Desenvolvimento pessoal

Fobia social: o medo de falar ou aparecer em público como sofrimento psíquico 

1. Introdução: O que é? Como é classificado? 

O transtorno de ansiedade social (TAS), conhecido também como fobia social, faz parte da classificação no DSM-5 dos transtornos ansiosos. É definido como um medo constante e marcante de sentir-se exposto, rejeitado, avaliado em uma ou mais situações ou desempenho em âmbito social. Há da parte da pessoa a insegurança de demonstrar a ansiedade, ou seja, insegurança que as pessoas percebam que o indivíduo está se sentindo ansioso através dos seus comportamentos, assim como devido às suas reações fisiológicas e que isso gere uma situação constrangedora para esse sujeito.

Vale ressaltar que a preocupação com a sua aparência, acarretada pela sua baixa autoestima e somado ao medo constante do que as pessoas vão opinar sobre ele de forma geral, são fortes diferencias na identificação e diagnóstico do TAS. Devido a isso, o sujeito acaba isolando-se socialmente ou passa por situações sociais com alto sofrimento psíquicos e, consequentemente, terá as suas habilidades sociais comprometidas. 

A fobia social é altamente prevalente na população jovem e quando não há nenhuma intervenção precoce de cunho psicológico e psiquiátrico, apresenta um curso de quadro clínico crônico e incapacitante. Dessa forma, há prejuízo em todas as áreas da vida do sujeito, acarretando prejuízos significativos no que diz respeito à sua qualidade de vida.

Estima-se que os sujeitos com transtorno de ansiedade social demoram cerca de 10 anos para procurarem ajuda de um profissional da área de saúde mental. Dessa forma, são comuns comportamentos de ausência no trabalho, o que gera um índice alto de desemprego nesse público, por exemplo. 

Classifica-se o TAS em dois subtipos:

1.1. Fobia social restrita

Limita-se a uma ou duas situações sociais específicas. Inicia-se normalmente a partir dos 10 anos de idade. Pode ser influenciado por algum fator que age como gatilho para início do quadro clínico, tendo em vista que é caracterizado por surgir de forma súbita. Alguns exemplos de fobia social restrita são: comer ou falar em público.  

1.2. Fobia social generalizada

Nota-se que aparecem sinais corporais (tremor, sudorese, taquicardia, boca seca, espasmos musculares) e comportamentais (evitação – mexer no celular constantemente, ficar com um copo de bebida na mão, sentar isolado na sala de aula) na maioria das situações sociais. Esse quadro clínico, é prevalente em homens; inicia-se precocemente; apresenta taxas de comorbidades significativas. Devido a isso, há prejuízos em todos os âmbitos na vida do sujeito. Por exemplo: participar de festas; iniciar e manter uma conversa com uma pessoa desconhecida; apresentação de trabalhos escolares ou projetos na empresa em que trabalha. 

2. Avaliação psicológica e tratamento do Transtorno de Ansiedade Social na abordagem da Terapia Cognitiva Comportamental (TCC)

A avaliação psicológica na abordagem da TCC para investigação do TAS gira em torno do uso de técnicas como:

  • Anamnese clínica e anamnese objetiva;
  • Escalas;
  • Diários de automonitoramento.  

Através desses recursos, serão investigados fatores importantes como: história de vida do paciente; histórico de transtornos mentais no ambiente familiar; ansiedade antecipatória à situação; quais são os comportamentos diante de uma exposição; se há comportamento de evitação e/ou fuga para que não ocorram crises de ansiedade; quais são as suas habilidades sociais; se há rede de apoio; como está o autocuidado e a autoestima; quais foram os eventos sociais que ocorreram em que ele percebeu que havia sofrimento psíquico; inventário dos sintomas desencadeantes dos sintomas de ansiedade; como o paciente responde em seus níveis cognitivos, emocionais, comportamentais. 

