Desenvolvimento pessoal

Autocompaixão: A importância de aceitar as próprias falhas para conquistar mais autoestima

Quando pensamos em autoestima e construção da própria imagem logo nos vem à cabeça a busca de um ideal com foco no feminino, mas os homens também sofrem muito quando o assunto é aceitar quem realmente são sem a necessidade de construir um ideal estético ou profissional com base no que vem de fora.

Os homens, também, por conta da construção sócio histórica são induzidos a reprimir suas emoções e pensamentos, com afirmações do tipo: “homem não chora!”, produzindo no sujeito um alto julgamento sobre o que sente, o que pensa e o que faz, gerando insatisfação, insegurança e vulnerabilidade quando as reais sensações aparecem.

Em muitas vezes a falta de autoestima masculina vem por conta de padrões estéticos, conquistas inalcançadas e até mesmo por se sentirem desinteressantes em seus meios sociais. E por vivermos em uma sociedade que consolida ainda mais a competitividade, ou seja, as falhas afirmam a insegurança e a falta de confiança.

Além disso, com o avanço midiático, comparar-se com outros e colocar-se em posição de inferioridade está cada vez mais comum. Muitos homens têm buscado a perfeição de acordo com aquilo que veem e muitas vezes falham por serem padrões e expectativas muito altas. Não que sejam incapazes de atingir tais expectativas, mas muitas vezes podem levar tempo e isso acaba gerando angústia, tendo em vista o desejo de rapidez que é colocado para tais conquistas.

Sendo assim, acabam olhando muito para suas próprias falhas e enxergando-as de maneira exagerada, diminuindo a si mesmo e se menosprezando, não conseguindo, na maioria das vezes, pontuar suas qualidades. Pois ao olharem para suas falhas só conseguem atribuir pensamentos negativos e pessimistas.

A importância da autocompaixão

Agora, entraremos em um ponto chave do texto. Como a autocompaixão pode ajudar a promover mais autoestima? O que entendemos sobre autocompaixão?

A autocompaixão pode ser definida das seguintes maneiras:

  1. Capacidade para ser compreensível e amável consigo mesmo, em vez de ser punitivo e crítico;
  2. Entender suas próprias experiências e aceita-las, em vez de se menosprezar;
  3. Ter consciência dos próprios pensamentos e sentimentos dolorosos de maneira a se aceitar, em vez de torna-los exagerados.

Desta forma a autocompaixão implica em desenvolver uma motivação genuína para o cuidado com o bem-estar pessoal, incluindo uma analise empática das situações e experiências vividas, sem a inclusão de julgamentos, sobre tais.

Ou seja, desenvolver autocompaixão é conseguir olhar para si de maneira a não se cobrar e/ou se diminuir, é analisar suas falhas e fracassos com compreensão, aceitando-as para, a partir daí, tomar atitudes funcionais e alcançar determinados objetivos.

De acordo com Brion, Leary e Drabkin (2014), pessoas com autocompaixão conseguem tratar a si próprias com bondade e preocupação, reconhecendo suas dificuldades como parte da vida, ao invés de se criticarem ou julgarem.

Sendo assim, pessoas com maior autocompaixão quando se depara com experiências negativas da vida conseguem passar por elas com mais leveza, com menor probabilidade de catastrofizar as situações, experienciando maior confiança e menor ansiedade e não evitando desafios pelo medo da falha. Elevando, então, sua autoestima.

Pois, a autocompaixão estimula a sensação de bem-estar consigo mesmo, de se sentir capaz mesmo diante dos fracassos e quando aceitam seus próprios fracassos se tornam mais capazes de se reinventar ou olhar mais racionalmente para as falhas percebendo os erros cometidos e podendo tomar atitudes mais assertivas em situações futuras.

Autoestima

A autoestima está diretamente relacionada a como o individuo se observa no mundo e ao quanto ele está satisfeito ou insatisfeito com relação as situações já vivenciadas. Ou seja, corresponde à valorização que a pessoa atribui em relação às situações vividas.

Dessa forma é muito comum que quando estamos inseridos a uma situação positiva nos sentimos satisfeitos, confiante e possuidores de valor pessoal, no entanto, quando estamos inseridos em uma situação de fracasso tendemos a nos desvalorizar e a nos julgar aumentando a nossa insegurança.

Porem, quando estamos em dia com nossa autoestima, percebendo a importância da autocompaixão já mencionada antes, as sensações de angustia são menores. Pois  a sua autoavaliação, ou seja, como nos observamos no mundo tende a ser menos pessimista e critica.

Treinamentos e habilidades para adquirir autocompaixão e elevar a autoestima

  1. Anote seus pontos fortes: Faça uma analise de sua vida e dessa vez foque nas iniciativas que deram certo, faça uma linha do tempo detalhada onde possa perceber seus acertos e vitórias.
  2. Analise suas falhas: Escreva os momentos em que se sentiu fracassado e/ou em que algo não saiu como queria e faça uma analise sobre o que pode ter acontecido, as vezes a situações adjacentes do período não foram favoráveis, ou seja, nem tudo pode de fato depender de você para dar certo, existem coisas que não estão no nosso controle e, além disso, seja empático com você nesse momento. E lembre-se você já acertou algumas vezes antes!
  3. Faça uma avaliação dos seus valores: Anote como você se observa. Olhe-se no espelho e faça uma análise sobre quem você é para você, ressalte aquilo de positivo. Em meio a tantas autocriticas é muito importante se valorizar.
  4. Aprenda a se defender de suas críticas: Comece questionando-as, pergunte a si mesmo porque se critica de tal forma, porque pensa tal coisa (negativa) de si mesmo, encontre a raiz e construa uma nova visão de si mesmo. Não é necessário aceitar as criticas negativas que tem de si mesmo.

Além disso, também é importante buscar ajuda psicológica quando não se consegue lidar com as angústias geradas pela falta de empatia consigo mesmo e pelo excesso de criticas de si. Você não merece viver sobre o sofrimento da autocrítica.

Referências

  1. Brion, J. M., Leary, M. R. e Drabkin, A. S. (2014). Self-compassion and
    reactions to serious illness: The case of HIV. Journal of Health
    Psychology, 19(2), 218-229.
  2. Parente,  L., Cunha, M., Galhardo, A., & Couto, M. (2018). Autocompaixão e bem-estar na idade avançada Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Vol. 4 (1): 3-13
  3. Schultheisz, T. S. V.; Aprile, M. R.: (2015). Autoestima, conceitos correlatos e avaliação. Revista Equilibrio Corporal e Saúde.
Gabrielle Lazari
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