Desenvolvimento pessoal

A busca do “feliz para sempre”

É possível ser feliz para sempre?

Desde pequenos, aprendemos sobre os contos infantis, e é criado em nossa mente a idealização de um final feliz. As histórias contadas terminam com a famosa frase: “foram felizes para sempre!” 

Crescemos desejosos que finalmente sejamos felizes. Imaginando o meu próprio conto de fadas! Meu desejo é um dia ser feliz! E feliz para sempre! A vida adulta chega e a esperança de que algo possa mudar e melhorar não acompanha as expectativas da infância ou adolescência, logo temos que lidar com a frustração de que o final feliz não chega com a idade adulta. E entramos num ciclo vicioso sempre esperando um acontecimento, um aniversário, um casamento, uma conquista para que o feliz para sempre chegue!

Inicia e finaliza mais um ano nessa busca infinita e cansável de ser feliz. Cansável pois causa estafa, perrengue, insônia, estresse, preocupação, desgosto, dúvida: O que farei amanhã? Será que serei feliz? E não se chega. 

O feliz para sempre não existe e sofremos esperando isso: “sei que uma hora isso tudo vai passar, e minha vida vai ficar mais arrumada!” Ou ainda: “Mas eu só enfrento chuvas e tempestades!”  

Na chuva também se encontra beleza, até mesmo na tempestade há aprendizado e sobrevivência. Em qualquer situação que seja, por mais desafios que nos traga, por maior que seja a tragédia, há algo que podemos aprender e nos fortalecer.

E quando a tempestade e a chuva passam, para alguns, ainda assim teremos nossas preocupações e desconforto. Mesmo que a situação melhore, que tenhamos conquistas, que tenhamos sombra e sol, sempre estaremos arrumando algo na nossa vida, organizando, se preocupando, mesmo que às vezes a tempestade passe.

O momento presente é bastante desafiador! Mas é o que temos para hoje! O ser humano não é a situação que acontece com ele, e sim como ele interpreta e o que faz com a situação.

“Os homens não se perturbam pelas coisas que acontecem, mas pelas opiniões e interpretações sobre as coisas”Epicteto.

O feliz para sempre é o momento agora, o que aprendemos com as situações que acontece conosco, as quais não temos controle, e o que escolhemos fazer com elas, o nosso fazer e ação é algo que está no nosso campo de escolhas, podemos cuidar mais de nós e dos outros, melhorar a rotina, buscar hábitos saudáveis, investir em relações sociais boas. Com esse entendimento, amadurecemos e criamos autonomia sobre nossas vidas.

Em momentos de crise como esse que estamos passando é de extrema importância esse entendimento que mesmo em situações de crise podemos crescer, amadurecer e fazer do limão uma limonada.

Antes de qualquer coisa, precisamos ser compassivos conosco.

Três passos para melhorar a rotina

Segue 3 passos pelos quais podemos melhorar a nossa rotina, fazer escolhas assertivas e condizentes com nosso valores, possibilitando a transformação, movimento e crescimento, mesmo em cenários de crise.

Escuta e Observação

Pare um pouco agora e fale lentamente para si mesmo: “Eu te proíbo de pensar num lago escuro!”. Novamente fale: “Eu te proíbo de pensar num lago escuro!” 

Agora observe! Costumamos falar para nós mesmos: “Tente controlar a ansiedade! Não pense na ansiedade! Você não pode e não deve sentir ansiedade.”

É possível perceber nesse exemplo que quando tendemos a evitar só piora e agrava? Você conseguiu não pensar num lago escuro? Se sim, feche os olhos e repita, novamente, em voz alta! Acabamos imaginando um lago escuro. Assim também acontece com nossas emoções quando tentamos evitá-las. Será que vai conseguir se esquivar das próprias emoções?

Evitar entrar em contato com nossas emoções e pensamentos pode se tornar prejudicial. A esquiva é problemática e precisa ser corrigida. Ela acontece principalmente porque algumas palavras têm uma conotação negativa na nossa sociedade, exemplo: tristeza, ansiedade, luto.

A esquiva é reforçada pela cultura que dá um peso negativo a alguns sentimentos. Frase que ouvimos com alguma frequência: “Sofrimento é sinal de que algo está errado”, “pessoa saudável não tem sofrimento psicológico, tristeza e sentimentos negativos.”, etc.

