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Depressão: sintomas, causas e tratamentos – Tudo que você precisa saber

As verdades e mitos sobre o chamado "novo mal do século"

O questionário não deve ser considerado como um diagnóstico, apenas como uma orientação dos níveis dos sinais. Nesse caso, sempre é recomendado consultar um profissional capacitado para uma avaliação completa.

Esse é um tema que está muito em alta e alguns chegam a afirmar que essa doença seria o mal do nosso século. Sim, precisamos falar sobre depressão!

O número de pessoas diagnosticadas com o transtorno aumenta a cada dia.

Igualmente, a quantidade de profissionais afastados do trabalho por transtorno depressivo nunca esteve tão alta. É muita gente sofrendo!

Não adianta fechar os olhos: o problema está aí. E muitas notícias equivocadas acabam surgindo.

Por isso, é fundamental a propagação de informações corretas e relevantes que levem à conscientização da sociedade sobre saúde mental.

E como conhecimento é poder, preparamos um artigo completo sobre a doença para ajudar na prevenção, tratamento e, principalmente, na diminuição do preconceito.

Mas o que é depressão?

Antes de tudo, é necessário entender o que é essa doença. De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), o transtorno depressivo é caracterizado por alterações no afeto, cognição e nas funções neurológicas.

Além disso, essas alterações devem ter ocorrido por mais de uma vez e com duração mínima de quinze dias.

Embora seja muito conhecida pela tristeza profunda, a depressão também envolve outros comportamentos menos típicos.

O diagnóstico correto deve ser feito sempre por um profissional, mas alguns dos sinais considerados são:

  • perda de interesse ou prazer pela vida,
  • agitação,
  • diminuição da concentração,
  • perda ou ganho excessivo de peso,
  • humor irritável,
  • explosões de raiva recorrentes.

Com o aumento dos casos de depressão em todo o mundo, os órgãos de saúde têm concentrado esforços para conscientizar a população sobre essa condição.

O primeiro passo é reconhecer o problema e disseminar conhecimento científico, sem achismos, sobre o tema para superar preconceitos e barreiras.

As pessoas precisam se sentir acolhidas e, principalmente, compreendidas para buscar e até mesmo aceitar ajuda.

Sentir tristeza significa que você está deprimido?

Tristeza ou depressão

Não é raro que a tristeza seja confundida com o transtorno depressivo. Por mais que ela seja sim um dos principais sintomas, sentir-se triste nem sempre significa depressão.

Na verdade, esse é um dos sentimentos mais comuns na nossa vida, já que enfrentamos constantemente situações que nos causam preocupação ou dor.

Aliás, a tristeza não excessiva também é um sinal de saúde mental, já que um estado constante de euforia pode ser o indicativo de algum problema.

É muito importante desmistificar a felicidade obrigatória. Vivemos em uma sociedade que vende a alegria como uma constante. Com isso, a tristeza muitas vezes ganha o rótulo de doença.

Mas não compre essa ideia!

Estar triste não é, necessariamente, um problema. 

Primeiramente, é necessário entender que a vida sempre será a busca pelo equilíbrio entre momentos bons e ruins — tanto a felicidade quanto a tristeza são sentimentos normais e saudáveis.

Imagine um mundo onde só existissem alegrias. Seria positivo? Por mais incoerente que pareça, não seria!

Certamente, se você lembrar agora alguns momentos difíceis pelos quais passou, vai poder dizer que aprendeu e cresceu com eles, certo?

A tristeza pode trazer aspectos positivos, como a aproximação da família, o apoio dos amigos e algumas reflexões e mudanças necessárias para o nosso bem-estar.

Por isso, não podemos negar totalmente esse sentimento das nossas vidas, principalmente em momentos difíceis.

Estar desempregado, terminar um relacionamento ou enfrentar a morte de alguém que você ama, por exemplo, são episódios em que a tristeza se torna mais presente.

Um transtorno depressivo pode se instalar depois de situações como essas, mas isso não quer dizer que todo episódio de tristeza deve ser considerado depressão.

Para se chegar a esse diagnóstico é preciso que exista um conjunto de sintomas emocionais, físicos e cognitivos afetando a vida da pessoa por um tempo significativo.

