Desenvolvimento pessoal

Minha expectativa é não ser a sua expectativa!

Outro eu

É extremamente complicado estar inserido no mundo do outro, a todo tempo anulamos quem somos ou o que sentimos para agradar o próximo. Acreditamos fielmente que a felicidade está em todos os lugares e esquecemos ou temos uma imensa dificuldade de olhar para quem somos e perceber que temos a responsabilidade de encontrar e viver a felicidade tomando cuidados para não entrar em uma ilusão. E a ilusão está em viver o que é do outro.

Estar no olhar do outro gera situações que nos leva a um caminho que aos poucos perdemos nosso verdadeiro eu, manifestando assim o sofrimento psíquico através de tristezas, medos, angústias e anulação da nossa essência, guiando-nos a constante busca na realização dos nossos desejos que projetamos estar em outro alguém. 

Aos poucos nos deparamos com um desconhecido, teremos que conviver todos os dias com ele diante do espelho, intensificamos alguém acuado e impossibilitado de olhar ao redor, criando crenças e confianças que inconscientemente nos faz armazenar desejos, incertezas, sonhos, passando a lidar com um desconhecido que demonstra forças e coragens falsas impedindo futuras frustrações e decepções diante da vida.

 “Quem passou pela vida em branca nuvem e em plácido repouso adormeceu; quem não sentiu o frio da desgraça, quem passou pela vida e não sofreu; foi espectro de homem, não foi homem; só passou pela vida, não viveu”. 

                                                                                                                                        Francisco Otaviano

Seres idealizados

Somos seres idealizados, antes do nascimento cumprimos expectativas geradas por nossos pais e familiares, qual será o gênero da criança, quais cores de roupa irão usar, qual será o nome, será menino para ir ao futebol com o pai ou menina para cozinhar com a mãe, e como será o momento em que nos deparamos com a nossa real essência?

Como passaremos a lidar com os questionamentos das pessoas? Como lidar com os conflitos e duvidas que nos afastem de quem somos com receio do que o outro pensa?

A idealização se dá pelo vazio de algo que não conhecemos e não temos em nossa realidade, é uma maneira de compor os nossos próprios desejos, e como seguir diante de uma situação que cabe a outro individuo, sem nos frustrarmos pela falta de adequação às expectativas que criamos e acreditamos fielmente que o outro deve preencher.

Afinal, o que nos faz olhar a vida através do olhar do outro deixando o nosso olhar cego perante fatos que alcancem expectativas que não são nossas apenas para preencher papeis socialmente impostos, fingindo que nossos sonhos são apenas loucuras que jamais poderemos experimenta-las?

Grades para a liberdade

Estamos aprisionados em um mundo que exige sempre que o outro esteja acima de sua capacidade, um mundo de devaneios em que produzimos personagens de acordo com o solicitado, “padrões seguimos e emocionalmente sofremos”.

“Seja magro para que a felicidade faça parte de sua vida”, “mantenha seus cabelos sempre lisos para que as empresas contratem alguém que passe credibilidade”, “jamais utilize tatuagem, isso não passa uma boa impressão”, etc. 

Platão falava em o Mito da Caverna, de que somos aprisionados em uma caverna em que enxergamos sombras projetadas nas paredes através da luz de uma fogueira, olhamos para essa projeção e acreditamos que existe algo além de nós mesmos, transformando isso em uma possível realidade existente fora da caverna que nos impede de sair e vivenciar outras possibilidades. 

Até quando vamos olhar as pessoas através de rótulos e esquecer que dentro de cada um existe uma história cheia de riquezas a serem exploradas e cultivadas? Quando iremos perceber que nossos olhares julgadores anulam vidas que simplesmente acreditam não se enquadrar naquilo que ditamos como verdades absolutas, não importa a vida do outro se a minha é perfeita, afinal tenho o melhor carro, tenho dinheiro e as melhores roupas e joias.

Se alguém tem pensamentos diferentes do outro então essa pessoa esta errada e não cabe em minha vida, se alguém não tem uma quantia alta no banco infelizmente não pode fazer parte do meu convívio social, se alguém não se encaixa na cartilha de regras morais e sociais, desculpe, você não merece viver.

Memorial da moral

Será que paramos para nos questionar como o próximo se sente em relação àquilo que falamos, se essa pessoa esta emocionalmente bem para interpretar e compreender determinadas situações?

Palavras são capazes de machucar e gerar sentimentos que se tornam gatilhos na vida do outro. Diversas pessoas acreditam que isso é frescura, ou como está na moda é apenas “mi, mi, mi”, no entanto, colocar-se no lugar do outro e compreender o que acontece é algo impossível.

“Eu sou indigno de ser amado…”, “Ninguém gosta de mim…”, “Eu não sou bonita…”.

Sabemos realmente o que é perder as esperanças por não se encaixar nas expectativas depositadas em nossas vidas, não sabemos lidar com nossas frustrações, não sabemos realmente lidar com esse personagem que está o dia inteiro pesando em nossos pensamentos e ao se deitar percebemos que o nosso travesseiro é o único refúgio para trazer à tona todos os sentimentos guardados e anulados.

Moralmente somos expostos ao que é certo, devemos seguir o que é imposto, devemos seguir padrões sociais e preencher as expectativas da moral que nos afasta de nós mesmos e muitas vezes nos leva a apenas uma frase em uma lápide cheia de memórias ausentes de algo que ficou para depois, ou por seguir aquilo que não estava em nossos corações, olhar para o outro é fundamental para evitarmos sentimentos prejudiciais e incontroláveis.

Devemos cuidar de nós e do próximo para que a história não termine em flores, lembranças e arrependimentos daquilo que não fomos capazes de aceitar por seguirmos regras e julgamentos desnecessários.

 

Referências:

Otaviano Francisco. Biografia. Academia Brasileira, São Paulo, 08 de Nov. de 2020. Disponível em:< https://www.academia.org.br/academicos/francisco-otaviano/biografia>. Acesso em: 08 de Nov. de 2020.

Moretto M L Tourinho; Svartman B Parodi ; Freller C Copit; Massola G Martineli; Crochík J Leon; Silva P Fernando – USP – SP – Brasil. Artigo: O suicídio e a morte do narrador.

EDUARDO DA SILVA GUEIROS
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