Desenvolvimento pessoal

A culpa nos relacionamentos: como superar?

Diante de tantos compromissos e desejos que nos envolvem diariamente, muitas pessoas sentem que não conseguem dar conta de tudo como gostariam. Nesse contexto, é comum observarmos o surgimento da sensação de culpa.

Quando falamos de culpa, logo podemos pensar no binômio culpa x inocência. A inocência pode ser definida como a condição de quem não é culpado, sendo o estado daquele que não provocou um dano a algo ou alguém. Ao contrário da culpa, a inocência está relacionada a sensações de leveza e bem-estar.

Para além do binômio em questão, cabe expandirmos a discussão com algumas perguntas: Qual é a função da culpa? Para que servem as sensações de inocência e culpa? A sensação de culpa ou de inocência pode gerar movimentos de aproximação ou de afastamento das pessoas e dos relacionamentos em que essas sensações se originaram. Esses sentimentos surgem a partir de nossas ações e da avaliação que fazemos de suas repercussões. 

Para que serve a culpa?

A noção de culpa está intimamente ligada à noção de responsabilidade. Frequentemente, sentimo-nos responsáveis por algo que teve consequências ruins para nós mesmos ou para os outros. Diante da percepção de que erramos, a culpa nos sinaliza o quanto nos sentimos responsáveis pelo dano causado a outrem.

A culpa indica um novo caminho

A culpa e a inocência estão a serviço da consciência de cada um que discerne a todo momento se nossa ação está de acordo ou não com nossos princípios. A consciência pode atuar com base em uma lógica de equilíbrio em que aquilo que nos desvia de nosso equilíbrio é sinalizado através do sentimento de culpa. Assim sendo, culpa e inocência são acompanhadas por sensações de desconforto e conforto que nos impulsionam em uma determinada direção.

Dessa forma, nossa consciência consegue indicar um novo caminho a partir das consequências de nossas atitudes. Afinal, as sensações de prazer e desprazer associadas à inocência e à culpa podem alterar a probabilidade de fazermos algo, dando-nos a chance de retomar o diálogo com as diretrizes que habitam nossa consciência. 

Culpa exagerada? Culpa por tudo?

Sentir culpa em níveis extremos pode indicar circunstâncias de adoecimento psíquico. Se sentimos culpa por algo que está fora do nosso controle, seria importante revisarmos quais são nossas reais responsabilidades e possibilidades. Afinal, não é saudável criarmos expectativas e cobranças que estão acima de nossas condições nesse momento.

É fundamental monitorarmos nossos níveis de culpa e refletirmos sobre nossa conduta a partir disso. Conforme dito anteriormente, as sensações de culpa e inocência fazem parte de uma vida saudável e possuem uma função importante de redirecionamento de nossos atos.

As relações humanas envolvem constantes processos de troca que podem despertar a sensação de culpa dentro de nós. Trocam-se palavras e gestos tanto de afeto e de atenção como de agressividade e de desprezo.

Essa dinâmica de troca nas relações humanas faz com que estejamos, constantemente, em movimento. Entretanto, esse movimento nem sempre produz um equilíbrio dinâmico – aquele que estabelece um ciclo de trocas eficiente e saudável. 

Diante da possibilidade de trocar com o outro, algumas pessoas constroem padrões de comportamento que são difíceis de sustentar. Esses padrões geram desgaste e desestimulam a boa convivência entre as pessoas. A seguir, você encontra alguns padrões comuns de comportamento.

Culpa pode gerar relações desequilibradas

A culpa pode facilitar a ocorrência de um padrão de comportamento em que alguém coloca-se na posição de dar aos outros muito mais do que recebe deles em qualquer tipo de relacionamento (amoroso, familiar, profissional, etc.).

Apesar de que muitas pessoas idealizam essa condição de doação nas relações humanas, observa-se nesse padrão que a pessoa cria a expectativa de receber do outro algo de volta. Pode ser receber alguma forma de reconhecimento ou agradecimento. Quando não atendidas, essas expectativas podem gerar cobranças e acusações que, por fim, irão gerar afastamento em função de um esgotamento do relacionamento.

Culpa pode gerar uma evitação dos relacionamentos humanos

Em função da culpa e de outros fatos, nesse padrão de comportamento, a pessoa evita os relacionamentos humanos. Há um distanciamento e uma recusa de participar do ciclo de trocas da convivência humana.

Essa restrição pode gerar uma sensação de esvaziamento e descontentamento, pois a pessoa não se conecta com os benefícios que as relações humanas costumam oferecer. Por vezes, há uma crítica severa aos que estão ao seu redor ou muito medo de sentir culpa.

Como superar a culpa nos relacionamentos?

Para superar a culpa nos relacionamentos, é necessário criarmos um ciclo generoso de retribuição. Nesse padrão de comportamento, há um fluxo saudável de trocas entre os envolvidos naquele relacionamento. Essas trocas geram felicidade e estimulam a construção de novas relações.

Esse padrão de comportamento envolve uma alternância nas trocas estabelecidas de modo que se estabelece um equilíbrio dinâmico. A experiência de investir na relação traz leveza e liberdade, pois os envolvidos retribuem-se de forma equivalente – o que gera alívio e equilíbrio. 

Em alguns casos, a retribuição equivalente não é possível. Nesses casos, há possibilidade de se passar aquele benefício recebido (afeto, conhecimento, etc) para outras pessoas. Além disso, um outro passo importante seria agradecer alguém por algo bom que a pessoa tenha feito a você. Isso contribui bastante para a manutenção de um ambiente agradável de convivência.

Identificar de que forma estamos interagindo com aqueles que convivem conosco é um importante passo para aprimorar nossas relações e superar um ciclo desgastante de excesso de culpa.

Deste modo, podemos experimentar novas atitudes e ampliar nossas possibilidades de construção de relacionamentos mais potentes e satisfatórios. 

Para gerenciar suas emoções e todos os complexos sentimentos que surgem nas relações humanas, você pode contar com apoio psicológico.

Ter a visão de um(a) especialista sobre a sua situação pode fazer com que você perceba novos elementos no contexto em que você está inserido.

Para mudarmos um comportamento, o planejamento e a orientação profissional são fundamentais, pois trazem agilidade ao processo e podem reduzir o sofrimento de maneira muito significativa. Permita-se ter acesso às técnicas e ferramentas que possuem eficácia e comprovação científica através de um(a) especialista que indicará o melhor de acordo com a sua situação nesse momento.

Gabriela Ballardin Geara
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