Desenvolvimento pessoal

Viver plenamente: um novo olhar sobre as dificuldades emocionais

Um ser que se desenvolve

Pensar no ser humano é pensar em um ser em desenvolvimento, um ser de relação consigo, com o outro e com o mundo. No intricado contexto em que se encontra o indivíduo vai se desenvolvendo ao longo da vida, onde pode adotar atitudes saudáveis ou não dependendo de cada um, do meio e da maneira em que a pessoa encontra para se ajustar diante das dificuldades.

Na infância, os pais ou cuidadores são de suma importância para um desenvolvimento saudável da criança, pois para a abordagem da Gestalt–terapia o desenvolvimento tem a ver com a forma como a pessoa estabelece contato nas relações durante sua vida.

Cabendo aos pais ou cuidadores confirmar esta criança em suas experiências, fazê-la sentir-se acolhida, além de estarem abertos à satisfação das necessidades da mesma. Além da família, no decorrer da sua existência, a criança vai se relacionando com outras pessoas e grupos, onde na relação mútua com este mundo não ocorre a separação dos acontecimentos externos e dos fenômenos internos.

Para Aguiar, 2014, o ser humano visto pela Gestalt–terapia é essencialmente relacional. O ser humano cresce e desenvolve-se ao longo do tempo na relação e a partir dela: nós existimos a partir da relação, e não há outra forma de construirmos a não ser na relação.

É na interação ininterrupta com o mundo, desde o momento do nascimento até o fim de sua vida, que o ser humano diferencia-se, transforma-se e desenvolve-se como uma pessoa com características próprias. 

Como um ser relacional, o homem é influenciado pelo meio, além de também influenciar este, a criança, por exemplo, muda a rotina, a organização de uma casa, ao tempo que também se utiliza deste meio para a satisfação de suas necessidades para tornar o meio o melhor possível para si. O ser humano é um ser em processo, não é estático, não é isso ou aquilo de forma definitiva. 

Dificuldades emocionais do ser humano:

A maneira como cada pessoa lida com as situações da vida além de singular é também entendida/compreendida no meio em que vivencia suas experiências, sendo de suma importância como ela se sente e experimenta o que o meio lhe proporciona, tentando se ajustar ao que tem no momento da melhor maneira.

Ao passo que também influencia o mundo, o indivíduo também precisa estar conectado consigo para sentir e perceber suas emoções e sentimentos neste intricado contexto. 

Para a abordagem da Gestalt-terapia um conceito bastante relevante é o de contato. Que nada mais é do que reconhecer a si e o outro em um movimento de se conectar e se afastar. Posso estar em contato apenas comigo quando me conecto com minhas dores, emoções, estando aberto a um aprofundamento.

Na relação com o outro e com o ambiente também estou em contato quando me conecto com esta relação, ao passo que também me afasto de acordo com as minhas necessidades ou não. Nem todo contato ocorre de forma saudável, sendo necessário, por vezes, um maior aprofundamento em si para que a pessoa perceba quais suas dificuldades, perceba como se relaciona com o meio, através do pensar, sentir, falar e do fazer.

É preciso uma tomada de consciência para que a pessoa perceba a si próprio e identifique suas reais necessidades, sabendo que há uma fluidez neste processo, pois o que agora é necessidade amanhã pode não ser.

Ao passar pelo processo de autoconhecimento, o indivíduo pode identificar também ferramentas que o ajudarão a lidar com suas problemáticas, adquirindo autosuporte e autoconfiança nas dificuldades.

Abaixo estão elencadas algumas situações em que as pessoas vivenciam dificuldades emocionais:

  • Desemprego;
  • Sobrecarga de trabalho;
  • Violência física e psicológica;
  • Problemas familiares;
  • Dificuldades na educação dos filhos;
  • Fim de relacionamentos;
  • Problemas sexuais;
  • Conflitos na relação de trabalho;
  • Isolamento social;
  • Doenças físicas;
  • Dificuldades de inserir-se em grupos;
  • etc.

Ao vivenciar suas experiências, o indivíduo por vezes pode sentir-se desestabilizado emocionalmente e a partir daí desenvolver inclusive sintomas psicológicos.

Vale citar também o suicídio como algo que vem ocorrendo muito no Brasil, sendo de extrema importância a reelaboração e ressignificação das experiências do indivíduo para que possa viver de forma mais consciente suas problemáticas, encontrando por vezes novos caminhos em sua história.

Neste sentido, a psicoterapia torna-se uma forte aliada no processo de autoconhecimento e aprofundamento em si, onde o indivíduo passa a vivenciar e expressar as dificuldades para poder ressignificá-las e perceber como elas acontecem, bem como entrar em contato com as emoções e reais necessidades envolvidas. 

Como lidar com as minhas dificuldades emocionais?

Na abordagem da Gestalt-terapia, o indivíduo passa por uma ampliação de consciência que é chamada de awareness, onde, através de experimentos, expressões verbais e aprofundamento em si, o indivíduo tem a possibilidade de se conhecer com profundidade e reelaborar suas dificuldades e vivências.

Como elencadas acima, são várias as situações que o indivíduo vivencia, e nestas experiências ele pode agir de forma desajustada e mesmo sentir um desequilíbrio emocional, como por exemplo, não saber identificar a real necessidade ou os sentimentos e emoções que estão envolvidos.

Necessário se faz perceber o que o faz sentir-se desta maneira, como isso ocorre, a intensidade, além de também conhecer e aprofundar-se em seus recursos internos e externos para melhor lidar com a situação. É um processo que demanda disposição e abertura e um certo tempo para que ocorra o aprofundamento.

Experimentar, perceber, sentir e expressar as emoções e dificuldades é imprescindível na situação em que se encontra. 

Para Perls (1977), inicia-se desde a infância um “acúmulo de lixo”, o que faz com que o indivíduo baseie suas decisões e regras em padrões morais, por exemplo, onde o indivíduo decide reprimir a raiva em relação aos outros porque isso não é legal ou que chorar é sinal de fraqueza, usando da racionalidade para tomar decisões. Por vezes, o acúmulo de lixo faz com que a pessoa exploda de repente, magoando a si mesma.

Este “acúmulo de lixo emocional” por vezes prejudica a saúde mental e física, levando também a uma vida sem a consciência de suas reais necessidades e emoções, com frustrações e levando também ao não desenvolvimento de suas capacidades e habilidades, fazendo por vezes que a vida se torne para o indivíduo algo muito penoso ou difícil. 

Desta forma, o indivíduo pode construir novos sentidos e eliminar este lixo emocional que por vezes o faz viver de forma cristalizada. Entrar em contato com as emoções, com as ferramentas emocionais que possui e também aprimorá-las é um processo fluido, levando a uma vida consciente de si e mais plena mesmo diante de vivências difíceis e dolorosas.

 

Referências Bibliográficas:

PERLS, F. S. A abordagem Gestáltica: testemunha ocular da terapia. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1988. 

PERLS, F. S. Escarafunchando Fritz: dentro e fora da lata de lixo. 3. ed. São Paulo: Summus, 1979. 

RAYSSA MAZZA DE CASTRO ALENCAR
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