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Bullying nas escolas

Uma breve introdução à Psicologia Escolar

Segundo Proença, a área de Psicologia Escolar e Educacional é uma das áreas de pesquisa e de atuação profissional no campo da Psicologia tradicionalmente presente na história dessa ciência no Brasil. Do ponto de vista histórico, a Psicologia Escolar e Educacional permaneceu como campos distintos até muito recentemente: a primeira como o campo da prática profissional e a segunda enquanto área de pesquisa em Psicologia. Essa dicotomia passou a ser questionada por uma perspectiva crítica que considerava que teoria e prática são elementos indissociáveis na constituição de uma ciência dita humana.

O que é Bullying?

Referente ao Bullying escolar, de acordo com Busnello, Montagner Schaefer e Kristensen, existe uma grande variedade de definições para a palavra bullying, mas pode-se dizer que o termo se refere à exposição repetida a ações propositais que ferem ou prejudicam o indivíduo, caracterizando-se, principalmente, pela disparidade de poder entre os pares, de modo que uma pessoa é dominada por outra. Portanto, o desequilíbrio de poder e as atitudes negativas e repetidas entre iguais constituem as principais características que viabilizam a intimidação do alvo.

Esses atos podem ser cometidos por meio de agressão verbal ou física, ou por meio de exclusão de um grupo. Determinadas características de um indivíduo podem torná-lo uma vítima potencial de bullying, tais como etnia, orientação sexual, diferença de idade e tamanho.

O fenômeno de bullying é, atualmente, uma das formas mais recorrentes de violência na escola. É importante destacar que as situações de bullying ocorrem em diversos contextos, sem restrição quanto ao nível socioeconômico, gênero ou faixa etária, sendo observadas em escolas públicas e privadas. Diante do progressivo aumento dos casos de agressão observados no ambiente escolar e das graves consequências sociais que acarretam ao sistema educacional brasileiro, diversos estudos têm investigado o bullying entre estudantes do ensino fundamental e médio, bem como na população universitária.

Além das diferentes definições encontradas para o termo bullying, há também formas distintas de classificá-lo. Assim, esse fenômeno pode ser qualificado quanto ao tipo de ato violento que é empreendido, diferenciando-se entre direto e indireto. O bullying direto, tanto físico como verbal, inclui agressão física, abuso sexual, roubo ou deterioração de objetos de outra pessoa, extorsão, insultos, apelidos e comentários racistas. A forma de bullying indireto, por sua vez, compreende a exclusão de uma pessoa do grupo, fofocas e apelidos que marginalizam o outro e qualquer outro tipo de manipulação cometida por um indivíduo ou um grupo contra outro.

Outra forma de classificação do bullying é em relação à função assumida pelos participantes, que podem ser vítimas, agressores, vítimas/agressores ou testemunhas. As vítimas ou alvos são os indivíduos expostos a ações perpetradas por outro(s), de forma repetida e durante um determinado período. Essas pessoas, em geral, são inseguras, pouco sociáveis e não dispõem de recursos para reagir à violência ou interrompê-la.

Os agressores, por sua vez, tendem a ser pessoas populares e dominadoras em relação aos seus alvos, além de envolverem-se em comportamentos antissociais.

Alguns aspectos como condições familiares adversas, maus-tratos, excesso de permissividade dos pais e mesmo fatores individuais (impulsividade, hiperatividade, déficit de atenção, baixo desempenho escolar) podem explicar as atitudes praticadas pelos perpetradores da violência. Cerca de 20% dos indivíduos envolvidos em situações de bullying podem representar tanto o papel de vítimas como de agressores, dependendo do contexto em que se encontram. Essa dupla função pode ser justificada pela combinação de atitudes agressivas e uma baixa autoestima.

As testemunhas, por fim, são pessoas que não se envolvem diretamente em situações de bullying, mas assistem passivamente à violência cometida e se calam por medo, acobertando os agressores e contribuindo para a continuidade desses atos.

O bullying é uma preocupação universal, visto o grande número de trabalhos realizados no mundo todo, em países como Austrália, Holanda, Estados Unidos, Portugal e Coreia. No Brasil, as pesquisas sobre vitimização e comportamentos violentos na escola são recentes. A falta de trabalhos sobre esse tema cria uma discussão a respeito da incidência do bullying, pois é difícil identificar se a prevalência desse fenômeno realmente está aumentando ou se foi o interesse social acerca do sistema escolar que gerou mais pesquisas e visibilidade. Dessa forma, há desacordo nos achados de pesquisas anteriores quanto à prevalência do bullying na escola, variando de 21% (Chapell et al., 2006) a 40% (Lopes Neto e Saavedra, 2003). Esses resultados incluem tanto comportamentos de agressividade como de vitimização.