Reduzir e eliminar os sintomas nem sempre é necessário, tudo vai depender do contexto que estamos inseridos, da interpretação que temos da situação.

Além de que, a emoção pode ser boa ou ruim, pode ser adaptativa, contribuindo para enfrentar as adversidades do dia a dia, e a aceitação colabora para a melhor elaboração do luto. Será que os tempos estão propícios a esses sentimentos de tristeza, luto, solidão? O que aconteceu em meu ambiente, em que contexto eu estou

Aceitação

Aceitar o sentimento e emoção sem julgá-los como bons ou ruins, contribui para melhorar a consciência do comportamento que tenho diante de uma situação, no momento atual.

“Acabei por me convencer de que quanto mais um indivíduo é compreendido e aceito, maior sua tendência para abandonar as falsas defesas que empregou para enfrentar a vida, maior sua tendência para se mover para frente.” (Carl Roger – retirado do livro: Tornar-se Pessoa)

As emoções negativas são naturais e fazem parte da vida. A vida tem altos e baixos e está tudo bem ficar triste! Evitar não pensar em algo, acaba piorando o desconforto! Evitar emoções não é saudável para a nossa mente.

Ao se prender nessa esquiva das emoções, deixamos de viver nossos valores e anseios, conhecer o que realmente importa para nós mesmos, ficamos no automático, tentando não sentir. A vida não é linear, é um desequilíbrio entre altos e baixos

Dessa forma acabamos gastando toda nossa energia evitando viver os sentimentos ruins, e ficamos sem disposição para viver as coisas boas da vida. 

A aceitação dos nossos sentimentos e emoções é importante para o processo de se comprometer com a mudança, contribui para aumentar a consciência de nossas prioridades na vida, nossos valores, e o que realmente importa e faz sentido, melhora nosso foco em viver os nossos reais valores.

Ação

Mudar, inicialmente, significa aceitar sua condição. 

Com a aceitação aprendemos a permanecer em contato com os pensamentos indesejados, não é porque tenho sentimento de tristeza e ansiedade que vou parar a vida, mesmo com algum nível de tristeza consigo fazer uma atividade. O problema não é o sentimento em si, mas o desgaste que passamos ao querer expulsar os pensamentos e sentimentos. 

“Não aguento essa adversidade” implica não tolerar sequer pensar no assunto. Se for assim, como você poderá encontrar uma solução?” (retirado do livro como conquistar sua própria felicidade, de Albert Ellis)

Como já foi dito acima, a aceitação é importante para se comprometer com a mudança, contribui para aumentar a consciência do nosso próprio comportamento: “por que estamos assim?”, “isso é importante para mim?”, “por que estou agindo assim?”. 

Com esses questionamentos conseguimos partir para a ação, flexibilizar o comportamento: “o que podemos fazer com a situação que nos sentimos assim ?”, “como posso melhorar a interpretação dessa situação, etc. e isso permite que tenhamos um repertório comportamental mais amplo. Aumentando nossas opções, permitindo que encontremos rotas alternativas na vida que nos leve em direção às nossas metas e propósito de vida.

Resgatar o que é essencial e que faça sentido para nós mesmos, gastar nossa energia para direcionar nosso comportamento!

Sim, vai passar! Podemos sobreviver ao desconforto e seguir a vida!

“Você é simplesmente uma pessoa que ora acerta, ora erra; é uma pessoa que tem pensamentos, sentimentos e atitudes que são positivos, negativos e neutros”. (Albert Ellis)

Uma pessoa que pode fortalecer a esperança, esperando o melhor do futuro e trabalhando para alcançar esse melhor, certamente alcançara seus objetivos. Lutar, enfrentar o desconforto e aprender a apreciar o agora… Nosso momento é o agora, o que eu escolho fazer com o que tenho para hoje permite com que eu possa encontrar outras rotas.

Se você chegou até aqui, de alguma forma esse texto fez sentido para você, acrescento que o que foi dito até aqui é potencializado no processo terapêutico, além do autoconhecimento que é inerente ao processo da psicoterapia, o acompanhamento com um profissional da área de saúde mental capacitado possibilita melhorias diárias na rotina, e juntos, colaborativamente, é possível que paciente e terapeuta tracem rotas alternativas que propiciem mais qualidade de vida, fortalecendo a resiliência para lidar com as situações adversas da vida, além de melhorar o que temos para hoje!

É possível ser feliz agora! 

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