Desenvolvimento pessoal

Os primeiros passos para entender a si mesmo através das emoções

Em nossa sociedade frequentemente crescemos aprendendo que o bom comportamento ou o comportamento civilizado é aquele que controla ou elimina suas emoções. Com isso, passamos a buscar constantemente disfarçar o que sentimos. O que explica o fato de uma das buscas mais recorrentes em pacientes ser “como inibir alguma emoção”.

O que acontece é que ao ignorar constantemente o que sentimos, deixamos de lado algo muito importante: as emoções não surgem do nada. A causa da emoção pode vir de alguma desordem orgânica ou uma resposta vivencial, de um modo ou de outro, há algo acontecendo para que elas sejam geradas.

Ser inteligente emocionalmente está mais relacionado a estar consciente das suas emoções do que a não ficar chateado, estressado ou triste com uma situação. É importante que se tenha controle das atitudes que podem vir derivadas de uma  emoção, mas isso não significa que não possamos senti-las, ou que elas não tenham sua importância.  

Existem partes fisiológicas e cognitivas na emoção que afetam o nosso comportamento. Elas se apresentam fisicamente através das expressões faciais e reações corporais como quando o coração acelera, a barriga dói, aumenta-se o suor.

Abrange também elementos cognitivos, já que o nosso entendimento e avaliação do significado do que está acontecendo, pode alterar a forma como somos afetados por uma situação.

Deste modo, suas emoções estão relacionadas às suas vivências e compreensões a respeito de algo, e podem estar te indicando como algo que está acontecendo em sua vida está te afetando. Assim, as emoções têm funções a serem cumpridas e quando ouvidas podem deixar de existir ou diminuir, porém quanto mais as negamos, mais tempo elas permanecem afetando comportamentos, relações e podendo até mesmo gerar adoecimento.

Você já pensou o que as emoções como a tristeza, a raiva e o medo, podem estar tentando comunicar a você?!

O que desperta as emoções

Uma porta se abre e uma pessoa aparece. Esse é o fato! Mas a emoção que surgirá em cada um depende dos significados que cada um atribui à chegada daquela pessoa. Assim, a chegada dessa pessoa pode gerar sentimento de felicidade em algumas e de raiva em outras. Cada pessoa se afeta com as  situações de forma única e particular, pois carrega consigo as vivências da sua própria história.

Um passo para começar a entender uma emoção é compreender como aquela situação o afeta, ou o que está acontecendo que está fazendo com que você se sinta desse modo.

A tristeza

Tende a ser aquela emoção apresentada por uma postura mais introspectiva, diminuição da energia, sensação de desânimo, insatisfação e indisposição. Comumente está relacionada a uma perda. A tristeza comunica um incômodo, aponta que algo não está bem, e possibilita um tempo de elaborações e assimilações, para que se encontre um novo jeito de conseguir aquilo que precisa ou deseja.

O organismo mais introspectivo, comum em momentos de tristeza, pode ser pensado também como uma proteção para elaboração de um momento. Ficar triste não resolverá o que não está bem em sua vida, mas ajudará você a perceber que existe algo para ser cuidado e assim buscar formas para solucionar a questão.

A Raiva

Está relacionada com a frustração e quebra de limites.  De modo que a raiva costuma comunicar que seus limites foram invadidos, algo que você gostaria que acontecesse não aconteceu ou algo que você deseja não é possível. 

Ao nível cognitivo, pode ser caracterizada por uma dificuldade em manter a calma e o autocontrole. A frustração e a indignação podem também aparecer em forma de pensamentos repetitivos, que podem gerar uma irritabilidade para com aquilo que se atribui como seu causador. A raiva é útil por proporcionar energia para que você se defenda, e quando bem canalizada pode ser também uma força para ajudar você a resolver situações e lutar por algo importante.

Medo

O medo é um alerta do organismo para nos proteger de situações que possam ser perigosas, incluindo aquelas que possam ser também psicologicamente ameaçadoras.

Deste modo, ele está ali para ajudá-lo a EVITAR, PREVENIR, PRECAVER e PREPARAR para algo.

Se você está em uma rua deserta, conhecida por assaltos a uma altura da noite, e você percebe alguém se aproximando, seu medo é um alerta para uma possível situação de risco. Quando as ameaças são imediatas costumam levar a ações de congelamento ou fuga, aumentando sua tensão muscular e te deixando mais vigilante, provocando uma sensação de maior estado de alerta.

A preocupação com uma possível ameaça costuma aumentar a forma como somos afetados por ela, ou seja, se está com medo de uma prova, provavelmente se sentirá mais afetado por ela no seu dia. Nesta situação, podemos pensar que o medo está indicando a necessidade de se preparar para algo muito importante. Saber que tem o domínio do conteúdo da prova, poderá trazer uma sensação maior de segurança, podendo diminuir consideravelmente o medo nesta situação.

Porém, provavelmente, se você não se preparar, a tendência é esta sensação se tornar ainda mais intensa. 

Já o medo desproporcional não tem relação com a situação real e não se reduz à medida que se enfrentam situações, nestes casos é importante que você compreenda os significados que você atribuiu ao objeto ao longo de sua história e as suas construções a respeito.

Deste modo, interagir com suas emoções é parte importante para poder compreendê-las. Ao levar o olhar para si mesmo e se perceber nas situações e como elas te afetam, você poderá começar a entender também quais incômodos podem estar ali presentes e estão sendo sinalizados nas suas emoções.

No contraponto, ao ignorar as emoções, elas podem aflorar de forma muita mais intensa como através de uma angústia, depressão e ansiedade.

A psicoterapia deve te ajudar a reconhecer, aceitar e encontrar formas de expressar suas emoções, ajudando você a integrá-las e compreendê-las como parte de si.

 

Referências

  1. Arruda, M. D. J. F. C. (2014). O ABC das emoções básicas: Implementação e avaliação de duas sessões de um programa para promoção de competências emocionais. Tese de Doutorado. Departamento de Educação, Universidade de Açores, Ponta Delgada, Portugal.
  2. BANHATO, Eliane Ferreira Carvalho. REFLEXÕES SOBRE OS BENEFÍCIOS DA TRISTEZA SEGUNDO A NEUROCIÊNCIA E A ARTE FÍLMICA DIVERTIDA MENTE. CES REVISTA | Juiz de Fora | v. 33, n. 2 (2019).
  3. BRAGHIROLLI, Elaine Maria et al. Psicologia geral– 9 ed. rev. e atual. Porto Alegre, Editora Vozes, 2007.
  4. FELDMAN, Robert S. Introdução à psicologia. Porto Alegre, AMGH Editora, 2015.
Irene Maria de Freitas Morais Pinheiro
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