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Sobreviventes enlutados: Como sobreviver à perda por suicídio

Suicídios

Tentar ou de fato tirar a própria vida é um ato de desespero que escancara uma dor insuportável de existir. Para se livrar de um sofrimento intenso, causado por razões diversas e fatores complexos o sujeito acaba por livrar-se da própria vida.

Dados da Organização Mundial de Saúde apontam que 800 mil pessoas morrem pro suicídio por ano, sendo considerado um problema de saúde pública. Ainda segundo a OMS o comportamento suicida deve ser entendido como algo complexo e multideterminado, não podendo ser considerado de forma simplista e não sendo possível determinar uma causa ou motivo definitivo.

Os fatores psicológicos que podem levar uma pessoa a tentar contra a própria vida vão desde distúrbios mentais graves, como distúrbios psicóticos, esquizofrenia, transtorno bipolar, até questões psicopatologicamente menos graves, porém não menos críticas como sentimentos de fracassos, culpa, revolta, angústia, autopiedade, depressão.

Outros sinais podem ser observados por amigos e familiares como fatores risco para o suicídio:

  1. Humor mais deprimido ou irritável,
  2. Isolamento prolongado,
  3. Hostilidade com pessoas próximas,
  4. Baixa no rendimento escolar ou no trabalho,
  5. Abuso de álcool e outras drogas.

Para cada pessoa que morre por suicídio, aproximadamente outras 6 são afetadas por essa perda de forma bastante impactante, estes são os denominados “sobreviventes enlutados por suicídio”. Porém esse número pode variar se pensarmos em situações como a perda de um aluno que afetaria outros alunos e professore de toda uma escola, ou a morte de um funcionário de uma empresa que impactaria em outros tantos funcionários. Por isso, dados apontam que cada morte por suicídio pode impactar até 115 pessoas. 

Luto

Falar de “morte” para muitas culturas, incluindo a nossa cultura ocidental, é assunto muito delicado, quase um tabu, pois vem associado a aspectos e ideias negativas como dor, doença, sofrimento, violência; resumindo a morte quase sempre a algo ruim ou a um castigo. 

A ideia de morte ou perda de alguém é uma das experiências mais dolorosas que o ser humano pode vivenciar. Quando se trata de morte por suicídio a dor se torna ainda maior pois vem associada a dúvidas relacionadas ao “por quê” daquela atitude, resposta quase que impossível de ser encontrada e que gera angústia ainda maior.

O Luto é uma resposta normal a ruptura de um vínculo – algo ou alguém – que cada pessoa vivência de maneira única e pessoal. A maneira como cada pessoa vivencia seu luto vai depender do tipo de vínculo e relação que tinha com quem é perdido, a idade e o tipo de morte, a possibilidade de vivenciar rituais como velório e sepultamento, como foi o processo de perda – uma morte súbita ou um processo de doença prolongada por exemplo.

A maioria das pessoas elabora o luto a seu tempo e naturalmente adapta-se à vida sem a pessoa falecida; reconhece a ausência lembrando do falecido sem dor ou emoções incapacitantes; passa a olhar para si mesmo e para o mundo integrando a perda à sua existência de vida. Porém, com algumas pessoas isto não é possível e estas passam a vivenciar o chamado “luto complicado” podendo apresentar dificuldades emocionais, depressão, estresse pós traumático, problemas de saúde e até ideação suicida.

Luto por suicídio

O luto após um suicídio é diferente do luto por outras formas de perda e costuma envolver elementos específicos para sua elaboração, podendo se tornar um “luto complicado”. É comum que os sobreviventes enlutados, ou seja, o sistema familiar e a rede de relações do indivíduo, apresentem sentimentos como culpa, impotência, raiva, conflitos interpessoais.

Nem sempre o sobrevivente tem vínculo ou mesmo conhece quem cometeu o suicídio, por exemplo: o motorista de um veículo o qual a pessoa se atirou na frente, mas este também será fortemente impactado por essa morte.

Muitas vezes o luto por suicídio é vivenciado de maneira silenciosa e solitária pois quem fica sente-se julgado socialmente e na obrigação de prestar contas sobre o ocorrido; também envolve questões religiosas e segredos familiares. Por isso é muito difícil essas pessoas procurarem ou receberem ajuda para superar esse momento de dor e sofrimento.

Orientações para quem vive o Luto

  • Respeite seu luto e o tempo que precisar para elaborá-lo; 
  • Escolha com quem gostaria de conversar e com quem não quer falar sobre sua perda; 
  • Busque informações que auxiliem a desmistificar o suicídio e compreender esse fenômeno, bem como conhecer como se dá o processo de luto; 
  • Realize rituais de despedida se assim desejar; 
  • Elabore memoriais ou formas de homenagear seu ente querido;  
  • Não se isole. Grupos de apoio organizados por profissionais ou outras pessoas que vivenciam ou vivenciaram o luto após um suicídio costumam ser uma importante fonte de acolhimento.

Orientações para quem quer ajudar

  • Escute atentamente e seja empático, acolhendo todos os sentimentos e expressões de sofrimento que o enlutado necessitar expor; 
  • Respeite o tempo do luto de cada pessoa, não “apressando” a pessoa a caminhar nesse processo; 
  • Procure estar presente e manter contato com o passar do tempo, pois muitas vezes o sofrimento aumenta após o choque inicial passar;
  • Fale da pessoa que morreu, pois não é preciso evitar o assunto; 
  • Pergunte do que a pessoa precisa e de que forma ela gostaria de ser ajudada; 
  • Proporcione momentos de descontração e relaxamento, pois quem vive o luto após um suicídio pode ter dificuldade para permitir-se voltar a fazer atividades prazerosas sozinho ou por iniciativa própria. 

Buscar por ajuda

Nem todos os sobreviventes enlutados após um suicídio precisam de ajuda profissional. O luto é uma reação natural após uma perda/morte e não uma doença ou um problema. Deve ser vivenciado e elaborado no tempo de cada um. Muitos conseguem encontrar suporte na própria família ou amigos, daí a importância de uma rede de apoio social neste momento.

Porém, profissionais da área de saúde mental, psiquiatras e psicólogos podem ser de grande ajuda na elaboração de sentimentos complexos e na reorganização de projetos de vida. BUSQUE AJUDA SEMPRE QUE PRECISAR.

Referências bibliográficas

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. (2017). Secretaria de Vigilância em Saúde. Boletim Epidemiológico. Brasília.
  2. KREUZ, Giovana; ANTONIASSI, Raquel Pinheiro Niehues. (2020). Grupo de apoio para sobreviventes do suicídio.
  3. KÜBLER-ROSS, Elisabeth. (1992). Sobre a Morte e o Morrer. São Paulo. Martins Fontes. 
  4. https://conscienciapsicologia.com.br/luto-apos-um-suicidio/
Patricia Ferrato Calvo
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