Saúde

Câncer de mama: Impactos psicossociais sobre o feminino

Campanha de prevenção ao câncer de mama

O mês de outubro é considerado o mês de prevenção ao câncer de mama. É conhecido mundialmente como Outubro Rosa. O nome remete à cor do laço rosa que simboliza, mundialmente, a luta contra o câncer de mama e estimula a participação da população, empresas e entidades.

Este movimento começou nos Estados Unidos, e no Brasil teve início no ano de 2002, quando o monumento Mausoléu do Soldado Constitucionalista, também chamado de Obelisco do Ibirapuera, em São Paulo, foi iluminado de rosa.

Processo de negação

A campanha de prevenção ao câncer de mama é conhecida internacionalmente, no entanto, ainda há muitas mulheres que adiam a decisão de fazer o exame.

Ao realizar uma breve análise é possível perceber que esse comportamento corresponde ao mecanismo de defesa do ego (a negação), pois com a intenção de evitar a situação perigosa, deixa de reconhecer sua existência. Isso pode dar-se dessa maneira por conta do significado que o câncer tem em nossa cultura. 

O estigma do câncer

Antigamente o câncer carregava o estigma de castigo, depois ele foi relacionado à contenção do desejo ou não-expressividade das emoções. Este estigma pode ser claramente observado no dia a dia, quando vemos pessoas que nem sequer mencionam a palavra câncer por achar que podem atrair a doença para si, passam a chamá-la de “aquela doença” ou de “aquilo”, por exemplo.  

É válido ressaltar que o câncer de mama é considerado de bom prognóstico se diagnosticado e tratado oportunamente, sendo o principal fator que dificulta o tratamento o estágio avançado em que a doença é descoberta, nesse sentido, devemos conscientizar as mulheres ao nosso redor sobre a importância da prevenção. 

Aspectos psicossociais sobre o feminino

Não há dúvida que o câncer de mama é uma experiência amedrontadora para as mulheres. Para muitas delas, a confirmação do diagnóstico evoca sentimentos de pesar, raiva e intenso medo. O desenvolvimento da doença pode levá-las a situações de ameaça à sua integridade psicossocial.

Estudos na área mostraram que as mulheres sofrem alguns desconfortos psicológicos, como por exemplo a Ansiedade, a Depressão e a raiva; mudanças no padrão de vida relacionados ao casamento, vida sexual e atividades no trabalho, além de medos e preocupações concernentes à mastectomia — procedimento cirúrgico para a remoção de uma ou ambas as mamas — recorrência da doença e morte.

Por suas características, o tratamento traz repercussões importantes no que se refere à identidade feminina. Além da perda da mama ou de parte dela, os tratamentos complementares podem impor a perda dos cabelos, a parada ou irregularidade da menstruação e a infertilidade, fragilizando ainda mais o sentimento de identidade da mulher.

Além disso, devem ser levados em consideração os significados da mama na vida da mulher. A mama ou o seio é visto como lugar privilegiado das representações culturais de feminilidade, sexualidade e maternidade. Por isso podemos dizer que o câncer de mama é uma ameaça que pode abalar a identidade feminina, sentimento que fundamenta a existência da mulher.  

Estratégias de enfrentamento

Estratégias de enfrentamento ou coping refere-se ao conjunto de esforços e estratégias despendidas para lidar e adaptar-se às situações estressantes. Frente ao câncer de mama, a literatura na área demonstra que as estratégias mais frequentes são:

  • Aceitação,
  • Suporte social,
  • Estratégias de confronto,
  • Reavaliação positiva e planejamento. 

Aceitação

Diz respeito à aceitação da mulher à sua nova condição, e adaptar-se à nova imagem de seu corpo, através do ajustamento de valores no seu dia a dia, como a diminuição da preocupação com a aparência em razão da saúde.

Suporte social

A mulher acometida pelo câncer de mama necessita de apoio de amigos, família, equipe médica e psicológica. Pois, a partir do diagnóstico até o tratamento, a mulher com câncer de mama pode passar por desequilíbrios emocionais, como por exemplo: sentimentos de raiva, tristeza, inquietação, ansiedade, angústia, medo e luto

Segundo Straub (2005), o paciente com câncer se beneficia do fato de sentir-se amparado por outras pessoas, podendo desenvolver hábitos de vida mais saudáveis assim como manter sua defesa imunológica mais forte durante situações de estresse. O apoio de pessoas queridas fortalece a autoconfiança, a qual possibilita condições de enfrentamento da doença mais adaptativas.

Estratégias de confronto

Conhecidas também como “espírito de luta”, correspondem a respostas ativas de enfrentamento, em que o indivíduo aceita completamente a situação ou o diagnóstico recebido, e adota atitudes otimistas. Ele determina-se a lutar contra a doença, participando das decisões que envolvem o tratamento.

Reavaliação positiva

Atitudes e pensamentos positivos e a fé são fortes aliados no enfrentamento de patologias crônicas. Sendo que a espiritualidade ou a religiosidade podem ser um poderoso recurso para a promoção de saúde e redução de angústia.

Planejamento 

Estratégias focalizadas na resolução do problema, como planejamento, postura ativa, busca por informações e autocuidado, combinadas com pensamentos positivos e religiosos foram evidenciados como formas de manter o autocontrole diante da situação.

Prognóstico

O prognóstico da paciente com câncer de mama é favorável quando a paciente busca ajuda médica, visto que as chances de cura estão intimamente relacionadas ao diagnóstico precoce.

Além das intervenções psicossociais que auxiliam as pacientes a enfrentar o câncer, em um ambiente social acolhedor as pacientes podem compartilhar seus medos e inseguranças.

Por fim, termino este artigo com um trecho de uma música da banda “O Teatro Mágico”, a qual remete a força e coragem necessárias para enfrentamento das adversidades presentes na vida.

 “… Metade de mim agora é assim, de um lado a poesia, o verbo, a saudade; do outro a luta, a força e a coragem pra chegar ao fim. E o fim é belo, incerto… depende de como você vê…”.

 

Referências Bibliográficas:

ALEGRANCE, Fábia Cristina. Qualidade de vida e estratégias de enfrentamento de mulheres com linfedema após câncer de mama. São Bernardo do Campo, 2006.

MALUF, M.F.M; MORI, J. L; BARROS, A.C. O impacto psicológico do câncer de mama. Revista Brasileira de Cancerologia. 2005.

RAMOS, Bianca Figueiredo; LUSTOSA, Maria Alice. Câncer de mama feminino e psicologia. Rev. SBPH,  Rio de Janeiro,  2009.   

SILVA, Lucia Cecilia da. Câncer de mama e sofrimento psicológico: aspectos relacionados ao feminino. Maringá: Psicologia em estudo, 2008.

STRAUB, R.O. Psicologia da Saúde. São Paulo: Artmed, 2005.

Janayna Longhi
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