Desenvolvimento pessoal

Coronavírus, medo e a Infodemia

Quais os impactos psicológicos do Coronavírus no indivíduo e na sociedade? Medo, pânico, ansiedade e o que é infodemia.

O Covid-19, familiar Coronavírus, está entre nós; e o Brasil registra oficialmente 200 casos (data, 16/03, às 10:00), sendo que este número pode aumentar exponencialmente nos próximos dias. Quais são os impactos psicológicos desta Pandemia no indivíduo e na sociedade como um todo?

Covid-19, a Pandemia

O Covid-19 apareceu inicialmente em dezembro de 2019 na província de Wuhan, na China, tendo infectado aproximadamente 80 mil pessoas, até o presente momento. O vírus começou a se propagar pelo o Oriente Médio, ocasionalmente chegando à Europa (tendo como principal país afetado a Itália, com 24 mil casos registrados) e agora, ao continente Americano. 

No dia 11/03, a OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou Pandemia global devido a rápida expansão do vírus pelo mundo. O Brasil teve seu primeiro paciente identificado, um homem retornando de viagem da Itália com sua família, no dia 09/03 e até então os casos vêm aumentando. 

A preocupação do Ministério da Saúde e das autoridades brasileiras hoje está relacionada ao vírus ter atingido a transmissão comunitária, o que significa que a transmissão do vírus já não está mais entre pessoas que tiveram contato com pacientes vindos de outros países, e sim contaminações entre pessoas que contraíram o vírus aqui no Brasil.

Já não se pode mais identificar a fonte do contágio. Com isso, os especialistas dizem que o número de infectados irá crescer exponencialmente, podendo chegar até aos milhares no território brasileiro em pouco tempo. 

Infodemia, o que é?

Com este cenário instalado, meios de comunicação como jornais, noticiários, internet, mídias sociais e grupos de whatsapp vêm gerando uma quantidade massiva de informações (verídicas e fake news) sobre a situação no país e no mundo.

Este fenômeno que estamos vivenciando foi denominado como Infodemia.

Infodemia nada mais é que uma “epidemia de informações”, ou seja, uma quantia abundante de notícias e matérias sobre uma tema alarmante (pandemias, catástrofes, previsões, etc) que geram medo, ansiedade, pânico e angústia no indivíduo e na população, o quê, consequentemente, pode agravar ainda mais o cenário atual.

Esta complicação preocupa os especialistas e autoridades, pois o medo e o pânico coletivo podem fazer com que as pessoas:

  • Ignorem as recomendações dadas por especialistas da saúde (como evitar aglomerações e realizar quarentena);
  • Tomem medidas prejudiciais, como tratamentos e “curas” sem qualquer embasamento científico (fake news);
  •  Esgotem os recursos básicos de uma região, como mercados e farmácias, sem necessidade.

Medo, Angústia, Pânico e Ansiedade

Para tentar entender como essa dinâmica se desenvolve e prolifera tão rapidamente quanto à pandemia em si, vamos explorar as funções e mecanismos do Medo, Angústia, Pânico e Ansiedade na psique do indivíduo.

O Medo, assim como a dor, é um mecanismo essencial na sobrevivência do ser humano. É através dele que identificamos situações de ameaça e risco ao nosso bem estar. O medo pode ser direcionado tanto a algo concreto, como um animal, uma pessoa específica, ou um objeto, com relação a uma situação que o ponha em risco, como andar sozinho à noite, lugares altos, etc. 

Já a Angústia, dizemos que não é direcionada a um objeto definido. O indivíduo sofre e teme aquilo que não consegue identificar, apenas sente um “aperto no peito”, porém não consegue encontrar a origem do sentimento. 

O Pânico, por sua vez, pode ser considerado o medo amplificado, uma situação de extremo risco ao indivíduo que o faz tomar ações mais impulsivas e menos racionais, visando proteger a vida. Como descrito no livro “Inteligência Emocional” de Daniel Goleman, o pânico pode fazer com que as pessoas tomem atitudes mais individualistas, visando preservar sua vida e perdendo o senso de empatia e comunidade em uma sociedade.

Um exemplo prático na situação atual, são pessoas correndo até os supermercados e comprando estoques enormes de produtos básicos para si e suas famílias, sem levar em conta que outras pessoas também poderiam precisar comprar estes mesmos itens – um cenário que já vem acontecendo nos países da Europa por conta do Coronavírus.

A Ansiedade por sua vez pode ser descrita como uma “preocupação” para com acontecimentos futuros que irão impactar a vida do indivíduo, portanto, o mesmo pode vir a fantasiar uma série de cenários, positivos ou negativos, em relação a determinado evento futuro.

