Saúde

Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e um relato de caso

Quem nunca ouviu aquela expressão quando, por exemplo, deixamos algo fora do lugar:

– “As pessoas com TOC iriam ficar nervosas com isso”.

Mas e você, sabe o que é o TOC? 

O Transtorno Obsessivo-Compulsivo, mais conhecido como TOC, é uma psicopatologia, e está descrito na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, mais conhecido como CID-10 (2013) e no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, conhecido por DSM-5 (2014).

Esta psicopatologia é caracterizada por ideias, imagens ou impulsos (obsessões) recorrentes, persistentes, indesejados e intrusivos, que provocam ansiedade

Algumas pessoas sentem vontade de realizar determinados rituais repetidamente (compulsões), ações ou atos mentais particulares, para tentar diminuir e evitar a ansiedade causada pelas obsessões. 

As obsessões mais comuns

As obsessões mais comuns são preocupação com contaminação (por exemplo, acreditar que tocar em maçanetas provocará alguma doença), dúvidas (por exemplo, acredita-se que a porta da frente de casa não está trancada) e preocupação com objetos que não estão perfeitamente alinhados ou uniformes.

Este é um dos transtornos que são bastante beneficiados pela Terapia Cognitivo Comportamental

Por conta disso vou relatar um breve caso para exemplificar como os pacientes com este diagnóstico podem passar a ter uma vida menos ansiogênica.

Vale salientar que, a fim de manter a confidencialidade deste relato de caso, o nome dos pacientes e suas informações foram alterados, são composições de vários pacientes.  Porém, o progresso do tratamento é compatível com minhas experiências como psicoterapeuta.

O caso da Márcia

Márcia fica muito incomodada ao tocar em maçanetas. Utiliza de diversas artimanhas para não encostar nas mesmas. Pensa que as maçanetas podem contaminá-la e tem medo de passar os germes para os móveis da casa. 

Toda vez que toca em algo que julga estar sujo, vai direto a pia e lava suas mãos repetidamente, esfregando bem entre os dedos, tornando isto um ritual. 

Também não gosta de tocar em dinheiro, evita banheiros públicos e locais como teatro, ônibus, cinema e parques causam nela ansiedade paralisante. O risco de contaminação, para Márcia, é presença constante. E seus pensamentos constantes são de que está correndo riscos sérios de contaminação.

Márcia iniciou a psicoterapia on-line por perceber que estas situações estavam prejudicando sua vida social, pessoal e profissional. 

Nos primeiros encontros identificamos seus medos e seus comportamentos de segurança e evitação, através de formulários de trabalho específicos. 

Em seguida, junto com a psicoeducação sobre seu diagnóstico, fomentamos a motivação para mudança. Neste momento as sessões de psicoterapia tiveram por objetivo verificar qual nível de disposição à mudança Márcia encontrava-se.

Ao verificar que Márcia se encontrava com nível satisfatório para a mudança, iniciamos atividades com o objetivo de mudar sua relação com os rituais (obsessão). E junto desenvolvendo novas formas de pensar, e encarar estes rituais. 

Começamos então as atividades de exposição, onde, na vida real, Márcia iniciou, de forma gradual, exercícios de tocar em objetos que considerava sujos. 

Esta atividade inicia pela ação menos difícil até a mais difícil, conforme lista de hierarquia criada com a Márcia. Nestas atividades há um monitoramento dos seus sentimentos e pensamentos, que são analisados em sessão. 

Márcia está em tratamento há um ano e reduziu significativamente seus sintomas. Sua vida social e pessoal está bastante equilibrada. Já consegue ir aos locais públicos e sente-se confortável. 

 

Laura Potrich

Sou psicóloga e trabalho com transição de vida. A partir da reprogramação mental, da ressignificação dos pensamentos. Utilizo abordagem diretiva, focada nos problemas atuais do paciente, com resultados efetivos. Caso você se encontre em alguma situação das listadas abaixo, eu posso te ajudar. Você me encontra também no Instagram: @tratandosuaansiedade Você sente uma sensação esmagadora e prolongada de desamparo e tristeza. Seus problemas não parecem melhorar apesar dos esforços e da ajuda da família e dos amigos. Você acha difícil se concentrar nas atribuições de trabalho ou para realizar outras atividades diárias. Você se preocupa excessivamente, espera o pior ou está constantemente no limite. Suas ações, como beber muito álcool, usar drogas ou ser agressivo, estão prejudicando você ou outros.
Laura Potrich
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