Psicologia geral

Como transformar metas em conquistas?

Como a definição de metas pode ajudar na conquista de seus objetivos?

As metas deixam a distância entre você e seus objetivos mais curta. Elas vão ajudar você a entender qual caminho pretende fazer e a reconhecer cada pequena conquista. Além disso, as metas podem te ajudar a manter o  foco no que realmente é importante para você.

Mas como saber se as metas traçadas são realistas? 

Se você já sabe o objetivo que pretende alcançar, o próximo passo é fazer uma lista com todas as etapas necessárias para chegar até ele. É nessa hora que o autoconhecimento é de extrema importância, você precisa reconhecer e respeitar suas limitações para conseguir traçar metas realistas.

Autoconhecimento, por si só, é conhecer o próprio comportamento.

Saber reconhecer as variáveis presentes no seu dia a dia, sua interação com o seu ambiente, suas emoções em cada contexto, o tempo disponível em cada dia para se dedicar ao objetivo traçado, tudo se mostra necessário para efetuar mudanças nos seus comportamentos. 

Por exemplo: Se o seu objetivo é passar no vestibular e você trabalha oito horas por dia, de segunda a sexta, não é realista, nem mesmo saudável, definir que o seu estudo irá durar 10 horas todos os dias. Nesse caso, você precisará estudar menos horas durante a semana e usar os fins de semana para compensar. 

Ainda dentro do exemplo citado, a simples noção de que para passar no vestibular basta estudar por mais tempo pode levar a decisões que irão apenas comprometer a qualidade do seu estudo. Estabelecer metas impossíveis e fora da sua realidade atual é a receita da frustração.

Respeite sua rotina, sua realidade financeira, seus limites físicos e emocionais e, claro, sua saúde mental. Não estabeleça prazos curtos demais, trabalhe com mini-metas para não perder a motivação e tenha em mente que imprevistos podem acontecer e exigir adaptações. 

E quando é preciso mudar a rotina e/ou hábitos para tornar nossos objetivos realidade?

Existir no mundo é emitir comportamentos, é a partir dos nossos comportamentos e da nossa interação com o ambiente a nossa volta que são formados nossos valores, crenças e personalidade.

Por isso, mudar um hábito se mostra tão desafiador. Quando queremos fazer algo diferente ou parar de fazer o que sempre fizemos é importante dar-nos tempo para nos adaptarmos a essas mudanças. Ter em mente os motivos da mudança e o que deseja com elas, aprender a identificar seus gatilhos e ficar longe da sabotagem é de grande importância para ter sucesso.

Por exemplo: Se sua meta é juntar dinheiro e você percebe que precisa cozinhar mais e pedir menos delivery. Manter no celular os aplicativos que sempre usou e com as notificações ativas, só irá te atrapalhar.

A discriminação das metas e de respostas alternativas se mostra necessária e de grande ajuda na mudança. Se a meta de “juntar dinheiro” é desafiadora a primeiro momento, a resposta alternativa de “pedir menos delivery” se mostra mais realista e imediata.

Mudanças são incômodas e podem ser difíceis, mas não impossíveis

Mudanças geram desconforto. Querer mudar não deixa tudo automaticamente mais fácil, nem torna a pessoa adaptável de uma hora para outra. Mudar dá trabalho!

Livrar-se de uma roupa que não usamos mais, mudar de casa, mudar de emprego, tudo dá trabalho. A necessidade de mudança nos faz avaliar o quão necessário é algo. 

Com comportamento não é diferente. Mudar uma rotina é mudar uma série de comportamentos e passa por uma história de vida que, muitas vezes, são difíceis de se desfazer. Em muitas situações é necessário aprender novos comportamentos, visando a melhora e facilitação do processo. Portanto, esteja preparado para resistências.

Depois de definir suas metas e o caminho que pretende fazer até elas, o principal desafio é não perder o foco e não desanimar. Uma boa forma de se manter motivado é ter consciência de que nem sempre as coisas vão sair exatamente como nós queremos.

Se alguma mudança te faz pensar em desistir, procure se lembrar dos seus objetivos e por que você decidiu buscar por eles. Tudo bem se você precisar dar alguns passos para trás para consertar algo. Não se culpe por coisas que não estão no seu controle e não permita que pequenos imprevistos ou deslizes te façam desistir.

E quando tudo vai como esperado? Ótimo! Permita-se comemorar pequenas conquistas, todo passo, por menor que pareça, é importante. Não diminua seu esforço e nem perca tempo se comparando com outras pessoas. Sua primeira moeda, sua primeira semana fazendo exercício, seu primeiro texto escrito… Não importa o tamanho da sua meta, são os pequenos passos que vão te levar até ela. 

E como a psicoterapia pode ajudar?

Conhecer a si mesmo, saber os seus limites, ser realista e olhar pra si não é fácil. Não é algo que nos foi ensinado. Durante o processo terapêutico, você é orientado a olhar para si mesmo, observar seus comportamentos e as consequências geradas por ele, aprende a prever e lidar com suas emoções de maneira saudável.

O autoconhecimento passa por saber como você é quando está com raiva, quando está triste. Saber quando acorda motivado e pode arriscar passos maiores. Reconhecer que aquele dia talvez não seja o melhor para dar passos complicados demais. Saber que mesmo um dia em que não se alimentou direito pode ser o bastante para te “travar”.

Perceber que algumas coisas podem, sim, ser deixadas para amanhã. E que tudo bem.

Durante o processo terapêutico, buscamos identificar esses momentos. Buscamos entender as dificuldades em apresentar as mudanças necessárias para estabelecer metas, conquistar os objetivos. 

Na psicoterapia, não há julgamentos, não há exposições antiéticas. O trabalho é baseado na escuta não-punitiva, onde os julgamentos são “substituídos” por uma interação saudável entre cliente e psicoterapeuta. 

Procuramos trabalhar a culpa, que costuma aparecer durante o processo de mudança. Um melhor entendimento dos seus comportamentos é ponto importante para lidar com a autossabotagem, momentos de tropeços e frustrações. 

“Não considere nenhuma prática como imutável. Mude e esteja disposto a mudar novamente” (B. F. Skinner).

Referência

  1. Skinner, B. F. (1979). Ciência e Comportamento Humano. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
Evandro Fernandes Soares
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