Novamente é um mecanismo da psique humana, o qual todos nós estamos sujeitos em níveis diferentes. Porém o sentimento constante de ansiedade, em níveis elevados, pode significar um  Transtorno da Ansiedade Generalizada (TAG) que, segundo o manual de classificação de doenças mentais (DSM.IV), é um distúrbio caracterizado pela “preocupação excessiva ou expectativa apreensiva”, persistente e de difícil controle. Isso pode ser ocasionado devido a exposição a situações e ambientes de alto nível de estresse. 

Medo + (des)informação 

Portanto, voltemos à questão da Infomedia. A constante exposição a esse tipo de informações, devido ao nosso estilo de vida “100% conectado”, faz com que o indivíduo seja exposto a um nível de estresse elevado e, com isso, seus mecanismos de Medo, Ansiedade e Pânico são acionados, podendo fazer com que tome ações impulsivas e pouco empáticas, que podem ter um impacto significativamente negativo em uma pandemia como o Coronavírus. 

Uma situação real que pode exemplificar este raciocínio é a preocupação dos profissionais da área da saúde quanto aos leitos e UTIs disponíveis hoje no Brasil. Sabemos que há um número limitado de leitos e que, caso a pandemia tome proporções maiores, não haverão leitos suficientes para todos. Por esta razão, a recomendação é que pessoas que desenvolverem sintomas leves e moderados devam ficar em casa em isolamento, apenas os casos emergenciais devem ser encaminhados aos hospitais priorizando aqueles que realmente precisam.

Porém, indivíduos em pânico e mal-orientados podem acabar lotando os hospitais, ocasionando uma maior demora nos atendimentos ou, até mesmo, impedindo o atendimento àqueles que realmente precisam e ainda propagando mais o vírus, uma vez que os hospitais se tornarão um ambiente de alta transmissão.

O que fazer?

Como evitar este cenário? Há uma série de ações que podemos tomar para evitar cenários desfavoráveis, como o que descrevemos acima. São elas: 

1 – Atente-se aos fatos 

Evite fake news! Evite notícias ou matérias sensacionalistas que não tenham fontes confiáveis. Ao receber mensagens ou matérias suspeitas em grupos de Whatsapp, procure sempre verificar a fonte, o site de origem, se é um site ou mídia confiável. Importante ressaltar que o Coronavírus não tem cura até o presente momento e não foram desenvolvidas vacinas para o vírus, portanto, qualquer “cura” ou “remédio caseiro” não é comprovado cientificamente e, logo, não é recomendado pelos profissionais da saúde. 

2 – Ouça as recomendações dos Profissionais da Saúde

Muita informação positiva e benéfica também está sendo compartilhada. Fique atento às recomendações dos profissionais da saúde e das instituições governamentais. Evitar aglomerações, manter a higiene pessoal e, em caso de sintomas, isolar-se por tempo determinado são as principais ações que podemos tomar hoje.

Abaixo, um vídeo do Dr. Drauzio Varella a respeito do Coronavírus e os cuidados que podemos tomar.

3 – Empatia e consciência Social

É importante entendermos como o Coronavírus funciona para que possamos atuar da melhor forma possível para nós e para a sociedade. Sabemos que é um vírus que tem uma taxa de mortalidade baixa entre crianças, adolescentes e pessoas jovens (pessoas até 30 anos a taxa pode chegar a 0.5%), porém idosos, diabéticos, cardíacos e hipertensos estão no Grupo Risco (pessoas mais vulneráveis à doença devido suas condições de saúde).

A taxa de mortalidade nesse grupo pode chegar até 15%, dependendo da idade e do histórico de médico. Portanto, os cuidados em relação à higiene e isolamento devem ser redobrados para conter o contágio e evitar exposição das pessoas no grupo de risco a pessoas já infectadas. Jovens podem não ter um risco de vida alto, porém, podem se tornar aquilo que os especialistas chamam de vetores da doença – pessoas que transmitem e espalham em grandes quantidades vírus. O fechamento das escolas é uma medida justamente pensada para que as crianças não sejam infectadas e acabem colocando seus pais e avós em risco. 

Não devemos minimizar ou maximizar a realidade da pandemia. Trata-se de uma questão séria e tem seus riscos para o indivíduo e para sociedade, por esta razão a colaboração de todos é necessária. Tire suas dúvidas com um profissional da saúde sobre o vírus e caso esteja ansioso ou angustiado com toda a situação, procure por um profissional da Psicologia.

Discutir e refletir sobre seus medos e angústias é a melhor maneira de lidar com eles.

Cuidem-se! 

Lucas Zaina
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