Saúde

O impacto do isolamento social em nossas emoções

Em tempos incertos é difícil não se preocupar com tudo que acontece. Até certa medida, as preocupações são importantes para nos ajudar a solucionar possíveis problemas, porém, em alguns casos, essas preocupações se tornam excessivas, gerando sofrimento, ansiedade gerando assim um processo de evitação em realizar certas atividades devido à preocupação.

Ficamos apreensivos ao imaginar o pior cenário, e isso nos leva a pensamentos sobre a nossa incapacidade de enfrentar os problemas que sugiram com essa pandemia. 

O isolamento social é uma estratégia defendida pela OMS (Organização Mundial de Saúde) visando reduzir a curva de contágio do COVID-19 evitando que a população fique infectada e sobrecarregue os sistemas de saúde. O tempo de isolamento não tem prazo determinado, o que gera preocupação nas famílias. 

Para Pereira, Lira e Junior (2020) preocupação é uma experiência humana que gera uma série de pensamentos incontroláveis e duradouros na tentativa de encontrar soluções para algo incerto. Tem como base a intolerância a incertezas.

Quando excessiva e invasiva essa preocupação pode se tornar crônica e desenvolver ansiedade patológica. Estando mais ansiosas as pessoas têm frequentemente pensamentos de que algo terrível está prestes a acontecer, tornam-se mais distraídas, inquietas e apresentam insônia.

Esses sintomas causam prejuízos em suas rotinas e associados à pandemia e tempos de isolamento social apresentam-se certos níveis de preocupação, o que é normal, exceto quando esses níveis se intensificam e causam sofrimento às pessoas. 

Durante a pandemia pode-se ocorrer os seguintes pensamentos: “algo terrível está para acontecer e devo me preparar”, pensamentos de incapacidade relacionados ao desfecho da pandemia e pensamentos de tentativa de controle de eventos futuros.

Segundo Pereira, Lira e Junior (2020) é necessário para esses tipos de pensamentos a superação e desafio dos mesmos, determinando se a preocupação é um perigo real ou imaginário e na busca de acessar suas emoções e trazer benefício à sua saúde mental.

O isolamento social pode trazer emoções negativas e a melhor forma de manejá-lo é aceitando, abandonando o sentido de urgência e aceitando a incerteza. 

Impacto psicológico

Temos podido observado o crescente impacto nas emoções da população mundial devido ao novo Covid-19, além dos efeitos negativos referentes às medidas de isolamento social, bem como o medo de ser possivelmente infectado.

As incertezas relacionadas ao desenvolvimento do vírus em nosso corpo tem gerado alguns transtornos psicológicos como:

  • Ansiedade,
  • Insônia,
  • Depressão,
  • Estresse pós-traumático,
  • Confusão,
  • Raiva.

Segundo Schmidt et al (2020), além do impacto psicológico a sociedade ainda enfrenta impactos na economia,  acarretando prejuízos ao bem-estar e ampliando pensamentos ansiosos e de preocupação. Podem surgir sintomas obsessivos compulsivos, como a verificação constante de possíveis sintomas.

A ansiedade em relação à saúde pode gerar sentimentos equivocados, confundindo-se então com sintomas da doença. As medidas de isolamento social reduziram os contatos face a face e interações sociais rotineiras, caracterizando num possível estresse devido as alterações na rotina, assim como o enfrentamento do luto quando se perde algum ente querido devido a doença.

Profissionais da saúde também têm sofrido com essa série de impactos. Ele têm apresentado preocupações relacionadas a:

  • Medo de uma possível infecção,
  • Adoecimento e morte,
  • Risco de contágio a pessoas próximas,
  • Sobrecarga,
  • Fadiga,
  • Exposição a mortes em larga escala. 

Prejuízos na produtividade e autoestima 

Segundo Modesto, Souza e Rodrigues (2020) com as orientações de isolamento social para evitar a propagação do covid-19 muitos trabalhadores reconfiguraram sua forma de trabalhar, enquanto alguns seguiram de maneira adaptada suas funções de maneira presencial, outros iniciaram a modalidade on-line e o home office.