Então, como diferenciar tristeza e depressão?

A primeira é um sentimento pontual que acontece diante de uma situação difícil, apresenta melhora com o passar dos dias e não chega a comprometer a nossa rotina.

A depressão, ao contrário, não melhora simplesmente com o passar do tempo. Os sintomas se mantêm por períodos longos e influenciam fortemente as atividades cotidianas da pessoa.

Inclusive, vale destacar que existem variações de transtornos depressivos, devendo cada caso ser analisado separadamente.

Quais são os tipos de depressão?

Transtorno da desregulação do humor

Diferente dos outros tipos de depressão, esse tem como principal sinal a alteração de humor, principalmente o estado de irritabilidade crônica.

Entre os sintomas há humor persistentemente irritável e explosões de raivas constantes, representando reações desproporcionais às situações vividas.

O diagnóstico é feito entre os 6 e 18 anos de vida, portanto, esse é um tipo de depressão que afeta crianças e adolescentes.

Depressão maior

Essa é a depressão típica e mais conhecida pela população.

Os sintomas incluem humor deprimido frequente, perda de interesse pelas atividades da vida, mudanças significativas no peso, alterações no padrão do sono, agitação ou retardo psicomotor, cansaço excessivo e sentimentos de baixa autoestima.

Na depressão maior, esses sintomas trazem prejuízos para a vida profissional e social das pessoas.

Assim, se diferencia dos períodos de tristeza normais do ser humano.

Dependendo do número e da prevalência dos sintomas, a depressão maior pode ser classificada como leve, moderada ou grave.

Transtorno depressivo persistente

Esse tipo também é chamado de distimia.

O diagnóstico acontece quando a pessoa apresenta sintomas de depressão maior por mais de dois anos (ou um ano, no caso de crianças e adolescentes) — durante esse período, a pessoa não passa mais do que dois meses sem os sintomas.

Nesse transtorno, os sinais da depressão podem ser mais leves, embora persistentes.

Assim, é comum que as pessoas se acostumem com o que sentem e passem a considerar o mau humor e a baixa energia como partes de sua personalidade, tornando mais difícil o diagnóstico.

Depressão pós-parto

Muitas mulheres enfrentam forte tristeza e sentimentos negativos durante a gravidez e, principalmente, nos primeiros meses do seu bebê.

O cansaço, a exaustão e a ansiedade são sentimentos comuns às mães no pós-parto, mas, em quadros de depressão, a função materna fica comprometida e a mulher tem muita dificuldade para exercer as atividades de cuidados e construir vínculo com o filho.

Depressão infantil

Ao contrário de adultos, crianças não conseguem exteriorizar seus sentimentos e por isso a depressão se manifesta de uma maneira diferente.

Por isso é importante ficar atento ao seu comportamento, a fim de identificar algo fora do comum, como a perda de interesse e de concentração em atividades que costumava a interessar, agressividade não justificada, dentre outros sinais.

A depressão infantil pode se manifestar por influência de fatores genéticos, ambientais e da natureza psicológica da criança, como por exemplo, separação dos pais, mudança de escola ou de cidade, dentre outras.

(É importante lembrar que o resultado do questionário não é uma avaliação psicológica. Assim, apenas por esse resultado, não é possível diagnosticar um quadro de ansiedade e depressão.)

Como identificar a depressão?

Para receber esse diagnóstico, procure um profissional da saúde mental: psicólogos ou médicos psiquiatras.

Você não deve diagnosticar a si mesmo e muito menos se automedicar.

O tratamento contra transtorno depressivo é delicado e precisa ser acompanhado por profissionais competentes.

Alguns sinais podem servir de alerta para você procurar auxílio e investigar a possibilidade de depressão e os sintomas podem ser tanto psicológicos quanto físicos.

É comum que as pessoas depressivas sintam cansaço frequente e sem causa aparente, fraqueza, insônia ou excesso de sono, perda ou aumento do apetite (com redução ou ganho de peso rapidamente), diminuição da libido e do interesse por outras atividades da vida.

