Saúde

Depressão e suicídio: Como lidar? 

Quando existe uma epidemia que causa a morte de diversos seres humanos, ela se torna pauta para muitas notícias na mídia e também nos debates pessoais. E se pensarmos em uma doença tão grave ao ponto de matar mais de 800 mil pessoas por ano ao redor do mundo, será que este tema merece reflexão? 

No Brasil, em 2016 foram registrados 11.433 casos, o equivalente a 31 casos por dia. O número pode ser maior devido à subnotificação nos registros como o exemplo de “intenção não determinada”, e não há como afirmar se foi um acidente ou uma tentativa de suicídio que levou à morte. 

A depressão é o que faz tantas pessoas não sentirem mais o natural desejo de viver, de lutar pela vida, elas acabam na luta inversa, que visa acabar com a dor e sofrimento. 

Compreendendo a depressão 

Quando se pode notar os sintomas de uma doença, quando eles são visíveis, as pessoas em volta compreendem. No caso da depressão, ela também tem sintomas reais e notáveis, porém, é preciso estar mais atento para compreender os mesmos e poder ajudar aquele que precisa.

Primeiro é preciso saber que não existe depressão do dia para a noite, ela é formada com o histórico de vida e suas experiências, os traumas, os sentimentos não refletidos, não lidados, não reformulados e acumulam em forma de dor e sofrimento psíquico. Então, não é o tipo de doença que se pode apontar um motivo, principalmente se não se conhece a fundo o caso daquela pessoa. 

Ela pode se manifestar em qualquer fase da vida, desde crianças a idosos, isso também não pode ser definido. O número de jovens depressivos tem aumentado muito nos últimos tempos, isso se deve aos avanços tecnológicos da humanidade e ao afastamento do contato direto com a natureza, além da diminuição das relações humanizadas presenciais e pessoais

Estamos criando uma nova geração com um déficit de imaginação criativa, jovens que não conseguem reformular suas frustrações emocionais reais pois interagem, na grande maioria do tempo, no mundo virtual, se “engajando” com emoji e não sabendo reconhecer e lidar com suas próprias emoções. 

Porém, a depressão não é exclusiva para os jovens, um grande número de idosos e adultos sofre com este mal. O que se pode afirmar é que não há apenas uma causa comum para todos os depressivos, mas há tratamento, e este é o mesmo para todos, através da ajuda do psicólogo e do psiquiatra. 

Como identificar? 

Ninguém nasce depressivo. Depressão não é herança genética, não é transmitida por vírus e nem bactéria. Depressão é uma doença da mente e não é desenvolvida da noite para o dia. 

Quando há um acúmulo de acontecimentos não reformulados, não refletidos e não externalizados de alguma forma, as emoções “armazenadas” tornam-se literalmente um peso o que chamamos de depressão. Depressão é uma doença mental de construção social, e como o número só cresce, podemos afirmar que nossa sociedade está adoecida

Quando é tristeza e quando é depressão? 

A tristeza é um sentimento momentâneo e pontual, referente a um fato acontecido. Exemplos:

  • Término de relacionamento,
  • Emprego ruim,
  • Luto,
  • Algo real e recente.

Com o tempo a pessoa se refaz, reconecta-se com si mesma e retoma sua rotina e sua vida. É considerado aceitável um ano para a reformulação dos sentimentos e retomada da vida. Por exemplo, no luto, é compreensível que se passe as primeiras datas importantes como aniversário, natal, ano novo, com a ausência da pessoa, de forma ainda triste e de forma mais recolhida emocionalmente, isso é tristeza e não depressão. 

Jamais sinta vergonha de demonstrar seus sentimentos, mostrar que está “tudo bem” quando não está tudo bem. O acúmulo das emoções, pode ser um caminho de fingimento social e esse custo emocional paga-se com sua saúde mental, observe-se. Como você cuida da sua saúde mental? 

Depressão é uma tristeza profunda, prolongada e distante no tempo do fato acontecido. O sentimento de apatia se instala, gerando indiferença, desesperança, falta de perspectivas ou prazer pela vida. Há dor física e perda da capacidade de reformular a história, entra em looping. Exemplo: O luto aconteceu há 3 anos, o término do relacionamento já fazem 5 anos e a pessoa não conseguiu retomar sua rotina, não conseguiu se reconectar com a vida, é preciso atenção e buscar ajuda profissional.

Quais os sintomas da depressão? 

