Desenvolvimento pessoal

Praticando o Autoconhecimento e a Inteligência Emocional

Autoconhecimento, de acordo com uma simples pesquisa no Google, significa o “conhecimento que uma pessoa tem a respeito de si mesma. Saber quais são suas qualidades, seus desejos, ambições e limitações faz com que você tenha mais facilidade para controlar as emoções, definir objetivos e trilhar uma jornada de autorrealização”. 

Focar em autoconhecimento foi a estratégia de muita gente para sustentar a saúde mental em tempos de isolamento social, durante a pandemia. Entretanto, sua importância não data de nossos tempos. Um dos aforismos (pensamento expresso de maneira breve) mais famosos da história, “conhece-te a ti mesmo”, encontrava-se no pórtico de entrada do templo do deus Apolo, na cidade de Delfos na Grécia, já no século IV a. C.

Hoje em dia, em uma entrevista para uma vaga de emprego é natural que haja uma pergunta para que possamos descrever a nós mesmos, ou seja, o recrutador quer ouvir de você, como você se define. E, se você pensar que “tudo que você disser pode e será usado para te avaliar” pode dar aquela revirada no estômago, não é?

Em minha experiência como recrutadora, já ouvi das mais diversas respostas, mas existe um padrão: sou comunicativa, sou proativa, dinâmica, sei trabalhar em grupo, e, para não faltar aquela “característica negativa” (para não parecer que estou me endeusando), o famigerado “sou perfeccionista”. É isso! Eu ficava tentando mudar a forma de perguntar, mas muitas vezes caía nesse clichê. 

Hoje, trabalhando na clínica como psicoterapeuta, é nítido que existe uma dificuldade real das pessoas de falarem sobre si, sobre seus sentimento e emoções. Existe uma parcela considerável de pessoas que não percebe, mas é guiada pelas opiniões alheias e pela preocupação de como elas serão vistas e julgadas se mostrarem aos outros o seu verdadeiro eu e do que gosta de verdade.

Entender quem somos em essência nem sempre é navegar em mares calmos. Por isso, muitas vezes precisamos encarar nossos maiores medos e, no conceito de Jung, lidar com nossas sombras. E isso gera um grande desconforto, pois na jornada do autoconhecimento, o amparador (psicólogo, coach, terapeuta, guia ou qualquer profissional que a pessoa escolhe para ajudar nessa caminhada) irá trazer questões que geram desconforto e que precisarão ser ressignificadas para que a pessoa possa seguir adiante e poder aprofundar mais em si. 

É difícil seguir nessa jornada sem se abrir para entender quem somos por inteiro. E, para isso, precisamos aprender a unificar e harmonizar nossas sombras com nossa luz (nossas características que tendemos a mostrar, pois costumam ser naturalmente aceitas). “Ninguém se ilumina imaginando figuras de luz, mas se conscientizando da escuridão”, reforça Jung. E isso só é possível através do autoconhecimento.

Navegando nos mares profundos do ser

O ditado “mar calmo nunca fez bom marinheiro” se aplica bem ao contexto de autoconhecimento e inteligência emocional. Enquanto a vida segue um fluxo tranquilo, com tudo aparentemente na normalidade, poucas pessoas fazem movimento para entender melhor suas emoções. Entretanto, quando situações desafiadoras, estressantes e frustrantes surgem percebemos que não sabemos como resolver ou até mesmo reagir e, aí sim, vem o interesse em procurar ajuda.

A maioria das pessoas que procuram psicólogos, terapeutas e afins, só o fazem quando a situação está beirando o insuportável. E não precisa ser assim! Entender quem somos faz parte da nossa vida. Quando não se faz isso é bem provável que você passe uma vida toda com a sensação de que podia ter feito mais, vivido mais, amado mais… igual a música dos Titãs.

E, mesmo se você já tenha lido diversos livros sobre autodesenvolvimento, só será possível compreender melhor quem você é e como lida com as suas emoções a partir do momento que permite senti-las.

Se você não quer esperar algo estressante acontecer para que só então você entenda como irá reagir, seguem algumas dicas para que você possa começar a praticar o autoconhecimento ainda hoje.

