Desenvolvimento pessoal

Estou formada(o), e agora?

Acabou de se formar e não sabe qual o próximo passo? Este texto é para você!

Entrar em uma universidade é o sonho de muitas pessoas. Para algumas, chega a ser visto como uma obrigação, uma etapa necessária para o desenvolvimento profissional. O desafio se inicia logo no processo seletivo, e a partir daí passamos por diversas avaliações, umas mais difíceis que as outras, até chegar ao almejado diploma. 

O processo de graduação pode ser um grande estressor. Os mais comuns são os trabalhos em grupo, mas também não podemos esquecer dos trabalhos individuais, alto volume de textos a serem lidos, as avaliações que preparam o aluno para o Trabalho de Conclusão de Curso, que, em algumas Universidades, chega a ser considerado um grande monstro.

Certas vezes, pode ser passada ao aluno a mensagem de que todo aquele esforço valerá a pena, pois a conclusão de um curso universitário garantiria melhores chances no mercado de trabalho, o que tem sido questionado nos dias atuais com o aumento do desemprego.  

Os jovens estão entre os mais afetados pelo desemprego no Brasil e a graduação não os deixa longe das estatísticas. O ingresso no mercado de trabalho se mostra mais difícil do que anos atrás, mas a cobrança é a mesma, talvez até maior. Em era de redes sociais, na qual apenas as conquistas importam, a sensação de fracasso ecoa na mente dos jovens desempregados.  

A culpa é do estagiário? 

Nos últimos anos da formação, dependendo da graduação, o aluno é submetido ao processo de estágio, que pode muitas vezes submete-lo a uma relação de trabalho abusiva.

Você provavelmente já entrou em contato com algum trabalho realizado de forma insatisfatória que foi creditado a um estagiário. A “brincadeira” é relacionada a uma possível falta de experiência, que resulta em um trabalho ruim. Em uma pesquisa breve em sites de vagas, encontram-se ofertas diversas de estágio para diferentes áreas. Uma infeliz coincidência, na maioria delas, são os salários baixos e alta carga de trabalho e responsabilidade. 

Por estar em fase de desenvolvimento profissional e todo aprendizado ser válido, um estagiário pode se submeter a trabalhos que ocupam grande carga horária e acabar sendo prejudicado nos estudos. Poucas horas de sono, alimentação inadequada, alta pressão e até mesmo condições ruins de transporte público nos grandes centros são responsáveis pelo adoecimento mental de muitos jovens. 

Se você passa ou passou por uma situação de trabalho como essa, saiba que você não está errado em se sentir cansado ou esgotado. Ao identificar esta sensação, respeite os seus limites humanos e busque ajuda de profissionais de saúde e de sua rede de apoio. Afinal de contas, todos têm limitações e não é uma fraqueza admitir isso, muito pelo contrário.

Não é necessário chegar à exaustão para se provar um bom funcionário, uma pessoa competente. Alguns sinais de exaustão são:

  • Desânimo recorrente,
  • Sono constante,
  • Irritação,
  • Dores estomacais e de cabeça,
  • Dificuldade para concentrar-se e até uma vontade de chorar sem explicação lógica, por exemplo. 

O diploma chegou e o emprego não?

Concluir uma graduação é um grande mérito. Se você conseguiu graduar-se, mas não conseguiu um emprego na área logo de cara, alguns pensamentos ruins podem aparecer. Como por exemplo, questionar suas habilidades. E isso te trazer grande sofrimento.

Pode ser que o emprego ainda demore a chegar, mas você não se importa com as notícias alarmantes de desemprego e tem uma tendência a culpabilizar a si próprio por não alcançar uma vaga no mercado de trabalho. 

Se este é o seu caso, você pode estar enfrentando um inimigo potente, que na Terapia Cognitiva Comportamental, chamamos de distorção cognitiva. Isto é, você está interpretando uma situação ameaçadora de uma forma distorcida, sem levar em consideração seus méritos anteriores.

Cometemos vários tipos de distorções de pensamento, elas podem ocorrer em diversos momentos da vida, por exemplo:

  • Colocar em nós mesmos uma culpa maior do que temos em alguma situação,
  • Acreditar que um pequeno evento é uma verdadeira catástrofe,
  • Interpretar uma situação com base em uma emoção,
  • Rotular um grupo de pessoas com base nas características de uma pessoa, e até mesmo
  • Quando nos colocamos no papel de vítima. 

As distorções cognitivas não mudam os fatos em si, mas alteram nossa percepção sobre eles. Impede-nos de pensar racionalmente sobre determinada situação, podem aumentar nossa ansiedade e/ou estresse e até mesmo dificultar a resolução de problemas.

Combater as distorções cognitivas não é uma tarefa fácil, pois, infelizmente, elas não vêm com tecnologia o suficiente para ligarmos e desligarmos quando queremos. Porém, sabendo que elas existem, podemos diminuir o efeito delas. 

Não estar empregado não te torna um fracasso

É comum que pessoas desempregadas venham a experimentar a sensação de sentir-se um fracasso ou ser insuficiente.

Esta concepção traz muita dor, tristeza, ansiedade e/ou raiva. Esta sensação, que é uma manifestação de uma crença disfuncional, por sua vez, pode tornar cada vez mais difícil conseguir um emprego, uma vez que pode te trazer ou agravar a insegurança e medo do futuro. 

Se você conhece alguém que está neste período em sua trajetória profissional, fique atento, pois quanto maior essa sensação, mais difícil pode ser sair dela. Se você pertence ao grupo que conhece uma pessoa que está passando por uma situação de desemprego, mostre-se disponível para ajuda-la, mostrando seu apoio e carinho.

É comum que a pessoa que esteja passando por isso se sinta muito sozinha. Como mencionado no início deste texto, as redes sociais e suas conquistas podem trazer a essa pessoa a percepção de que ela é a única passando por uma fase desagradável. Evite fazer cobranças exageradas e encoraje esta pessoa a buscar ajuda de profissionais especializados. 

O medo irracional de fracasso pode estar por trás de comportamentos como a procrastinação, que tanto atrapalha o nosso cotidiano. Se você se vê procrastinando muito e deixando de concluir metas e tarefas, preste atenção aos seus pensamentos. Estabelecer metas com prazos pode auxiliar bastante na busca de um emprego, mas é importante que uma dessas metas seja cuidar do fator mais importante neste processo: você! 

Isabella Garcia Riviti
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