Desenvolvimento pessoal

Mulher: Desafios, complexos, traumas, depressão e o cuidar-se com respeito e amor

“Não há mulher mais linda que aquela que tem convicção do seu valor, e por isso luta pelos seus ideais de uma vida melhor, digna e próspera com harmonia e paz!” – Glaucia Ribeiro De Assis – Psicóloga.

Estamos em 2021 e, infelizmente, ainda se faz necessário lutas para que a mulher possa não apenas ter igualdade de direitos trabalhistas, mas também lutas por um ideal de vida onde a mulher possa ser respeitada, possa ir e vir com segurança e possa se sentir segura em seu próprio lar.

Por gerações as mulheres lutam por seus direitos, cansadas, desgastadas, adoecidas em uma sociedade onde a carga horária de trabalho ainda é até três vezes mais que a carga horária dos homens. Na grande maioria dos lares a mulher acorda mais cedo pois tem que preparar o café da família, levar os filhos à escola ou creche e na maioria das vezes vai dormir por último, pois ainda vai lavar a louça e colocar as roupas no varal, quando já deu banho nas crianças e as colocou para dormir.

Na grande maioria, são mulheres que trabalham para ajudar no sustento da família, muitas outras sustentam a casa sozinhas e milhares delas estudam. Tudo isto gera estresse, medo, ansiedade, depressão, etc. E aqui apenas sintetizamos as lutas de séculos, lutas diárias de milhares de mulheres e não entramos nem mesmo no assunto sobre os abusos contra a mulher (como abuso moral, patrimonial, físico, psicológico, sexual).

Sim, a mulher precisa ser respeitada, sim! 

Mas a pergunta que eu quero fazer hoje para você mulher, é:

E você mulher, você está se respeitando? Você está cuidando de você? Está cuidando de você com respeito, amor e carinho? Quantas vezes você se olhou no espelho hoje? Mas, você olhou pra você mesma e se viu, se sentiu; sentiu sua essência, sua alegria ou sua dor?

Você lembra se se alimentou pela manhã? Você lembra quanto tempo utilizou hoje pela manhã, ou ontem, para saborear seu café, chá ou suco e se sentindo sua e somente sua, por inteiro? Quando foi a última vez que você se permitiu sentir a brisa tocar leve o seu rosto e soprar os seus cabelos?

Mulher, como estão seus pensamentos, seus sentimentos? Esta semana, ao longo deste mês, ou dos últimos meses, quantas vezes você sentiu o peito apertado, a garganta embargada e segurou firme pra não chorar, e/ou chorou copiosamente? O que você tem feito da sua vida e por você? Como está aí, bem no fundo do seu íntimo, teus pensamentos, sentimentos, autoestima? O que te move, o que te faz seguir ou estacionar? O que te faz feliz? 

Dia das mulheres é o dia da consciência de que, nós mulheres merecemos ser amadas e respeitadas todos os dias. Mulher, empodere-se do seu valor! – Glaucia Ribeiro De Assis – Psicóloga.

Uma vez tendo refletido nas perguntas acima, eu te convido a continuar a leitura deste artigo onde cada linha foi escrita para ajudar você a olhar-se e se cuidar-se com respeito, carinho e amor.

Crenças não reais, complexos, traumas 

As crenças não reais criam proporções na mente da pessoa, pega uma parte da realidade, porque em geral quando crianças a visão é limitada e a criança pega o todo e conclui de forma limitada, como se aquilo fosse o todo maior; principalmente, em se tratando de momentos onde existiu sentimentos de muita tristeza, medo e dor.

Cada pessoa registra suas vivências de modos diferentes e desde a infância, conforme a vida, experiências e os modelos que viveu ao lado do pai, mãe, familiares, professores, pode-se ir criando crenças negativas, disfuncionais, como por exemplo: “a vida é uma guerra”, “homens não prestam”, “dinheiro é sujo”, “não dou conta de nada” ou “tenho que dar conta de tudo”, “não sou boa o bastante”, “tenho que ser perfeita”, etc.

Este mecanismo complexo por trás das nossas crenças, que vem da nossa história, da nossa genética, que a ciência começa a descobrir sobre o nosso cérebro, pode fazer a pessoa carregar crenças negativas, disfuncionais e inconscientes, as quais podem atrapalhar o gerenciamento da própria vida da pessoa, desencadeando complexos e traumas que também podem ser inconscientes.

Isso pode levar a pessoa ao longo de sua vida a entender e se comportar muitas vezes repetindo ciclos que podem acarretar em mais problemas e traumas para a pessoa, como por exemplo, relacionar-se com pessoas tóxicas ou abusivas, construindo assim outras crenças negativas, disfuncionais, além da autossabotagem.

Na autossabotagem, na maioria das vezes inconsciente, ou de forma que a pessoa acredita estar tendo algum tipo de ganho, como por exemplo a atenção das pessoas. E assim, sem que perceba e entenda, ela vai aumentando os problemas, o número de pessoas tóxicas com quem se envolve e consequentemente aumentando também o número de crenças negativas, disfuncionais, vivendo em um ciclo vicioso e destrutivo.