Algumas dicas que ajudarão você a desenvolver o Autoconhecimento

#1 – Escrever um diário

Escrever todos os dias fazendo um “balanço” de como foi seu dia pode te ajudar a refletir melhor sobre quem você é. 

Quando algum imprevisto acontece, observe como você reage. Mantenha um diário para escrever sobre seus sentimentos, emoções e reações. Não foque em “classificar” ou julgá-los, apenas registre para que você possa se perceber melhor.

A escrita tem uma função terapêutica e pode ajudar você a ordenar seus pensamentos sobre suas emoções.

#2 – Meditação

Meditar costuma ter um mito envolvido pela ideia de que meditar é tirar todos os pensamentos da mente, além da dificuldade de as pessoas se aquietarem. No entanto, existem meditações ativas, meditações guiadas que podem facilitar essa experiência, para os “inquietos”.

Imagine que a meditação é você sentado na beira da estrada e vendo seus pensamentos passarem, deste modo, você se vendo como observador, pode ter uma visão ampliada de quem você é.

#3 – Permitindo-se ser vulnerável

Quando entendemos que não precisamos ser fortes nem precisamos esconder o que sentimos o tempo todo, estamos nos permitindo ser vulneráveis. Ser vulnerável não é ser fraco, lembre-se disso! É aceitar a incerteza, os riscos, e a exposição emocional que enfrentamos todos os dias. 

Como diz Brené Brown, é na arena da vida que aprendemos a ser resilientes, ou seja, quando aceitamos que não somos (e nem precisamos ser) super-heróis podemos aceitar que os erros fazem parte da nossa vida e que eles nos ensinam muito. 

Para Brené Brown, quando estamos vulneráveis é que nascem o amor, a aceitação, a alegria, a coragem, a empatia, a criatividade, a confiança e a autenticidade. 

#4 – Experiências de desenvolvimento pessoal no trabalho

O trabalho é uma grande fonte de identidade, valor e objetivo para as pessoas. Ele nos ocupa e dá uma sensação de utilidade e a oportunidade de contribuir para a sociedade e sustentar a família. 

Algumas empresas costumam oferecer oportunidades de desenvolvimento através de treinamentos, ciclos de avaliação de desempenho e feedbacks. Essas ferramentas permitem com que você saiba como sua liderança e colegas te percebem. Contudo, é necessário estar aberto e ser tolerante com o que vier, pois nem sempre os líderes estão preparados para dar feedbacks assertivos e empáticos.

#5 – Terapia

Durante o processo terapêutico, você é convidado a falar sobre os seus sentimentos, emoções, sobre a sua vida e como lida com as coisas que acontecem com você, a psicoterapia tem como principal ferramenta a escuta. Você fala e passa a se conhecer ao se ouvir e entender quem você é, a partir das reflexões estimuladas pelo terapeuta. 

Costumo dizer que não existe receita de bolo. Muita gente chega no consultório pedindo respostas prontas e dicas de “como fazer”, porém, é importante entender que não há ninguém mais especialista em VOCÊ do que VOCÊ mesmo.

Então, deixo o convite para que você se permita e tenha o prazer de conhecer essa pessoa que você vê no espelho todos os dias!

Referência bibliográfica

  1. SMITH, Emily Esfahani. O poder do sentido: os quatro pilares essenciais para uma vida plena. 1ª edição. Rio de Janeiro: Objetiva, 2017.
  2. BROWN, Brené. A coragem de ser imperfeito. Rio de Janeiro: Sextante, 2019.
  3. Conhece-te a ti mesmo e saberás que nada acontece por acaso. ArteCult, 2018. Disponível em: http://artecult.com/conhece-te-a-ti-mesmo/.Acesso em 23/11/2021.
  4. Autoconhecimento. Wikepedia, 2019. Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Autoconhecimento. Acesso em 22/11/2021.
Cleisiane da Silva Ramos
Últimos posts por Cleisiane da Silva Ramos (exibir todos)
Etiquetas

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verifique também
Fechar
Botão Voltar ao topo
Fechar
Fechar