Saúde

Comer muito é compulsão alimentar?

A ingestão de alimentos se torna um alerta quando há consumo de uma GRANDE quantidade de comida de uma vez só, mesmo quando não se tem fome ou quando se sente fisicamente desconfortável por comer tanto. 

É importante lembrar que na compulsão alimentar o problema está geralmente associado a sentimentos de ansiedade e depressão, onde o indivíduo demora sentir-se satisfeito ou sente necessidade de comer sempre, sem intervalo entre as refeições. 

Então, sim, comer muito pode ser compulsão alimentar! 

Culturalmente falando

Culturalmente falando, sabemos que o ato de comer está quase sempre relacionado ao prazer. 

O ser humano é o único animal capaz de dar significado ao ato de comer e racionalizar este ato. Não alimentamos apenas nosso corpo, com a questão de nutrientes e necessidades fisiológicas, colocamos cultura no alimento — o que possibilitou que criássemos gastronomia, ou seja, diversas maneiras e jeitos de se preparar um alimento, deixando-o do nosso gosto e aumentando a assertividade (e suculência) na hora de se alimentar. 

A comida de determinado lugar ou cultura, como por exemplo o thanksgiving norteamericano, o macarrão italiano, ou simplesmente, pensando com carinho, a comida da avó, os bolos de aniversários e os doces das festinhas de criança. São momentos que podemos sim comemorar, conhecer diversas culturas (gastronomicamente falando).

O que não se pode é tirar o afeto da comida e nem transformá-lo em dependência. 

Falaremos sobre isso adiante.

Comportamentos de alerta na hora de se alimentar

  • Ingestão de uma quantidade exagerada de alimentos, maior do que a maioria das pessoas consumiria no mesmo período (em geral, em menos de duas horas), sob circunstâncias semelhantes;
  • Sensação de falta de controle sobre o ato de comer (tanto sobre a quantidade quanto sobre a qualidade dos alimentos); 
  • O ato de se alimentar mais rápido do que o normal;
  • Permanecer alimentando-se até que se sinta desconfortavelmente cheio;
  • Consumo de grandes quantidades de alimento na ausência de fome.

Durante as crises ou ato de se alimentar compulsivo, o indivíduo apenas reproduz o comportamento. 

Após os episódios

Geralmente aparecem sentimentos de desgosto por si mesmo, humor depressivo ou sentimento de culpa acompanhados de sofrimento

Com relação à frequência, geralmente no mínimo uma vez por semana, durante três meses já é um alerta para buscar ajuda. 

Quando e onde procurar ajuda? 

A gravidade do quadro do transtorno de compulsão alimentar é estabelecida pela periodicidade dos episódios de compulsão alimentar, principal sintoma desse transtorno. 

Se você perceber que tem comido e passado mal, sentindo-se estufado, sempre repetindo ou comendo algo até não aguentar mais, aí sim é o momento de rever seu comportamento alimentar e buscar ajuda especializada. 

O tratamento para a compulsão alimentar pode incluir:

  • Psicoterapia,
  • Reeducação alimentar,
  • Prática de exercício físico,
  • Medicamentos antidepressivos e indutores de saciedade. 

Como a Terapia Cognitivo-comportamental pode auxiliar no tratamento da Compulsão Alimentar

A Terapia Cognitivo Comportamental, também chamada de TCC, é uma abordagem psicoterapêutica estruturada, diretiva e orientada no problema atual do paciente. 

Ela explica que aquilo que nos afeta não são os acontecimentos, mas sim a forma que os interpretamos. Tem por objetivo ajudar a pessoa a gerenciar seus pensamentos, emoções e o modo de reagir ao seu meio, produzindo mudanças no processamento cognitivo. 

Em Terapia Cognitivo-comportamental o foco é a observação dos gatilhos ambientais que provocam os comportamentos desadaptados e os fatores que os mantêm. 

Durante as sessões 

De acordo com a TCC, os pacientes precisam aprender a identificar pensamentos e erros cognitivos. Durante as sessões há a exposição de situações temidas e evitadas para confrontar a ansiedade. Durante o tratamento estão presentes prevenção de rituais, de maneira que pensamentos intrusivos são administrados com técnicas exclusivas de monitoramento. 

Sempre há incentivo para os pacientes de forma a promover a auto-observação e o autoconhecimento.

A prevenção da recaída é ponto importante para assegurar a autoconfiança e independência do paciente. 

A importância do acompanhamento psicológico e multiprofissional 

Cada transtorno alimentar tem um sistema de crenças e padrões de distorções de cognição que lhe são pertinentes.

Mas, o trabalho multidisciplinar exige que o psicoterapeuta seja capaz de reconhecer o quadro médico dos transtornos alimentares conforme descritos no Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais: DSM-5 (APA, 2014). 

O psicoterapeuta, em seu papel ativo, ajuda a reconhecer esses padrões de pensamentos do paciente para que este possa desenvolver uma capacidade introspectiva e engajar-se na psicoterapia. 

É importante que o acompanhamento psicológico seja assistido por outros profissionais da saúde como nutricionistas, médicos endocrinologistas, profissionais da área de educação física, a fim de promover uma qualidade melhor de vida e uma adesão completa ao tratamento.

Se em algum momento você questionou seus hábitos alimentares e os excessos, é importante buscar avaliação junto a um profissional da psicologia, a fim de diagnosticar, se necessário tratar, e com isso proporcionando mais qualidade de vida. 

Referências: 

  1. ABUCHAIM, A. L. G. Aspectos históricos da anorexia nervosa e da bulimia nervosa. In: NUNES, M. A. A. et al. Transtornos alimentares e obesidade. Porto Alegre: Artmed, 1998. P. 13-20.
  2. APA – American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. Porto Alegre: Artmed, 2014.
  3. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-IV. Porto Alegre: Artmed, 1995.
  4. FAIRBURN, C. G.; COOPER, Z.; WALLER, D. The Patients: their Assessment, Preparation for Treatment and Medical Management. Cognitive Behavior Therapy and Eating Disorders. Chapter 4. The Gilford Press, NY, 2008.
  5. FINGER, I. R.; OLIVEIRA, M. S. (Org.). A prática da terapia cognitivo comportamental nos transtornos alimentares e obesidade. Novo Hamburgo: 18 Sinopsys, 2016.
  6. GABALDA, I. C. Manual teórico-prático de psicoterapias cognitivas. 2. ed. Sevilha: Editorial Desclée de Brouwer, 2009.
  7. http://ulbra-to.br/encena/2013/12/02/compulsao-alimentar-um-transtorno-que-precisa-atencao/
  8. https://vctemfomedeque.com/2017/08/01/comer-e-um-ato-social-e-devemos-celebrar/
LARISSA FRANCA
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