  • Apatia,
  • Falta de motivação,
  • Medos que antes não existiam,
  • Dificuldade de concentração,
  • Perda ou aumento de apetite,
  • Alto grau de pessimismo,
  • Indecisão,
  • Insegurança,
  • Insônia,
  • Falta de vontade em fazer atividades antes prazerosas,
  • Sensação de vazio,
  • Irritabilidade,
  • Raciocínio mais lento,
  • Esquecimento,
  • Ansiedade,
  • Angústia Dores de barriga,
  • Má digestão,
  • Azia,
  • Constipação,
  • Flatulência,
  • Tensão na nuca e nos ombros,
  • Dores de cabeça e no corpo,
  • Pressão no peito.

Como ajudar alguém com depressão? 

A ação mais eficaz é buscar e apoiar o tratamento psicológico e psiquiátrico. Ao notar estas manifestações, busque conversar com a pessoa, apenas afirme que você se preocupa de verdade com ela, então, pergunte o que está acontecendo e ouça o que ela diz com atenção.

Lembre-se também que quando alguém deseja o suicídio, isso não é natural, algo está errado, não com a pessoa em si, mas com seu sistema cerebral, há ali uma doença perigosa chamada depressão que precisa ser tratada. A pessoa deseja, na verdade, não o fim da vida, mas o fim da dor. 

EXEMPLIFICANDO: Supomos que Maria, uma jovem de 15 anos, quebrou o braço. Os pais de Maria levam ela ao Pronto Socorro e Maria será atendida por um médico ortopedista, especialista em traumas e fratura nos ossos. Maria fará os procedimentos necessários, engessar, tempo de recuperação e depois, após retirada do gesso, provavelmente fará algumas sessões de fisioterapia. Durante todo o processo de Maria, a família a ajudou, levando no especialista correto, apoiando em algumas tarefas e com o tempo, Maria retomou sua rotina normal. 

Agora imagine João, jovem de 15 anos, com depressão. João não tem nenhuma ferida física visível externamente (um braço quebrado, por exemplo). A dor do João está na mente dele, mas os sintomas físicos existem, como falta de ar, aumento ou perda de apetite, dor no estômago, tremedeira, etc. João poderá fazer vários exames clínicos e todos eles estarão satisfatórios e os sintomas permanecerem. 

Os pensamentos de João cria a sua realidade. João está refém de sua própria mente e ele sofre todos os dias com isso. 

A família do João não sabendo como lidar, acha que ele está com frescura sem querer se dedicar aos estudos e com as tarefas de casa. A família fica querendo achar os motivos para João estar triste e desanimado, sendo que João nem tem responsabilidade financeira, então nem tem motivo algum para estar desanimado com a vida. A família de João não busca ajuda psicológica. No final do ano, João para dar fim a sua dor emocional, se suicida.

Como a família deveria proceder para ajudar João

João, jovem de 15 anos, apresenta depressão. A família de João deve buscar uma psicóloga, profissional responsável em Saúde Mental. João, por ser menor de idade, precisa estar acompanhado de um responsável legal para iniciar o tratamento. A psicóloga fará os atendimentos e João sentirá melhora a cada sessão. 

João encontrou na psicóloga a escuta ativa e sem julgamento que ele precisava para reformular suas questões mais íntimas. Com o tempo, ganhando autonomia e confiança em si mesmo, João supera a fase depressiva, ressignifica sua história e retoma o controle de suas emoções e de sua vida. Dessa forma, a família contribuiu para João superar a depressão. 

Não é porque não sangra que não dói. Não é porque você não vê, que não existe. 

A saúde física é sabido que requer cuidados médicos profissionais, como no caso de Maria que quebrou o braço. A saúde mental é negligenciada pela maioria das famílias que se sentem responsáveis em cuidar da pessoa a deixando alegre, “animada”, sendo que a depressão é algo mais profundo. Lidar com uma pessoa depressiva não é tarefa fácil, pois o humor varia e sem tratamento adequado não haverá evolução do quadro. 

Então fica o questionamento, se você tem ciência de que não é capaz de ajudar alguém de braço quebrado e apoia o tratamento do especialista, por qual motivo as famílias negligenciam o atendimento do psicólogo se sentindo responsáveis por cuidar da pessoa sem conhecimento sobre saúde mental?

IMPORTANTE: A família e os amigos não podem se responsabilizar por “salvar” as pessoas da depressão. É preciso buscar ajuda profissional de um psicólogo para lidar com as questões emocionais humanas. 

Observe as pessoas próximas, e sempre que necessário busque ajuda profissional.

Melissa Pomaro

Melissa Pomaro
Últimos posts por Melissa Pomaro (exibir todos)
Etiquetas

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo
Fechar
Fechar