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Depressão pós-parto

Introdução

A depressão pós-parto (DPP) é considerado um importante problema de saúde pública, afetando a saúde das mães e também o crescimento dos filhos. Na maioria dos casos, essa condição tem início nas primeiras quatro semanas após o parto e geralmente atinge a intensidade máxima nos primeiros seis meses.

Uma das áreas que tem demonstrado um maior interesse entre os pesquisadores do desenvolvimento infantil vem a ser a interação gerada entre a mãe e o bebê, e no que isso vem a influenciar no desenvolvimento posterior da criança.

Dentre os diversos fatores que contribuem para o processo de interação, nas últimas décadas, muitos estudos têm abordado o papel da depressão pós-parto, pois há evidências de que a depressão materna pode afetar negativamente o estabelecimento da primeira interação com o bebê. Portanto, no desenvolvimento emocional, social e cognitivo das crianças.

O nascimento de um bebê, principalmente do primeiro filho, vem a ser um evento que pode causar problemas emocionais nos pais, como depressão, psicose pós-parto e manifestações psicossomáticas.

A reação de hipersensibilidade da mãe desencadeia na mesma uma vontade de buscar meios para compreender o seu bebê, como uma forma de consolo para os sentimentos de desorganização que esta sente, então a mãe tende a buscar um comportamento organizado em seu bebê.

Mães deprimidas apresentam habilidades maternas inseguras, o que pode levar ao relaxamento da atenção da criança e desvio do olhar, que é a característica de um micro rejeição. 

Por outro lado, a mãe sente-se rejeitada, e por isso suspende a interação, sendo uma parada temporária, a fim de facilitar o ajuste de seu comportamento. Desta forma, a sequência de interação termina rapidamente.

Desenvolvimento

Depressão e puerpério

A depressão abrange uma gama heterogênea de condições, indo desde as fronteiras da normalidade até as formas mais graves do estado depressivo, onde é provável a contribuição de fatores biológicos-adquiridos e/ou geneticamente modificados.

O autor supracitado ainda informa que a gestação e o puerpério são fases da vida da mulher que devem ser avaliadas com uma atenção especial, pois esses momentos acabam por envolver diversas mudanças, como:

  • Alterações físicas,
  • Alteração do metabolismo,
  • Alteração na produção de hormônios,
  • Alterações psicológicas,
  • Inserção social.

Além de ser uma etapa marcante na vida da mulher, que podem acabar refletindo diretamente na saúde mental dessas mulheres.

A depressão pós-parto é uma patologia de difícil controle devido à ação combinada de diversos fatores biológicos e psicossociais. Dentre esses fatores estão: pouca idade da mãe, muitos filhos, bebê com baixo peso, demissão após o período de licença maternidade, entre outros.

Na puérpera, após o parto, vem a ocorrer reações que podem ser tanto conscientes quanto também inconscientes, dentro de ambientes familiares e sociais onde a mesma está inserida, o que consequentemente irá ativar profundas ansiedades nessa mulher.

Sintomas

Os sintomas e sinais desse estado depressivo vão variar de acordo com a forma e a intensidade com a qual irão se manifestar. Pois depende do tipo de personalidade da puérpera, da sua história de vida, incluindo também as mudanças bioquímicas que se processam após o parto.

Além de inconscientemente haver o predomínio das fantasias de castração ou esvaziamento, as mais intensas são:

  • Falta de energia e de motivação,
  • Autodepreciação,
  • Acessos de choro,
  • Ciúmes,
  • Aborrecimento,
  • Autoacusação,
  • Transtornos de sono,
  • Abandono dos hábitos de higiene e cuidados pessoais,
  • Pode apresentar ideais de perseguição (acreditando que querem roubar seu bebê),
  • Alterações alimentares e queixas psicossomáticas.

Fatores de Risco

Inúmeros fatores estão associados à depressão pós-parto, principalmente os fatores relacionados ao bebê (prematuridade, malformações, etc.), fatores socioculturais (morte de familiares, decepções pessoais ou profissionais, etc.), fatores físicos (modificações hormonais), além dos fatores psicopatológicos prévios.

Relação mãe-bebê

A interação entre a mãe e o bebê é iniciada durante o período gestacional, através da placenta que mãe e filho se comunicam, transferindo comunicação afetiva, sendo uma relação muito intensa. Quando a mãe interage com o feto isso auxilia posteriormente na relação mãe-bebê.

A história de vida materna pode influenciar o seu comportamento e sentimento relacionados ao bebê, respaldando as relações que a criança formará ao longo da vida.

DPP e desenvolvimento infantil

A DPP é prejudicial ao desenvolvimento infantil, pois os bebês respondem às mães através de interações apáticas, depressivas, com dificuldades psicomotoras, irritabilidade, nível exacerbado de atividades interacionais.

As crianças apresentam menos interação sociais, transtornos de conduta, comprometimento da saúde física, ligações inseguras e episódios depressivos, dificuldades de sono, de alimentação.

A importância do diagnóstico

A identificação do diagnóstico é importante para que se possa realizar o tratamento em uma abordagem multidisciplinar, com tratamentos específicos, pois esta patologia é prejudicial tanto fisicamente quanto psicologicamente.

Utilizar medicamentos antidepressivos é o primeiro recurso a ser utilizado, apesar de prejudicar no aleitamento materno. Outra medida a ser adotada é a terapia cognitivo-comportamental, que é bastante eficaz.

Como a terapia pode auxiliar no tratamento da DPP

A terapia oferece à mãe uma reestruturação, melhorando sua interação com o bebê, pois trata o lado emocional da mulher, fazendo com que ela se sinta amparada afetivamente e materialmente pelo ambiente social.

Desta forma, a responsividade do bebê apresenta correlação positiva, com o apoio emocional, material e de informação que a mãe está recebendo.

Conclusão

Diante do exposto, conclui-se que a DPP causa uma serie de sintomas nas mesmas, que podem ser decorrentes de fatores sociais e mentais, gerando mudança da puérpera com a família, e sua relação com o seu bebê, o que afetará o desenvolvimento do mesmo.

Os profissionais de saúde devem estar atentos para identificar essa possível condição, a fim de proporcionar tratamentos para tratar essa condição.

Referências:

  1. GODOY, J; Et al. Depressão na gestação e no pós-parto e a responsividade materna nesse contexto. Revista Psicologia e Saúde. v. 9, n. 3, p. 3-16, set.- dez, 2017. Disponível em:<https://pssaucdb.emnuvens.com.br/pssa/article/view/565>. Acesso em: 05 mar. 2021.
  2. ]MULLER, B. E; Et al. Depressão pós-parto: fatores de risco e repercussões no desenvolvimento infantil.PSICO-UEF. v. 10, n. 1, p. 61-68, jan-jun, 2005.
  3. SILVA, G. D. Et, al. Depressão pós parto: prevenção e consequências. Fortaleza, 2003. Disponível em <https://periodicos.unifor.br/rmes/article/view/4876/3886>. Acesso em: 05 mar. 2021.
  4. TOLENTINO, C. E; Et al. Depressão pós-parto: Conhecimento sobre os sinais e sintomas em puérperas. Revista de Ciências da Saúde Nova Esperança. v. 14, n. 1, p. 59 – 66, 2016. Disponível em:<http://revistanovaesperanca.com.br/index.php/revistane/article/view/77>. Acesso em: 05 mar. 2021.
Rayely Cruz dos Santos Santana
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