos de estar por perto, dividir momentos bons e ruins, além de que são raros os casos em que amizades assim geram agressões físicas, brigas ou quaisquer comportamentos de violência.

Estas relações tóxicas estão relacionadas a uma grande dependência emocional e conflitos internos do abusador. Dentre as características desse tipo de relação abusiva temos: 

  • Ciúmes excessivo;
  • Carência emocional;
  • Possessividade;
  • Inveja;
  • Competitividade;
  • Poder de influência;
  • Sentimento de superioridade.

Logo esse ”amigo” agirá como um verdadeiro sanguessuga, não deixando você ter outras amizades, colocando defeitos em tudo que você faz e, em contrapartida, sempre se vangloriando de seus atos, fazendo com que a autoestima do amigo fique cada vez mais baixa.

Esse amigo tóxico faz de tudo para que o outro sempre esteja um passo atrás, assim ele pode se destacar. Esse “amigo” também pode ter um grande poder de influenciar negativamente as decisões da vítima, manipulando-a da forma que quiser. Ao mesmo tempo são relações que envolvem ciúmes e sentimentos de posse, deixando quem é vítima completamente sem forças. 

Relações tóxicas na família

Este provavelmente seja o caso mais polêmico de relações abusivas, já que para muitos a família sempre envolve amor e proteção acima de qualquer circunstância. Porém as relações tóxicas no âmbito familiar são mais comuns do que imaginamos.

O abuso pode ocorrer entre pais e filhos, sendo este o principal ciclo, porém podem ocorrer com outros graus de parentesco, como tios, avós, primos, etc. Essas relações são caracterizadas por:

  • Possessividade e/ou negligência;
  • Agressões físicas, psicológicas, verbais e sexuais.

Nessa relação observa-se um grande poder do abusador perante o abusado, este poder, em muitos casos, serve para boicotar, manipular e emparedar a vítima, tudo para alimentar desejos pessoais.

Dentro de famílias assim é comum que o abusador seja uma figura de autoridade, onde apenas suas regras e opiniões são aceitas; não existe espaço para conversas ou acordos e nem demonstrações de amor e carinho.

O sentimento de posse pode ser o principal alimento desta relação, onde o abusado é manipulado emocionalmente para fazer tudo que o abusador deseja, esta manipulação vem através de agressões psicológicas muito intensas, humilhações constantes, agressões físicas e até mesmo sexuais. Tais violências podem ser justificadas pelo abusador como uma forma de proteção e carinho. Este membro abusivo faz de tudo para que sua vítima se sinta retraída e, consequentemente, nutra seu ego. 

As vítimas de uma família tóxica poucas vezes pedem ajuda pois, para muitos, esse assunto está fora da realidade, afinal, quem acreditaria que um familiar possa ser ruim para alguém da própria família?

É extremamente difícil para a vítima se livrar de relações como estas já que estão em seu âmbito familiar, onde há dependências emocionais e financeiras, e quando o fazem são altamente criticados como pessoas ingratas que abandonaram sua família, já que o abusador não manifesta esse comportamento em público. 

Essa relação gera muitas consequências negativas para o membro afetado, podendo gerar vários problemas psicológicos e sentimentos de mágoa muito profundos.

Independente de quais sejam as relações tóxicas, todas elas são altamente prejudiciais para a saúde emocional e podem acarretar vários problemas psicológicos como: 

  • Depressão;
  • Transtornos alimentares;
  • Estresse;
  • Ansiedade;
  • Fobias;
  • Baixa autoestima.

Também é observado em nossa sociedade uma certa banalização e falta de sensibilidade perante estas manifestações violentas, onde muitas pessoas ainda acreditam que quem as sofre de alguma forma tem culpa, justificando esse tipo de prática com frases do tipo: “ela apanha porque enfrenta o marido”, ”ela apanha porque gosta de sair com roupas curtas” ou até mesmo ”ela gosta de apanhar, caso contrário terminaria com ele”, dentre vários outros exemplos.

Esses pensamentos e justificativas podem silenciar as vítimas ou fazer com que as mesmas se culpem por estes atos, enraizando-as ainda mais a estas relações.

Em todos os casos, torna-se necessário preservar a saúde mental da vítima. Para isso, pode-se escolher a ruptura, afastamento ou enfrentamento da situação e o psicólogo é o profissional que pode te ajudar nesta jornada.

Amália Monte

CRP- 01/23391

Referências:

  1. ARAUJO,  M.  F. (2008). Gênero  e  violência  contra  a  mulher:  o  perigoso  jogo  de  poder  e  dominação.  Psicol.  Am.  Lat.,  México,  n.  14.
  2. BARRETTO,  R.S. (2015). Psicóloga  explica  relacionamento  abusivos:  o  que  é  e  como  sair  dessa  situação. Entrevista.  UNESP,  São  Paulo.
  3. MCBRIDE, K. The Narcissistic Family Tree (2011).
  4. MINAYO, M. C. S. Conceitos, teorias e tipologias de violências: a violência faz mal à saúde individual e coletiva. In: NJAINE, K; ASSIS, S. G.
  5. VIEIRA, K. G., SCHLOSSER r, A., DEMARCO, T. T., & D’AGOSTINI, F. P. (2019). Relações abusivas no contexto familiar . Anuário Pesquisa E Extensão Unoesc 
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