Além disso, quando a pessoa passa por um problema ou estresse, além do suportável para ela, pode-se acionar gatilhos que trazem pensamentos de crenças negativas, disfuncionais, repetitivas, as quais se não cuidadas poderá desencadear transtornos maiores. A terapia cognitivo-comportamental nos explica que o que nos afeta emocionalmente não são os acontecimentos e eventos que acontecem em nossas vidas, mas, sim, a maneira como interpretamos e lidamos com eles.

Por isso a necessidade de autoconhecimento através da psicoterapia como prevenção e também para tratar, se for o caso:

  • Complexos,
  • Traumas,
  • Estresse,
  • Ansiedade,
  • Medos,
  • Fobias,
  • Etc.

No caso da mulher, além de sua história e genética, toda sua bagagem do dia a dia tem levado a desencadear uma das doenças que mais acarreta sofrimento: a depressão

Não considere nenhuma prática como imutável. Mude e esteja pronto a mudar novamente. Não aceite verdades eternas. Experimente. Skinner (1969), p.8. 

Depressão

A depressão é um sinal de que o corpo e a vida da pessoa estão em desequilíbrio. A depressão é uma perturbação do humor com disfunção do sistema neuroquímico cerebral, como serotonina, dopamina, noradrenalina e melatonina, que são responsáveis por transportar as informações pela rede de neurônios de nosso cérebro, como as sensações de alegria, prazer, disposição e bem-estar.

A depressão é caracterizada por um conjunto de sintomas e pode afetar a mente e o corpo, podendo acarretar, também, problemas de relacionamentos, familiares e profissionais. A depressão não escolhe idade, sexo e nem classe social. Sua maior incidência é em mulheres devido a estresse, ansiedade, questões hormonais, gestação, parto, menopausa.

Além dos sintomas psicológicos, a depressão também causa sintomas físicos. Se não tratada a depressão pode causar inflamações e dores no corpo, entre outros mais importantes e sérios; além de levar a pessoa a ter ideação suicida e chegar ao suicídio de fato. Por isso, nos casos mais graves, além do tratamento psicológico com psicólogo, se faz necessário também, o acompanhamento e tratamento medicamentoso com o psiquiatra

Sintomas 

  • Irritabilidade,
  • Tristeza,
  • Desânimo persistente,
  • Baixa autoestima,
  • Sentimentos de inutilidade e de culpa,
  • Visão negativa e pessimista da vida,
  • Perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas,
  • Perda de energia ou fadiga acentuada,
  • Falta de esperança,
  • Dificuldades para raciocinar e se concentrar,
  • Dificuldades de tomar decisões,
  • Necessidade de um grande esforço para fazer coisas que antes eram fáceis,
  • Dificuldade em sentir alegria e prazer pela vida,
  • Sentimentos de medo, insegurança, angústia, desespero, choro, desamparo e vazio,
  • Pensamentos negativos,
  • Pensamentos de morte ou suicídio,
  • Entre outros. 

Se você observa que tem alguns destes sintomas, então você pode estar com depressão. Nestes casos se faz necessário fazer psicoterapia para se conhecer melhor, conhecer os inimigos internos/psíquicos, questionar, duvidar, aceitar, ressignificar, fortalecer-se e assim se reelaborar para sair do casulo e voar, viver com qualidade de vida emocional.

Em um outro artigo, falaremos mais profundamente sobre a depressão. 

Adoecimento emocional

Todos nós seres humanos podemos adoecer emocionalmente em algum momento da nossa vida. Cada ser humano é um universo único e lindo em sua totalidade. Cada pessoa vê, pensa, sente e age de formas diferentes diante de situações que lhes causam dor, tristeza, medo, ansiedade, angústia, entre outros.

Assim também, cada pessoa tem em si qualidades, virtudes e capacidades de se superar sempre. No entanto, os conflitos e transtornos psiquiátricos como ansiedade e depressão, por exemplo, não escolhem em quem vai se desenvolver. Todos nós seres humanos podemos adoecer emocionalmente em algum momento da nossa vida. Cabe ao psicólogo acolher e auxiliar o paciente a encontrar novas possibilidades de pensamentos mais funcionais, que possibilitem uma boa adaptação à realidade de vida do paciente; onde o paciente possa conseguir alívio emocional, fortalecimento e estrutura para conseguir adquirir autonomia para lidar com questões e conflitos da sua vida por conta própria e de forma mais assertiva.

Assim, o psicólogo cognitivo-comportamental vai identificando os sentimentos, pensamentos e comportamentos de cada situação que o paciente trouxer de acordo com os padrões de crenças e percepções de cada experiência vivida, a fim de, através da abordagem cognitiva-comportamental, entender a forma como o paciente interpreta os acontecimentos e como aquilo o afeta; tornando-se possível mudar os sistemas do paciente para alterar comportamentos e emoções com relação às situações e conflitos que vive.

