Família

É possível ter uma gravidez mais leve?

Entendendo as alterações da gestação

A gestação é um período de transição na vida da mulher, o qual ocasiona alterações hormonal, corporal e até psicológica. Mudanças que ocorrem no decorrer de em média 40 semanas, em específico em 3 trimestre, na qual a cada um deles uma nova transformação acontece e um novo sentimento pode vir a surgir.

O primeiro trimestre ocorre desde a concepção até a 13º semana, é marcado pela ambivalência afetiva, afinal “estou grávida ou não”, já que nos primeiros dias não é possível sentir o feto, oscilações de humor podem estar presente, visto que as alterações hormonais já começam a ocorrer.

Outro fato importante a ser mencionado é a irritabilidade, pois é um período em que a gestante fica mais vulnerável emocionalmente, sendo capaz de chorar e rir ao mesmo tempo. Aspectos estes que dizem respeito ao emocional, sem mencionar os sintomas que fazem parte deste período, tais como:

  • Hipersonia,
  • Náusea,
  • Vômito,
  • Aversões a alguns alimentos, 
  • Desejos.

Seguindo para o segundo trimestre, que acontece da 14º semana até a 26º semana, a grávida apresenta estar mais estável emocionalmente, neste ponto começa de fato a concretização da gestação, visto que a mulher passa a sentir os movimentos fetais, além de ser o ciclo que se evolui para a descoberta do sexo do bebê.

Já em relação aos dados emocionais, medo das mudanças corporais podem surgir, outro elemento importante é a idealização das características do bebê, entre idealizar os traços, os relacionando com a “mãe” e o “pai”, afinal esse bebê será parecido com quem?

Encaminhando para o término da gestação, finalmente evoluímos para o terceiro trimestre, que se dá a partir da 27º semana. Neste período, altos níveis de ansiedade podem marcar o fechamento deste ciclo, o medo do parto pode causar grandes expectativas.

Claro que podemos mencionar também o temor às mudanças do corpo, pensamentos como “será que o meu corpo voltará ao normal?” podem surgir. Outro ponto que cabe citar é o medo da violência obstétrica, que se sabe que ainda ocorre com frequência, porém não é tão comentado.

Este é o período que além da ansiedade, também tem a probabilidade de rever memórias e conflitos emocionais que são atrelados à infância.

De acordo com as conformidades referidas, faz-se necessário iniciar o pré-natal psicológico para compreender os aspectos emocionais que irão surgir no decorrer da gestação, e até mesmo como prevenção a doenças psicológicas, tal como a depressão pós parto.

Além da oportunidade em rever a história do nascimento dessa gestante. Em decorrência da descoberta da gravidez, a mulher inicia uma série de acompanhamento com profissionais especializados escolhido por ela e/ou por sua família. Iniciando assim o pré-natal com especialistas tais como: obstetra, neonatologista, nutricionista, enfermeiros obstétricos, doulas e psicólogo perinatal.

Afinal, como enfrentar as transformações desse período?

Em virtude de ser uma fase transitória, é sugerido que essa mulher grávida/família tenha uma rede de apoio, não somente de pessoas especializadas, mas de parentes e/ou amigos que possam acolher essa mulher grávida ou essa família que está vivenciando as alterações do ciclo grávido puerperal. 

O papel da rede de apoio (R.A)

Estes têm o papel de acolher, escutar e cuidar dessa gestante, compreendendo assim suas emoções, acolhendo suas angústias, frustações e auxiliando no autocuidado.

Proporcionando um suporte físico, isto é, suporte como corpo que está vivenciando mudanças; com a casa, seja na higiene e ou até mesmo na preparação das refeições. Emocional, ou seja, propor um espaço de escuta, acolhimento, identificando possíveis soluções para aquele sentimento, e funcional, atrelada à função mesmo, que poderá cooperar nas idas ao mercado, em pagar uma conta, ou até mesmo se encarregar de resolver ações burocráticas.

A importância de identificar potenciais profissionais e uma rede de apoio faz toda a diferença para desfrutar desse período com leveza. Visto que toda a vivência deste período gestacional irá refletir no desenvolvimento do bebê, assim como acarretará a experiência do puerpério (pós-parto).

Acompanhamento psicológico na gestação, por que é necessário?

Vimos que a gravidez pode acarretar inúmeras transformações, não somente física, mas também emocionais. E todas as vivências existentes nesse ciclo entorno dessas médias de 40 semanas podem reverberar no puerpério de forma positiva e/ou negativa.

Por este motivo, desde a descoberta da gestação até o término dela, é recomendado acompanhamentos com toda uma equipe multidisciplinar, para que seja observado um todo, não somente os sintomas, mudanças corporais e/ou o bebê. Mas, que esta mulher parturiente receba todo um acolhimento e, que antes de tudo, seja visto enquanto mulher e não somente a mãe que nasce junto a chegada da criança.

Em virtude disso, o acompanhamento psicológico nesse período é de extrema importância, em especial com um psicólogo perinatal, que terá um olhar abrangente para estas mudanças presente no ciclo gravídico puerperal.

Em especial a realização do pré-natal psicológico, que fornecerá escuta, acolhimentos e claro, também a inclusão do seu parceiro nessa relação, através de orientações psicoeducativas. Toda essa assistência acontecerá do início ao término da gestação.

Afinal, o que é pré-natal psicológico?

O pré-natal psicológico (PNP) é uma assistência complementar ao acompanhamento ginecológico, o qual fornecerá uma assistência humanizada no processo gestacional, que acolherá não somente a mulher grávida, mas também o homem, que mesmo não muito mencionado, também vivencia os aspectos emocionais decorrentes deste período.

Vale ressaltar que o PNP possui caráter psicoterapêutico, psicoeducativo, na qual abrangerá a família como um todo, proporcionando apoio emocional, atuando diretamente na prevenção de adoecimentos psicológicos e claro que também auxiliando no vínculo com o bebê. 

Além disso, utiliza-se variadas técnicas no PNP, uma delas é a preparação emocional para o trabalho de parto, assim como na elaboração do plano de parto, que poderá ser utilizado para compreender suas expectativas, desejos, além de entender qual o tipo de parto, e se ela deseja analgesia.

Todas as atividades realizadas no acompanhamento psicológico contribuirão para ressaltar as potencialidades dela e de toda a família, uma vez que a gestação não é somente da mulher, mas de todos os membros presentes em seu lar. 

 

Referências 

  1. Leite, Mirlane Gondim, Rodrigues, Dafne Paiva, Sousa, Albertina Antonielly Sydney de, Melo, Laura Pinto Torres de, & Fialho, Ana Virginia de Melo. (2014). Sentimentos advindos da maternidade: revelações de um grupo de gestantes. Psicologia em Estudo19(1), 115-124. https://doi.org/10.1590/1413-7372189590011
  2. MALDONADO, M. T. Psicologia da gravidez. Editora Ideias & Letras, 2017.
Jessica de Arruda Dias
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