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A importância do autocuidado

O que significa autocuidado?

Autocuidado implica olhar para si, cuidar de si mesmo, visando um bem-estar. Ao falar em autocuidado não se pode deixar de refletir sobre necessidades, emoções, corporeidade, relações, homeostase e equilíbrio do indivíduo como um todo.

Ao nascermos não temos o autosuporte bem desenvolvido, o que requer o cuidado dos pais ou cuidadores. Cuidados físicos e emocionais na infância são de suma importância para um desenvolvimento saudável e equilíbrio do indivíduo no ambiente. A criança vai sentindo e percebendo este ambiente da forma que lhe é possível, mesmo que ainda lhe falte maturidade em muitos aspectos. 

Ao longo da vida, o indivíduo vai “adquirindo” autosuporte em suas experiências, sendo que nem sempre vive sua vida da forma mais equilibrada e saudável que lhe é possível. Segundo Perls (1977a, p49) “amadurecer é transcender ao apoio ambiental para o auto-apoio”.

Para Perls, aprender a se cuidar é parte do processo de amadurecimento e que, quando isto não ocorre naturalmente, pode-se pensar que há uma falha no processo de desenvolvimento, há uma desordem, chamada de neurose.

Ao passar por um processo de amadurecimento o indivíduo adquire também mais autonomia, vai aprendendo da sua maneira a precisar menos do cuidado do outro e a cuidar de si. Neste processo, vai adquirindo autosuporte nas suas experiências.

Vale destacar aqui que a criatividade, a autonomia, a flexibilidade, a espontaneidade e o cuidar deste corpo que sou eu e que eu habito são extremamente importantes na prática do autocuidado.

Criatividade, autorregulação e autocuidado:

O relacionamento de forma harmônica com o ambiente é de suma importância, estar consciente de suas reais necessidades e satisfazê-las de modo mais saudável também é importante no sentido de levar à autorregulação do organismo e ao amadurecimento e desenvolvimento do sujeito de forma equilibrada.

Cabe aqui falar em neurose para a Gestalt-terapia, que está muito relacionada com padrões estereotipados, que limita a flexibilidade e o “fluir natural” nas vivências como um todo. 

Estar em contato consigo ou com o outro implicar mudar de alguma forma. Pois, sem mudança não há contato pleno. Pode-se pensar aqui em criatividade. Ser criativo é algo inerente ao organismo, não tem a ver com um talento em si.

A criatividade tem muito a ver com fluidez, com espontaneidade. Buscar modos criativos implica buscar respostas inovadoras para as diversas situações na vida. Assim, ao se pensar em praticar o autocuidado pode-se elencar várias sugestões como:

  • Fazer meditação,
  • Fazer exercícios físicos,
  • Estar próximo da natureza,
  • Cuidar da alimentação,
  • Focar no momento presente,
  • Fazer passeios que lhe agradam,
  • Conversar sobre as emoções e tentar entender como elas ocorrem em sua vida,
  • Dentre outros.

Todavia, é de suma importância também estar consciente de suas reais necessidades e das possibilidades que se tem no momento de praticar o autocuidado. Tudo que leva a pessoa a estar bem consigo mesma pode ser considerado autocuidado.

É importante perceber com profundidade quem sou, como estou, quais minhas necessidades, o que busco neste momento, o que me é possível, para que de forma consciente possa praticar o autocuidado e ser criativo e espontâneo em minhas experiências, deixando cada vez mais pra trás padrões cristalizados, enrijecidos que nem sempre são os mais saudáveis.

A realidade atual da pandemia

Ao se pensar na realidade que vivemos nos dias atuais, não se pode deixar de fazer uma breve reflexão sobre o conceito de hábito para a Teoria de Campo.

O hábito é como uma espécie de “piloto automático”, mas que é o resultado de uma estruturação anterior, que tem significado para a pessoa, tem a ver com as motivações também em um dado momento, as necessidades que fazem parte do campo psicológico do sujeito.

Vale ressaltar, porém, que nem sempre a pessoa atende suas necessidades da forma mais saudável e mais equilibrada que lhe é possível. Nem sempre também a pessoa percebe com profundidade e sabe nomear o que sente, suas sensações como um todo. 

Como pensar então nos hábitos, no autocuidado e no autoconhecimento na realidade vivida hoje?

A Pandemia que vivenciamos trouxe incertezas e levou muitas pessoas a repensar sobre como estavam vivendo, a mudar hábitos, a rever valores e também a olhar e conviver consigo mesmo com mais profundidade.

Mas como ter autocuidado em um momento que nem ao menos podemos sair de casa da forma como gostaríamos? Bem, o AUTOCUIDADO é um voltar para si no sentido de olhar-se mais visando o próprio bem -estar. A prática do autocuidado em épocas de isolamento pode ocorrer de acordo com as possibilidades que cada um tem.

Se neste momento devo adquirir novos hábitos devo também perceber como estou me sentindo emocionalmente, se com ansiedade, medo, angústia, perceber também como está minha saúde física, meu corpo, minha alimentação, pois como uma totalidade que somos quanto mais harmonia encontramos em tudo isso, mais autocuidado estaremos tendo e mais equilibrados viveremos em nosso dia-dia qualquer que seja a situação.

Ninguém melhor que você para saber o que faz você se sentir bem consigo mesmo e também com os outros. Para tanto é necessário estar consciente de suas reais necessidades, de como vivencia suas experiências e emoções em dado momento.  

Autocuidado e psicoterapia gestáltica

Ao falar em processo de psicoterapia na abordagem da gestalt-terapia, quando se pensa no tema AUTOCUIDADO, é importante fazer alguns esclarecimentos. Cabe ao terapeuta facilitar a awareness (tomada de consciência) de seu cliente para que este perceba como vive sua rotina, como seu organismo se autorregula, quais são seus padrões, como vive suas emoções, como olha e cuida de seu corpo.

Fazer com que o indivíduo perceba como se interrompe em sua vida, que ele possa ter a oportunidade de “ensaiar” na relação com o psicólogo modos criativos de respostas diante das demandas que tem. Aqui vale citar Zinker (2007, p17) que diz que “O terapeuta é um artista na medida em que usa a inventividade para ajudar os outros a moldar suas vidas…”

Na psicoterapia de abordagem gestáltica, o psicólogo pode utilizar experimentos e exercícios que serão de suma relevância para que a pessoa passe por um processo de consciência de si e possa perceber e adquirir respostas mais criativas e inovadoras que o ajudem a viver melhor consigo mesma e em homeostase com o ambiente que a cerca.

 

Referência Bibliográfica:

PERLS, F.; HEFFERLINE. R.; GOODMAN, P. Gestalt–Terapia. São Paulo: Summus Editorial, 1997. 

ZINKER, J. O Processo Criativo em Gestalt–terapia. São Paulo: Summus Editorial, 2007.

Rayssa Mazza de Castro Alencar
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