Educação

O papel dos pais como preparadores emocionais    

Conceito 

Os pais que atuam como preparadores emocionais orientam seus filhos através do mundo das emoções. Eles transcendem a aceitação para reprimir atitudes que julgam impróprias e ensinam a seus filhos a regular seus sentimentos, encontrar meios apropriados de expressá-los e resolver os problemas. 

Em geral, eles são conscientes de suas emoções, bem como das pessoas próximas a eles. Eles não negam as emoções que são consideradas negativas, como tristeza, raiva ou medo. Na verdade, eles estimulam a honestidade emocional nos filhos. Ao mesmo tempo, sabem impor limites e tentam ensinar como expressar emoções, como a raiva, de forma que não seja destrutiva.   

Pelo fato de valorizarem o papel e a finalidade das emoções em suas vidas, estes pais não têm medo de expressar sua emocionalidade diante dos filhos. São pais que podem chorar na frente dos filhos quando estão tristes, podem perder a cabeça e depois explicar porque estão irritados. 

Características dos pais preparadores emocionais 

  • Veem nas emoções negativas uma oportunidade de intimidade e não as evitam;
  • São capazes de investir seu tempo com uma criança triste, irritada ou assustada;
  • Diante de emoções negativas agem como educadores;
  • Respeitam as emoções das crianças independentemente de quais sejam;
  • Evitam dizer como a criança “deve” se sentir;
  • Sentem como normal não ter que resolver todos os problemas das crianças;
  • Evitam ridicularizar e acolhem as emoções negativas da criança, tais como medo, raiva, frustração, entre outras;

Passos fundamentais da preparação emocional 

A empatia atua fortemente como base para a preparação emocional. Em sua forma mais básica a empatia é a capacidade de sentir o que o outro sente, colocar-se no seu lugar, sem se misturar com a sua emoção.

Pais dotados de empatia conseguem, ao ver seus filhos chorarem, entender e sentir sua dor, mas não se misturam nessa dor. O mesmo ocorre quando veem os filhos sentindo raiva e batendo o pé, e percebem sua frustração e raiva, por não ter conseguido algo que queriam.  

Imagine ser criado numa casa em que não há empatia. Nesta casa, provavelmente a raiva ou tristeza serão considerados pelos pais como sinais de fracasso e recebidos como alguém de “moral baixo”. A tendência será aceitar a criança apenas quando ela se mostra satisfeita e alegre. E esta aprende a sempre procurar não decepcionar seus pais e negar a expressão das emoções negativas. 

Ocorre que no mundo real as coisas não acontecem dessa forma e haverá momentos de raiva e tristeza ou decepção que a criança não irá trazer e irá seguir negando as emoções negativas para não ser considerada um problema na família. Se esses sentimentos são acolhidos e aceitos pelos pais, a criança não se sente tão sozinha e percebe que os pais podem apoia-la em qualquer situação. E esse comportamento irá levar para a vida adulta. 

Cinco passos da preparação emocional

  • Perceber a Emoção da Criança

Pais que são emocionalmente conscientes e percebem as próprias emoções, podem usar essa capacidade para sintonizar e se conectar com os sentimentos dos filhos. A criança geralmente dá sinais quando está com algum problema emocional, como comer demais, perda de apetite, pesadelos, queixas de dor de cabeça e dor de estômago, entre outras coisas. Quando os pais acolhem os sentimentos dos filhos e até se emocionam com eles, poderão aproveitar esses momentos para dar o próximo passo, ganhar a confiança do filho e orientá-lo.

  • Reconhecer a emoção como oportunidade de intimidade e transmissão de experiência

Pais que encaram a crise dos filhos como uma oportunidade de aprendizado e crescimento emocional para a criança, exercitam essa proximidade e possibilidade de orientação diante dos problemas do dia a dia. Quando a criança pode falar sobre suas emoções e nomeá-las, sente-se mais compreendida. O filho irá perceber que os pais são seus aliados e descobrir que um pode colaborar com o outro. 

  • Escutar com empatia, legitimando os sentimentos da criança

A escuta empática talvez seja o passo mais importante da preparação emocional. Para entrar em sintonia com as emoções dos filhos, pais empáticos precisam estar atentos à linguagem corporal destes, suas expressões faciais e gestos. É importante estar atendo e mostrar isso ao seu filho. Sentar no mesmo nível que ele, respirar fundo, relaxar e concentrar-se. Esta atenção fará a criança perceber que é levada a sério pelos pais que estão dispostos a perder algum tempo com ele.       

  • Ajudar a criança a nomear e verbalizar suas emoções

Nomear as emoções e mostrar empatia são etapas que caminham juntas nesse processo de preparação emocional. Alguns estudos indicam que nomear as emoções pode ter um efeito calmante sobre o sistema nervoso e ajuda a criança a se recuperar mais rapidamente de situações desagradáveis. Isso não significa dizer às crianças como devem se sentir. A ideia é poder ajudá-la a desenvolver um vocabulário adequado para expressar o que sente. 

  • Impor limites e, ao mesmo tempo, ajudar a criança a resolver seus problemas

É importante a criança entender que seus sentimentos não são o problema, sejam eles quais forem, mas seu mau comportamento. Os pais devem colocar limites aos atos e não aos desejos. Dizer a uma criança como ela deve se sentir, só irá fazer com que ela desconfie do que sente, o que a deixará insegura e fará com que perca a autoestima. Talvez se os pais disserem que ela pode se sentir assim, mas que podem haver outras formas de expressar seus sentimentos, isso irá preservar seu caráter e autoestima.   

Efeitos dos pais preparadores emocionais na educação dos filhos  

Como principais efeitos desse estilo de pais temos crianças que aprendem a confiar em seus sentimentos, regular suas emoções e resolver problemas. Em geral, mostram uma auto estima elevada, facilidade de aprender e de se relacionar com as demais pessoas. 

E, finalmente, por compreenderem a emoção e se acharem capazes de expressá-las de uma forma construtiva, servem de modelo para os filhos. 

Este estilo parental fortalece o vínculo emocional entre pais e filhos, possibilitando às crianças perceberem e considerarem seus pais como confidentes e aliados. Dessa forma, querem agrada-los e não os decepcionar.   

Você conhece pais que atuam como preparadores emocionais? 

 

Referências Bibliográficas:

Gottman, John , PH. D. , Inteligência Emocional – A Arte de Educar Nossos Filhos, Objetiva, 7ª Edição, RJ, 1997.    

Goleman, Daniel, PH. D., FOCO – A Atenção e seu papel fundamental para o sucesso, Objetiva, 1ª Edição, RJ, 2014.

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