A literatura aponta para diferenças entre os sexos na manifestação de comportamentos que envolvem bullying. Os meninos tendem a envolver-se mais em situações de bullying, tanto como autores quanto como alvos.

Entre as meninas, o bullying também ocorre, embora com menor frequência, principalmente sob a forma de agressão indireta, que envolve exclusão social e difamação dos pares.

Esses resultados correspondem aos encontrados na literatura acerca da agressão, sugerindo que os meninos utilizam mais agressividade direta, sendo ela verbal ou física, enquanto as meninas, por sua vez, apresentam costumeiramente formas de agressividade social ou relacional.

Em relação à idade em que o bullying ocorre mais frequentemente, alguns estudos verificaram que esse fenômeno parece atingir seu pico na faixa etária entre 9 e 15 anos. As vítimas, em geral, possuem determinadas características que as fragilizam ante o agressor. Desse modo, as crianças mais novas podem ser alvos de outras crianças mais velhas. Outros indivíduos tornam-se vítimas por serem fracos fisicamente ou possuírem alguma característica percebida como negativa ou algo que os diferencie do grupo de iguais. Olweus (1993) também constatou que a porcentagem dos indivíduos que relatam a vitimização declina gradualmente com o passar da idade. É menos provável a ocorrência de agressões físicas para aqueles com a idade mais avançada e que continuam em processo de vitimização na escola.

Mapa Descrição gerada automaticamente

Efeitos do Bulliyng

O bullying é considerado um estressor social crônico, que pode ocasionar diversos problemas para a vida do indivíduo, como depressão, ansiedade, estresse e baixa autoestima. Esses efeitos decorrentes da violência direta ou indireta entre pares na infância trazem, muitas vezes, consequências para a vida adulta da pessoa que foi uma vítima crônica de bullying.

Assim, considerando o aumento significativo dos casos de violência na escola e do impacto que causa às pessoas, inclusive repercutindo na vida adulta, este estudo teve como principal objetivo investigar a ocorrência de comportamentos agressivos, vitimização e características pró-sociais associados ao bullying em estudantes do ensino fundamental de uma escola particular. Adicionalmente, tendo em vista os resultados apontados por estudos anteriores, também foi analisada a variável sexo na manifestação desses comportamentos.

Que reflexões devemos fazer para combater o Bullying?

Seja qual for a situação difícil vivida pelo estudante e sua família é importante que o professor os escute e os acompanhe e, se necessário, encaminhe-os aos serviços especializados oferecidos pela própria escola ou por profissionais competentes. Dentre os tipos de violência, a psicológica, que envolve hostilidade, rejeição e crítica severa ao comportamento e à aparência da criança ou do adolescente, é a que mais influi no aparecimento e no desenvolvimento da depressão. Ajuda muito se o professor estiver atento às práticas disciplinares utilizadas pela família, ao tipo de relacionamento entre os pais e à interação de seu aluno com os amigos e com a comunidade. É importante que o educador escute com atenção o que o aluno fala, sente e pensa. O reconhecimento da família como parceira também é fundamental. Fortalecê-la para poder proteger e não expor o estudante em situações de violência é uma das tarefas da comunidade escolar. (Avenci, Pesce, Ferreira, 2010)

Boneca ao lado de desenho animado Descrição gerada automaticamente com confiança média

Bibliografia

  1. O papel do Psicólogo Escolar. – Carmen Silva de Arruda Andaló
  2. BOCK, A. M. B. Psicologias. Uma introdução ao estudo de Psicologia. São Paulo: Saraiva, 2002, pp. 263-276.
  3. Indisciplina na escola: alternativas teóricas e práticas / organização Julio Groppa Aquino. – São Paulo: Summus. 1996.
  4. A indisciplina e o processo educativo: uma análise na perspectiva vygotskiana. Teresa Cristina R. Rego.
  5. A desordem na relação professor-aluno: indisciplina, moralidade e conhecimento. Julio R. Groppa Aquino.
  6. AVANCI, JQ., PESCE, RP., and FERREIRA, AL. Reflexões sobre promoção da saúde e prevenção da violência na escola. In: ASSIS, SG., CONSTANTINO, P., and AVANCI, JQ.,orgs. Impactos da violência na escola: um diálogo com professores [online]. Rio de Janeiro: Ministério da Educação/ Editora FIOCRUZ, 2010.
  7. MINAYO, M. C. S. Social Violence from a Public Health Perspective. Cad. Saúde Públ., Rio de Janeiro, 10 (supplement 1): 07-18, 1994
Rubia Boeno de Andrade
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