No plano emocional, a depressão pode envolver tristeza, melancolia, episódios frequentes de choro, sentimentos de indiferença, irritação, alterações de humor, ansiedade, angústia, baixa autoestima, comportamentos compulsivos, dificuldade para tomar decisões, problemas na concentração, pensamentos pessimistas, falta de esperança e ideias suicidas.

O que pode causar esse problema?

Assim como muitos transtornos emocionais, a depressão não tem uma única causa específica.

Diversos fatores podem influenciar no desenvolvimento do problema, como questões genéticas, aspectos da história de vida da pessoa e situações sociais, econômicas e/ou políticas.

Além da predisposição genética, outras condições físicas podem aumentar o risco de desenvolver depressão.

Por exemplo, pessoas que enfrentam doenças crônicas ou problemas de saúde complexos, como o câncer ou a AIDS, estão mais propensas a ter transtorno depressivo.

Pessoas que abusam de medicamentos ou drogas também correm maior risco.

Grupos minoritários e que sofrem violência física ou psicológica também estão mais expostos à depressão.

Crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual ou de fenômenos como o bullying, por exemplo.

Homossexuais, indígenas, mulheres, prisioneiros e pessoas vítimas de situações de guerra são outros exemplos de grupos que vivem realidades difíceis.

Além disso, traumas e situações da história de vida de cada um podem afetar a saúde mental e impulsionar uma depressão.

Causas que podem ser evitadas

Pessoas que trabalham excessivamente, vivem rotinas muito estressantes, cuidam de um familiar doente, enfrentam um grande luto ou passam por crise financeira, também podem acabar desenvolvendo o transtorno depressivo.

Alguns fatores comportamentais aumentam o risco de depressão. Fique atento a eles e evite: alimentação desregulada, excesso de peso, sedentarismo e abuso de cigarro, álcool e outras drogas.

Para prevenir o transtorno depressivo e várias outras doenças físicas e emocionais é importante buscar uma rotina saudável e ter qualidade de vida.

Como tratar o transtorno depressivo?

A melhor forma de tratar a depressão é buscar atendimento de qualidade.

Comece procurando um psicoterapeuta. Se ao conversar com você, ele considerar indispensável a utilização de remédios, vai indicar também atendimento psiquiátrico.

Os medicamentos não são usados em todos os casos de transtorno depressivo, mas podem ser fundamentais para ajudar a pessoa a lutar contra o problema.

Há diversos antidepressivos disponíveis e, em geral, eles trabalham para regular a química cerebral e aumentar a disposição e energia.

Muitas vezes eles são necessários para que a pessoa consiga aderir ou prosseguir com o tratamento psicoterapêutico.

É muito importante não focar apenas na medicação, pois é na terapia que as raízes da depressão serão tratadas efetivamente.

Para fortalecer os efeitos do tratamento, é muito importante que a pessoa faça mudanças significativas na sua rotina.

Algumas dicas

Diminuir o fluxo de trabalho, tomar distância de contextos adoecedores, praticar exercício físico, melhorar a alimentação, desenvolver hobbies e largar vícios são exemplos de comportamentos que agregam qualidade de vida e ajudam a superar a depressão.

Para lutar contra o aumento de casos de depressão no Brasil e no mundo, o primeiro passo é a informação de qualidade.

Se você se identifica com os sintomas ou tem algum conhecido passando por isso, marque uma consulta com um psicólogo.

Contatar um profissional capacitado em saúde mental é o melhor caminho para se cuidar!

Você está se perguntando se tem transtorno depressivo? Responda esse questionário de ansiedade e depressão!


REFERÊNCIAS

Beck, Aaron T., and Brad A. Alford. Depressão: causas e tratamento. Artmed Editora, 2016.

Brito, Isabel. “Ansiedade e depressão na adolescência.” Revista Portuguesa de Clínica Geral 27.2 (2011): 208-214.

Delouya, Daniel. Depressão. Vol. 5. Casa do Psicólogo, 2000.

Psicologia Viva

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2 Comentários

  1. Já trabalhei com projeto de segurança contra pânico em locais abertos ao público.
    Médico apoia e tem apoio e impulso da industria e das 56 especialidades e, no país, da crença exagerada na propaganda.
    Pelo o que eu sei, a psicologia no momento não vende tanto assim.

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