Psicologia geral

Crianças e o Natal: a função mágica do Papai Noel

 

O bom velhinho e os sonhos

Imagine você indo dormir com a certeza de que ao acordar no dia seguinte uma pessoa especial terá vindo de longe para lhe trazer um presente tão desejado e para o qual você se empenhou muito para se fazer merecedor. 

O sono demora a vir, a noite parece longa demais, os barulhos soarão como deslizes de quem tenta sorrateiramente adentrar em sua casa – com sua roupa vermelha, barba branca fofa e seu rosto amável. A noite será embalada por uma mistura de fantasia, ansiedade e alegria antecipada. 

O Natal é uma das recordações mais bonitas que trazemos da infância, e o que fica registrado em nosso inconsciente não é só a figura do entregador de presentes, pois o Papai Noel representa muito mais do que isso.  

Esse mundo do Papai Noel é o que propicia que a criança entre em contato com bons valores, bons princípios, com a fé, com a alegria de viver uma surpresa e com a satisfação de desejar muito e receber

Essa fase é muito rica e muito gostosa para a criança. Quando ela passa por tudo isso de forma harmoniosa tende a tornar-se um adulto com mais fé em si mesmo, otimista, perseverante, um adulto que acredita no valor do desejo dos sonhos e luta por eles.

Posicionamento dos pais ou responsáveis

O papel dos pais é facilitar esse mundo da imaginação para os pequenos, oferecendo-lhes todas as possibilidades de sonhos e fantasias.

Fantasia esta que é necessária para o desenvolvimento saudável da criança, pois estimula a imaginação, a capacidade criadora, permite que ela simbolize e compreenda os acontecimentos da vida, acelera o desenvolvimento intelectual, além de ser uma fundamental ferramenta cognitiva.  

Papai Noel existe?

E quando surgir a inevitável pergunta: “Papai Noel existe?” deve-se perguntar para a criança o que ela pensa sobre isso, para que se entenda quais são as exceptivas e o quanto de informação ela possui, e se está preparada para ouvir a verdade. 

Caso perceba-se que a criança não está pronta (ainda está curtindo essa fantasia) combine com ela que juntos vão pensar mais sobre isso, que vão esperar passar esse Natal e ver o que acontece. 

Caso sinta que ela já esteja pronta (desconfia muito da verdade, os amigos todos já sabem…) fale a verdade e mostre que o Natal continua mágico através da família reunida, das luzes, da árvore…

Quando o filho percebe que o Papai Noel são seus pais, sente-se “gente grande”, e caso tenha irmãos menores, é a hora de conversar e mostrar o quanto foi importante que ele acreditasse no Papai Noel e que agora é a vez dos irmãos, e para isso é importante que torne-se cúmplice de seus pais para a manutenção da lenda (e eles adoram!).

O momento da verdade e o sentimento de culpa dos pai

É importante que o momento da verdade não gere nos pais a sensação de culpa por ter mentido para o filho, mas que eles percebam que a criança viveu momentos mágicos, em uma fase que deixa marcas muito positivas. 

A criança gosta e muito de acreditar em Papai Noel e não se sente mal quando descobre que o bom velhinho não existe. Ela percebe que mesmo o Papai Noel não existindo, o Natal existe e a bondade para com as crianças também, exercida pelos próprios pais e adultos mais próximos.

Marilia Giacobbo Trevizan

Com bases de formação na Psicanálise, ao longo da prática entrelacei outras abordagens e terapias integrativas, utilizando técnicas e ferramentas da Psicologia Sistêmica (família), Psicoterapia Breve e Positiva. Como ferramentas complementares utilizo os preceitos da constelação familiar, mediação e experiência somática. A vida é um presente incrível, repleta de inúmeras emoções, é um pacote completo, incluindo também um número incontável de dor, dúvidas, incertezas, decepções e tristezas.
Marilia Giacobbo Trevizan
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