Ao término da avaliação psicológica, deve-se ter a conceitualização cognitiva do paciente para que seja construído, a partir daí, o plano de ação terapêutica para que seja dado início ao tratamento psicoterápico. É importante que o psicólogo encaminhe o paciente para uma avaliação com médico psiquiatra, para que esse profissional veja a necessidade ou não de prescrição de medicamentos e se for necessário, será realizado pelo médico especialista um plano de intervenção medicamentosa com os remédios que forem necessários para melhora do quadro clínico. 

O tratamento por parte da abordagem psicológica, tem como objetivos principais: a diminuição da ansiedade que surge antes mesmo de ocorrer a situação considerada como gatilho, assim como a diminuição dos sintomas fisiológicos; diminuição das limitações e prejuízos que o TAS acarreta para o paciente; redução dos comportamentos de evitação; atenuação da ansiedade causada pela crença cristalizada da avaliação negativa dos outros e diminuição das cognições relacionadas à autoavaliação negativa. 

Algumas técnicas que são utilizadas nos atendimentos individuais para o tratamento do Transtorno de Ansiedade Social são: 

  • Psicoeducação; 
  • Seta descendente;
  • Hierarquia;
  • Entendendo a ansiedade social. Crenças: sobre si, os outros e o mundo; 
  • Treino de habilidades sociais;
  • Exposições graduais. 

É importante ressaltar que as técnicas vão sendo utilizadas de acordo com a evolução do paciente, respeitando o seu tempo e o seu ritmo de adesão ao tratamento. A técnica de exposição gradual, por exemplo, já é mais avançada e não deve ser feita com o paciente antes que seja estabelecida uma aliança terapêutica e muito menos antes que o mesmo já tenha dessensibilizado cognitivamente.  

Treinamento de habilidades sociais 

O treinamento de habilidades sociais se faz essencial no tratamento do Transtorno de Ansiedade Social devido os prejuízos sofridos pelo paciente estarem diretamente ligados à dificuldade de comunicar-se, seja nas relações interpessoais ou em se expor em público através de apresentações no âmbito escolar ou de trabalho. 

O treinamento de habilidades sociais se divide em duas partes: a primeira é chamada de planejamento.

Nesta etapa, o psicólogo irá avaliar quais são as habilidades sociais do paciente através do uso de entrevistas e instrumentos avaliativos.

A segunda fase, é a aplicação do treinamento.

É nessa fase que será possível observar como o paciente se comporta diante de uma situação que para ele gera um sofrimento psíquico. A partir disso, será realizada a restruturação cognitiva, mudando a sua forma disfuncional de pensar, obtendo, assim, mudanças comportamentais positivas. 

Para que o treinamento ocorra da forma esperada, é fundamental que o psicólogo faça a psicoeducação durante todo o processo para que não ocorra fragilização na relação terapêutica e desistência do tratamento. Vale ressaltar que é através da realização do paciente de construir em seu processo psicoterapêutico uma habilidade mais assertiva, empática e com uma resolução de problemas de forma eficaz, que ocorrerá uma diminuição, podendo chegar em remissão em seu quadro de ansiedade social. 

Conclusão

A fobia social é uma realidade que atinge a vida de muitas pessoas, trazendo diversos prejuízos em todos os âmbitos da vida. Dessa forma, é importante que seja procurada ajuda de um psicólogo assim que se note os sintomas, antes que haja uma evolução no quadro ansioso, acarretando prejuízos maiores como o desemprego ou quebra de laços relacionais, por exemplo, devido a falta de habilidades sociais. 

Agradeço por ler esse texto que foi produzido com muito cuidado e carinho. Caso necessite de ajuda, pode contar comigo.

Lizandra de Oliveira Silva (CRP 03/16002)

Psicóloga (2017); Especialista em Dor (2018); Pós-graduanda em Terapia Cognitivo Comportamental. 

Lizandra de Oliveira Silva
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