Se você conseguiu amar tanto outras pessoas e/ou a pessoa errada, imagina o quanto você pode amar a pessoa certa e esta pessoa é você mesma. (Do manual para mulheres em relacionamento abusivo ou que acabaram de sair de um). 

Como você mulher pode ir se ajudando além da psicoterapia? 

Avalie-se a si mesma:

Busque identificar os motivos da tristeza, veja o que tem feito para ela continuar aí, em seguida faça algumas atividades para vencer a tristeza, como: 

Caminhada no parque observando os pequenos detalhes das plantas e flores, ouvir os pássaros e sentir você; 

Descanse sentada debaixo de uma árvore e ali agradeça por tudo, faz um relaxamento e ali mesmo anote objetivos a alcançar a curto e médio prazo e anota as metas para alcançar estes objetivos, e procure ir colocando-os em prática. Se com estas atividades não melhorar, busca ajuda. 

Dicas e motivacional 

Diminua o peso: 

  • Comece cortando todo tipo de migalhas que te dão dizendo que é atenção, amizade, carinho e amor.
  • Tempere tudo com autorespeito.
  • Saboreie a vontade cálices de amor próprio ao longo do dia, por toda a vida.

Glaucia Ribeiro De Assis – Psicóloga.

Não confunda: 

Não confunda amor próprio e autorrespeito com egoísmo ou ego inflado. Não tente controlar tudo à sua volta, algumas coisas não estão em nossas mãos. Não espere do outro além daquilo que você dá.

Glaucia Ribeiro De Assis – Psicóloga.

Busque elegância: 

Elegância está na humildade e é algo que levamos em nós, não está nas roupas, no dinheiro, na casa e nem no seu emprego, ou títulos acadêmicos. Elegância e humildade é ter nobreza de alma. É saber que você não é menos, nem mais e nem melhor que ninguém. É ter escuta e acolhimento sinceros. É saber que se você tem sentimentos, o outro também tem. Elegância e humildade é ter bom senso e respeito, sobretudo respeito próprio. 

Mulher, 

Não existe nada mais forte, mais poderoso do que uma mulher que foi humilhada, abusada, destruída e conseguiu sair, abandonou o ambiente destrutivo ou o abusador e se RECONSTRUIU. 

Não, não existe nada mais forte do que esta MULHER. 

Glaucia Ribeiro De Assis – Psicóloga.

Empodere-se: 

Empodere-se Mulher, 

Escolha superar, reestruturar-se, reconstruir-se. 

Empodere-se de Você, do seu amor próprio e tome posse da tua própria vida!

Glaucia Ribeiro de Assis – Psicóloga.

Autoestima, autorrespeito 

Busque-se, encontre-se e se fortaleça para não mais se perder da pessoa mais importante do mundo: VOCÊ. 

Respeite-se, cuide-se com amor e carinho! 

Glaucia Ribeiro De Assis – Psicóloga.

A vida é como a velhice e a velhice é como mudar de país, é preciso conhecimento, cuidados e preparo. Não existem problemas, existem oportunidades, onde podemos aprender, enxergar melhor as coisas, ver quem é quem, observar as possibilidades, escolhermos melhor o caminho a seguir… Oportunidade de grandes libertações, aprendizados e muito crescimento. E quando você pensar em desistir, lembre-se dos motivos que te fizeram aguentar até aqui. Não desista. Busque ajuda, peça ajuda. Mas nunca desista de você. Viva com alegria e a cada dia como se estivesse se preparando para a velhice, ou para morar em outro país. Cuide-se com amor! 

A velhice é como mudar de país, você tem que conhecer a língua, analisar o lugar, saber o que tem lá que pode ser útil pra você e se prevenir do que não puder evitar. B. F. SKinner.

Nos veremos em breve, 

Glaucia Ribeiro De Assis 

Psicóloga 

CRP 06/118862

Instagram:
@glauciarassis.psicologa
Facebook:
@glaucia.ribeirodeassis.5

Referências:

  1. Terapia Cognitivo comportamental na Prática Psiquiátrica – KNAPP, Paulo e colaboradores.
  2. Técnicas de Terapia Cognitiva – LEAHRY, Robert L.
  3. A Análise do Comportamento – JG Holland; BF Skinner. 1969.
  4. DSM-V – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. ● Viva bem a velhice – B. F. Skinner; M. E. Vaughan. 
  5. Mentes depressivas – Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva, (Psiquiatra). ● Depressão – Dr. Ismael Sobrinho, (Psiquiatra).
  6. Manual para mulheres em relacionamento abusivo ou que acabaram de sair de um. https://portal.to.gov.br/noticia/2020/3/6/dia-internacional-da-mulher-marca-luta-por-igualdade-de-direitos/
Glaucia Ribeiro De Assis
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