Em ambos os casos existem prejuízos para a saúde mental, haja visto que no primeiro caso se vive o medo de contágio ao sair de casa e, consequentemente, o medo do desemprego, e por isso seguem sua rotina. No segundo caso, tem a dificuldade de adaptar a casa, que antes era um lugar de descanso e agora passa a ser seu novo local de trabalho. Ainda podemos levar em consideração outras dificuldades, como por exemplo equilibrar as demandas domésticas gerando o conflito Família X Trabalho. 

Ainda segundo Modesto, Souza e Rodrigues (2020) o contexto atual tende a apontar para um cenário de esgotamento emocional, sendo ele possível nessa tentativa de equilíbrio de rotina de trabalho, ou o próprio medo e risco de adoecimento.

Para os autores existe uma relação entre a autoestima e o esgotamento no trabalho. O esgotamento emocional favorece a uma avaliação negativa de si mesmo e de sua autoimagem, impactando no bem-estar geral e saúde mental dos trabalhadores.

A intervenção psicológica vem como instrumento de trabalhar na percepção de si do indivíduo e suas crenças a respeito do trabalho, reduzindo os impactos negativos gerados pela pandemia. 

Intervenção psicológica 

Para Schmidt et al (2020) a intervenção psicológica é fundamental como prática de enfrentamento de situações difíceis, manejo de emoções, assim como para reduzir os impactos da pandemia em nossa saúde mental.

Orientações recomendadas para essas intervenções é reduzir o contato face a face para evitar riscos de contaminação, emergindo assim uma nova modalidade de tratamento com as sessões de terapia on-line.

Deste modo, serviços de psicologia têm sido oferecidos através de meios de tecnologia e informação, como por exemplo via internet, telefone, em plataformas voltadas a esse tipo de atendimento.

O atendimento remoto se tornou uma ferramenta de extrema importância para o acolhimento a queixas relacionadas à saúde mental. Como ferramentas de promoção de bem-estar psicológico, orienta-se medidas de organização da rotina, de atividades diárias de forma segura e que auxiliam na vivência desse momento como

  • Cuidados com a higiene,
  • Cuidados com o sono,
  • A prática de atividades físicas,
  • Técnicas de relaxamento,
  • O uso das redes sociais como estreitamento de laços e fortalecimento de conexões, uma vez que temporariamente não se recomenda as reuniões presenciais e o cuidado com a exposição de informações.

Se você tem percebido dificuldade e preocupações excessivas, vale a pena refletir se você está conseguindo lidar com tudo sozinho(a).

Caso não esteja, busque ajuda psicológica, pois irá te propiciar qualidade de vida e te dará ferramentas para lidar com suas emoções em um período tão incerto.

Tudo vai ficar bem!!

Referências 

  1. Modesto, J.G. Souza, L.M. Rodrigues, T.S.L. ESGOTAMENTO PROFISSIONAL EM TEMPOS DE PANDEMIA E SUAS REPERCUSSÕES PARA O TRABALHADOR. Disponível em: https://revista.fct.unesp.br/index.php/pegada/article/view/7727/pdf. Acesso em 16 de abr. de 2021.
  2. PEREIRA, R.S. LIRA, C.C. JUNIOR, M.F.S. Preocupação produtiva e improdutiva em tempos de isolamento social. Disponível em: http://www.ufrpe.br/sites/www.ufrpe.br/files/Cartilha-Preocupa%C3%A7%C3%A3o%20x%20isolamento%202020.pdf. Acesso em: 16 de abr. de 2021.
  3. SCHMIDT, B et al. Impactos na Saúde Mental e Intervenções Psicológicas Diante da Pandemia do Novo Coronavírus (COVID-19). Disponível em: https://preprints.scielo.org/index.php/scielo/preprint/view/58/69. Acesso em 16 de abr de. 2021.
Tamiris De Oliveira Werly
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