Ansiedade

O isolamento como causa de fobia social

Sabe o quão ruim é você querer sentir livre, e apenas sair na rua e já se sentir observado e sentir – se tão desconfortável que o único lugar de conforto é no seu quarto trancado e isolado porque qualquer contato humano te apavora e te deixa muito desconfortável? ”

O que é a fobia social?

A fobia social é uma psicopatologia que acomete muitas pessoas no mundo todo. Caracteriza-se principalmente pelo medo de interações sociais, ou, a exposição a avaliação social. É comum em quem sofre de fobia social comportamentos de tipo aversivo, evitando o contato com outras pessoas e situações que possam expô-la. 

  • Insegurança,
  • Ansiedade,
  • Medo,
  • Tremores,
  • Tensão muscular,
  • Encolhimento,
  • Dificuldade de manter contato visual,
  • Sentimentos de julgamento

São manifestações comportamentais e fisiologicas que podem ocorrer em casos que envolvam o contato com outras pessoas e ambientes sociais. 

A fobia social se assemelha muito com o comportamento introspectivo e tímido, porém, deve-se manter uma clareza de que a fobia social não é o mesmo que uma timidez, ela, a fobia social, causa sérios prejuízos à vida de uma pessoa, fazendo com que ela evite o contato com o meio externo, se exclua de relações interpessoais e se mantenha o mais distante e isolada possível. 

As causas para o desenvolvimento da fobia social estão relacionadas a fatores genéticos, onde quem possui histórico familiar está propenso a desenvolver, além de fatores socioambientais, o contexto em que a pessoa está inserida e suas vivências, situações de risco, violência, traumas, rejeição ou ridicularização.

Estamos vivenciando um período de muita aflição. A pandemia de COVID-19 tem trazido sérios problemas de saúde mental para a população como um todo. Ansiedade, depressão e pânico tem se intensificado de modo a causar prejuízos na vida das pessoas. O medo do desconhecido, a vivência de perdas, luto e noticiários deprimentes tem sido gatilhos para o sofrimento mental. 

Como o isolamento social pode influenciar?

O isolamento social como medida de cuidado diante da pandemia pode ser um dos fatores contribuintes para a crise de saúde mental que estamos vivenciando. Lidar com as questões impostas não é tão simples como se imagina, a mudança do estilo de vida, adaptação ao home-office, a perda do contato social, o medo e o receio do desconhecido são pontos que contribuem diretamente para o aumento da ansiedade e o desenvolvimento de outros transtornos mentais. 

O medo intenso e insegurança deixam as pessoas mais ansiosas, fazendo com que se evite situações que possam coloca-las em risco ou diante de algum constrangimento. Sendo assim, passa-se a evitar participação em grupos de pessoas, a pessoa tem dificuldades em estabelecer novos relacionamentos interpessoais, fecha-se e não se permite vivenciar novas oportunidades. 

Há alguns vestígios emocionais que precisamos tomar cuidado, pois eles acabam mascarando uma situação problema, como é o do isolamento e o uso da máscara. A resistência em sair agora torna-se natural com o isolamento, confortável para quem já possui um comportamento de esquiva social, porém, devemos observar isso como um agravante pós pandemia. Ao retorno das atividades presenciais e ao contexto social isso intensifica e muito as crises de fobia, agorafobia e pânico. Ter que se submeter a situações onde há a exposição direta e a proximidade com o outro é angustiante, além disso, há o medo de entrar em contato com outros e adquirir uma patologia. 

O uso da máscara tem sido pretexto para se “esconder” por de trás dela, sendo assim, a pessoa se sente “segura” ou “protegida” de alguma ameaça ou julgamento. Dessa forma, a máscara passa a ser utilizada como um objeto ou escudo, e a pessoa passa a exercer comportamentos de dependência e compulsão pelo uso da máscara.

A partir do momento em que esses sintomas e comportamentos são evidentes, isso passa a ser um forte indicador de que se precisa buscar ajuda. Aceitar e identificar esse problema permite uma melhor adaptação ao tratamento. Desenvolver estratégias que possam contribuir para o enfrentamento de comportamentos negativos e pensamentos disfuncionais que promovam a autonomia, autoconfiança e resiliência para vencer seus medos e receios.

Quais os possíveis tratamentos existentes?

O tratamento da fobia social é feito por um profissional capacitado em saúde mental, como o médico psiquiatra e o psicólogo. Logo que diagnosticado pelo médico o quadro de fobia social, ele, juntamente com o paciente, irão estabelecer a melhor terapêutica a ser adotada.

O acompanhamento psicológico se faz essencial, a terapia cognitiva comportamental tem se mostrado muito eficaz, pois permite identificar padrões de crenças e comportamentos desajustados e modifica-los por comportamentos assertivos. Além do mais, a orientação ao enfrentamento de situações desafiadoras para promover a autoconfiança e capacidade de adaptação é muito importante. 

É preciso trabalhar também as relações sociais como essenciais para o ser humano, de forma que também contribui para se estabelecer como um outro ser humano. 

Lidar com os próprios medos e anseios não é algo fácil, é uma decisão que necessita de muita força interna para ser tomada, porém, necessária. Enfrentar os próprios sentimentos e pensamentos, mudar a forma de pensar e agir diante de si mesmo e dos outros é desafiador e exige muita persistência. E nestes casos as pessoas precisam de muito suporte emocional e estímulos para que se sintam pertencentes de um contexto social em que ela pode agir, se expressar e interagir sem medos, culpas e receios diante dos outros. 

Para superar a fobia é necessário muita determinação, autoconsciência e empenho. 

O que podemos identificar que possa melhorar quadros de fobia social?

  • Olhar para si mesmo,
  • identificar o problema e aceita-lo é um grande passo,
  • Buscar perceber os hábitos e pensamentos distorcidos e modifica-los,
  • Evitar pessoas e situações negativas,
  • Pensar positivo e perder o medo do julgamento,
  • Salientar seus pontos positivos e potencialidades,
  • Modificar sua postura corporal e adquirir autoconfiança,
  • Evitar autocobrança,
  • Praticar atividades relaxantes,
  • Conversar com alguém próximo que lhe ofereça segurança.

Referências

  1. Três fobias sociais que aumentarão depois do confinamento (e quando é normal ter medo)Revista El Pais- Disponível em: https://brasil.elpais.com/buenavida/2020-05-18/tres-fobias-sociais-que-aumentarao-depois-do-confinamento-e-quando-e-normal-ter-medo.html
  2. Fobia social: O que é, sintomas, tem cura? Descubra como superá-la, Portal Psicologia Viva. Disponível em:< https://blog.psicologiaviva.com.br/fobia-social/>.
Marta Maria da Costa
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