Desenvolvimento pessoal

Cérebro no piloto automático: vivendo mais na mente do que na vida real

Se você for questionado sobre sua capacidade de concentração, atenção e memória, o que me diria? Repare no seu dia, quando você abre seus olhos para dar início à rotina de todos os dias, como se sente?

Você já se viu em uma situação em que não se lembra como chegou até aquele lugar ou realizou aquela atividade, simplesmente a fez no automático? São inúmeras as atividades que o cérebro faz de modo espontâneo, ou seja, faz de maneira tão repetitiva que tira o foco daquela situação para economizar energia, pois o ser humano precisa de hábitos para facilitar a sua rotina.

Por que ocorre isso?

Quando uma atividade vira um hábito saudável e prazeroso, o cérebro prefere usar a capacidade de consciência para algo que vai demandar um esforço maior e disposição cognitiva. Do contrário, parte do que você faz são hábitos armazenados na sua memória através do repertório emocional e histórico de vida, por isso, quando você levanta da sua cama e começa o dia no piloto automático e em algum momento sua atenção retorna para o momento presente — se percebe no trabalho, estudando ou arrumando a casa — você leva um susto, pelo simples fato da sua mente entrar em piloto automático repentinamente.

É prejudicial para a saúde mental?

Quero que você saiba que o piloto automático é necessário na nossa vida, pois permite lidar com preocupações do dia a dia ou estímulos internos e externos que causam algum tipo de esgotamento físico ou mental.

No entanto, estar em “piloto automático” a maior parte do dia, há um tempo considerável, isso passa a prejudicar a sua experiência em apreciar coisas pequenas e importantes, como lembrar da série que você assistiu e deu boas gargalhadas, o que foi dito em uma reunião de trabalho, memorizar a página do livro que acabou de ler, etc.

Não necessariamente você está com sua capacidade cognitiva comprometida por sentir que está vivendo automaticamente, mas perdeu com o tempo a facilidade em estar com a atenção plena em atividades do cotidiano que considerava importante.

A parte ruim dessa história é que, mesmo você sendo um ser capaz de fazer escolhas e tomar decisões, em algum momento da sua vida você vai perceber que por estar no piloto automático você deixou de aproveitar o aqui e agora.

É provável que isso ocorra por dificuldade em lidar com seus pensamentos que facilmente ficam acelerados ou fogem para o passado e futuro.

Quando preciso de acompanhamento psicológico?

Outro fator prejudicial causado pelo piloto automático é a relação que possui em manter comportamentos sabotadores e autodestrutivos, a resistência do cérebro quando você tenta abandonar esses hábitos que te fazem tão mal.

Você já se perguntou “por que é tão difícil mudar?” ou “o que há de errado comigo?”. Ações ou pensamentos como esses podem ser determinados por impulsos ou desenvolvidos como um hábito rígido. É frequentemente associado ao Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) que se manifesta gradualmente até se tornar uma conduta do indivíduo. Se for diagnosticado, precisa de tratamento.

Alguns comportamentos autodestrutivos

  • Beber excessivamente;
  • Comer mal (seja muito ou pouco);
  • Envolver-se em atividades sexuais que causem algum tipo de risco;
  • Apostar dinheiro prejudicando a renda financeira;
  • Agredir verbal ou fisicamente;
  • Gastar dinheiro compulsivamente ou imprudentemente;
  • Correr riscos quando se está com raiva;
  • Reprimir sentimentos;
  • Usar drogas ilícitas.

Comportamentos que diminuem o humor

  • Isolar-se de seus amigos e familiares;
  • Deixar acumular tarefas diárias;
  • Negligenciar sua higiene;
  • Não pedir ajuda ou apoio dos outros;
  • Não se envolver em atividades que você normalmente gosta;
  • Faltar o trabalho repetidamente;
  • Dormir muito ou pouco demais;
  • Ficar na cama o dia todo;
  • Ficar em casa na maior parte do tempo.

Por que minimizar o piloto automático

O seu cérebro é resultado de constantes evoluções. O Homo Sapiens se adaptava ao ambiente à sua volta, a preguiça que surgiu com a evolução fez com que nos adaptássemos ao ambiente a nossa volta.

Não é o mais forte que sobrevive e sim o que melhor se adapta a mudanças. Esse desenvolvimento do nosso cérebro permite maximizar sua resistência para lidar com adversidades. Por conta disso o piloto automático é tão presente e necessário quando utilizado da maneira correta.

Nesse sentido, é pertinente dizer que o cérebro possui grande parte do controle das atividades de seu dia a dia.

Imagine-se por um instante vivendo e reproduzindo hábitos que são saudáveis e que trazem a você conforto e segurança no dia, mas também submetendo seu cérebro a trabalhar de diferentes formas, abrir-se a novas experiências e habilidades, você sendo capaz de desenvolver sua criatividade, memória, inspiração e ter ideias inovadoras, criar diferentes respostas e escolher comportamentos para diversos contextos, encontrar novas soluções, ser mais flexível.

Assim como o corpo a nossa mente precisa de treino para fortificar-se e desenvolver-se, para a manutenção de pensamentos, comportamentos e crenças. Somos seres singulares e precisamos de uma atenção ampla. Você tem se dado atenção?

Dicas para minimizar o piloto automático

A melhor forma de estimular o cérebro a sair do piloto automático é através da neuroplasticidade, ou seja, faça novas conexões nos neurônios e circuitos neurais moldando níveis estruturais através da aprendizagem e vivências.

Simples e eficaz, encorajar a neuroplasticidade do cérebro é a chave para desenvolver a inteligência emocional e ampliar sua aprendizagem o que o ajuda a estar aberto a novas experiências de forma intuitiva e agregando valor à sua vida que está precisando sair do piloto automático.

A neuroplasticidade é um processo diário e natural do corpo humano, precisa ser estimulada diariamente até adquirir novos comportamentos.

Algumas dicas

  • Repense quando o uso de tecnologias é necessário ou automático, reflita se você pode fazer sozinho ou de outra forma. Estimule sua autonomia.
  • Faça atividades que geralmente passariam despercebidas, como pentear o cabelo ou escovar os dentes com uma mão diferente.
  • Faça psicoterapia para organizar pensamentos, observar comportamentos e reestruturar cognitivamente tais hábitos prejudiciais.

 

Bibliografia:

Neuropsicologia – Teoria e prática. Autores: Daniel Funtes, Leandro Fernandes Malloy-diniz, Ramon M. Cosenza, Candida H. Pires Camargo.

O poder dos 5 segundos. Autor: Mel Robbins.

Frida Soares
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