Desenvolvimento pessoal

Luto na terceira idade: como podemos dialogar sobre a morte para melhor elaboração do luto

A morte é admitida como um fato, porém, principalmente o idoso apresenta grande dificuldade em aceita-la e em discutir o assunto com pessoas próximas.

No processo de envelhecimento, percebe-se que, ao negar a morte recusando-a com todas as suas forças, as pessoas tendem a rejeitar também a velhice, talvez por esta fase da vida ser a que mais se aproxima da morte e, assim, a pessoa torna a velhice um peso para sua vida.

O luto pode ser compreendido como um processo normal e penoso, necessário para superação da perda. Esse processo é considerado como uma reação natural ao rompimento de um vínculo, que produz dor, sentimento de tristeza, saudade, vazio e abandono pela morte de alguém.  

As perdas na terceira idade estão relacionadas à morte de pessoas importantes, amigos e companheiros, ao corpo, ao fim das relações de trabalho, social e familiar. Todas as perdas acarretam sofrimento tanto com relação ao físico, como com relação aos meios profissional, social e familiar. Vividas, muitas vezes, de maneira concomitantemente. 

No processo de envelhecimento o mais difícil é o enfrentamento de consecutivas perdas reais e simbólicas, sendo possível também que o enfrentamento de uma perda acelere e potencialize a vivência de outras perdas.

Dentre as sucessões de perdas de capacidades, o idoso se confronta com a sua atualidade psicossocial de ser idoso. Na velhice, é comum avaliar o contexto social como negativo, o que agrava no idoso o que é sentido como perda e fragiliza os seus recursos internos construídos ao longo de toda a vida. A morte não costuma ser vista pelas pessoas como algo espontâneo e natural. Desse modo, acredita-se que a morte é vivenciada simbolicamente nas perdas vividas na velhice. Ao enfrentar essas perdas, o idoso lida inevitavelmente com a morte e vivencia o processo de luto.

Fases do luto

Alguns autores separam as vivências do luto por fases, sendo as mais conhecidas o das cinco fases de Elisabeth Kübler-Ross:

  • Negação,
  • Raiva,
  • Negociação/barganha,
  • Depressão e,
  • Aceitação.

Mas, diferente do que muitos pensam, esse processo não é linear e nem delimitado pelo tempo. A vivência dessas fases pode ser exemplificada da seguinte maneira: uma pessoa está em uma montanha russa, em alguns dias o enlutado está bem, mas, na chegada de uma data especial, uma lembrança que vem à mente pode causar uma “descida” inesperada do humor.

No momento em que a pessoa recebe a notícia da perda passa por uma fase de choque e negação da realidade, fica extremamente aflita, características principais da primeira fase. Raiva e tristeza são sentimentos comuns encontrados, pois a pessoa se sente incapacitada de fazer algo pois foi abandonada pela pessoa que partiu. A terceira fase é marcada pelo desejo de recuperar a pessoa que faleceu, de trazê-la de volta. Logo, culpa e ansiedade são expressadas após o enlutado compreender a morte e, devido a isso, entra na quarta fase, do desespero e desorganização.

Depois que tiver passado pelas primeiras fases do luto, por momentos de raiva, choque, tristeza, entorpecimento, é esperado que consiga se restabelecer. Embora, com a saudade da pessoa que faleceu e ainda se adaptando à nova realidade causada pela perda. Poderá retomar suas atividades, completando a última fase do luto, a aceitação. 

A morte do cônjuge

No idoso, o luto pode representar um processo de grande impacto, pois este traz consigo perdas pessoais e sociais decorrentes de a velhice ser condenada como fase da invalidez ou da condescendência.

Por isso, devemos considerar que trabalhar emocionalmente as perdas decorrentes de alterações físicas e isolamento social é complicado, e pior se associadas à morte do cônjuge.

A perda do cônjuge representa um dos acontecimentos mais importantes da vida, pois aquele com quem construímos toda nossa vida não existe mais. A perda da vida de casal afeta nas rotinas da pessoa que fica, podendo ser de maneira positiva, de retribuição de cuidado ou de libertação de alguém que oprime ou de modo negativo, representando a falta ou amputação de uma parte importante do enlutado.

Como ajudar esses idosos

Deve ser permitido ao idoso o tempo necessário para reorganizar-se emocionalmente. Na fase inicial do luto ele pode ter necessidade de ajuda para atividades básicas da vida diária, é um grande erro considerar que existe um único tipo de luto patológico e um único tratamento apropriado.

Por isso, é essencial que a família tenha paciência com o idoso enlutado e, principalmente, que desenvolva a comunicação e consiga compartilhar os sentimentos sobre a perda, buscando contornar o desequilíbrio familiar decorrente da perda. 

Desse modo, deixar a pessoa falar sobre seus sentimentos é a melhor maneira de elaborar o luto. Portanto, por mais repetitivo que sejam, é preciso escutar com atenção, calma e empatia. E se o enlutado for uma pessoa muito fechada, incentive-o a falar do seu dia, seus sentimentos e suas dores, mesmo que isso possa ocasionar choros. 

Como nem sempre os familiares estão preparados para auxiliar o idoso nesse processo que reorganização emocional o ideal é conscientiza-lo da importância da elaboração do luto e procurar um profissional da saúde mental. 

Terapia do luto

Muitos enlutados não conseguem reorganizar-se após a perda. Não receberam apoio suficiente capaz de amenizar o sofrimento ou não se encontraram encorajados a solicitar algum tipo de auxílio. Contudo, algumas pessoas acabam por buscar ajuda nos consultórios médicos e atendimentos psicológicos com intuito de acabar com a dor da perda e encontrar a reorganização de suas vidas.

A psicoterapia auxilia no processo de luto em si, auxiliando o enlutado a reestabelecer interesses e relações que possam substituir as situações perdidas. Nesses casos, os pacientes frequentemente expressam sentimentos positivos a respeito da pessoa amada a seus parentes e amigos.

No entanto, mais frequentemente sentem-se culpados em discutir seus sentimentos negativos em relação ao falecido ou sentimento de culpa em relação às interações que tinham no entorno da morte. À medida que os pacientes discutem tais sentimentos, torna-se para eles mais fácil considerar caminhos novos de se relacionar com outros objetos.

O idoso pode ter dificuldades para vivenciar o processo de luto por vários motivos, sendo um deles a incapacidade em falar sobre a dor relacionada à perda, pois na sociedade atual as pessoas preferem afastar-se do medo da morte.

Na medida em que o enlutado busca estratégias para melhorar suas relações, dando abertura para conversar sobre suas fragilidades, apresenta maior enfrentamento da sua realidade.

Posso te auxiliar na ressignificação do sofrimento vivenciado e na possível construção de uma vida mais gratificante e construtiva.

Daniela C. Rufatto de Melo
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