Desenvolvimento pessoal

O que é autoestima?

O que é autoestima?

De acordo com o Dicionário Aurélio, a autoestima é definida como “valorização de si mesmo, amor próprio” (FERREIRA, 1999, p.234). Esse ato de se autoavaliar, e da percepção de si mesmo é algo bem antigo do ponto de vista histórico, e é percebido, de certa forma, a partir do período de Sócrates. Contudo, só foi analisado meticulosamente a partir de 1890 nas publicações de William James (ASSIS; AVANCI, 2004, p.25).  

A autoestima é o resultado da visão que um ser humano pode ter de si mesmo, e também é compreendida como um conjunto de elementos compostos por sentimentos e pensamentos que a pessoa pode ter para com si mesma. A partir desses elementos é possível ver a capacidade que o sujeito tem para enfrentar as demandas que surgem em sua vida, negativas ou positivas. (ROSENBERG, 1965.) Porém, Dorothy Corkille Briggs (2002, p.5) nos traz um conceito bem mais completo:

É a maneira pela qual uma pessoa se sente em relação a si mesma. É o juízo geral que faz de si mesma – quanto gosta de sua própria pessoa. A autoestima não é uma pretensão ostensiva. É um sentimento calmo de auto-respeito, um sentimento do próprio valor. Quando a sentimos interiormente ficamos satisfeitos em sermos nós mesmos. A pretensão é apenas uma manifestação falsa para encobrir uma autoestima precária. Quando se tem uma boa auto-estima, não se perde tempo e energia procurando impressionar os outros; já se conhece o próprio valor.

Como vimos, alguns autores falam muito sobre esse tema, porém existe uma que não poderia deixar de citar, a autora Rosenberg (1995), pois ela traz muitos destaques e importâncias relevantes para se refletir, em uma de suas definições acerca do tema, ela diz que a autoestima é constituída por dois elementos fundamentais: o cognitivo e o afetivo. O cognitivo é trazido como o pensamento do ser humano em relação a um objeto, já o afetivo é o que determina as atitudes negativas ou positivas da pessoa em relação àquele objeto.

Dessa forma em ambos os conceito da definição de o que é a autoestima é mostrado a relação dos sentimentos e dos pensamentos, mostrando, assim, a importância de ambas para as atitudes tanto positivas com negativas daquele sujeito diante dos desafios que surgem na vida. 

Desenvolvimento da autoestima

A autoestima se principia ainda na infância nos primeiros anos de vida. O seu desenvolvimento surge a partir das influências da vida cotidiana, e a partir disso é possível analisar como ou até que ponto isso pode vir a interferir de forma positiva ou negativa na vida da criança, ainda nessa fase (HUMPHREYS, 2001).  

Desde o nascimento, nos primeiros contatos com a mãe, e depois disso com todas as outras pessoas que acabam por interagir com esse bebê, de forma significativa, acabam fazendo parte da construção da pessoa, e afetando o desenvolvimento da autoestima de uma forma boa ou ruim. E é através das relações que surgem dessas interações que isso acontece (LERNER, 1980). Como podemos perceber, a interação com outras pessoas e a relação que vamos estabelecendo com elas é de grande importância. 

A criança quando ainda está no período da formação da autoestima, consegue ver a reação das pessoas diante de suas ações ou em relação a si mesma, e é a partir desses processos que ela começa a aprender mais sobre si mesma, e a valorizar a interação com o meio social. Essas experiências, ainda na infância, vão influenciar na criação de uma baixa autoestima ou uma autoestima elevada (ROSENBERG, 1989, apud, ASSIS; AVANCI, 2004). 

Alguns elementos podem atrapalhar a construção da autoestima. Alguns deles são:

  • Superproteção dos pais, avós ou irmãos mais velhos,
  • Palavras que magoam,
  • Excesso de liberdade,
  • Críticas constantes,
  • Fracasso escolar,
  • Agressões físicas,
  • Controle através da culpa ou vergonha,
  • Disciplina inconstante,
  • Falta de linguagem que encorajem a autoavaliação,
  • Regras contraditórias ou inexistência de regras (HUMPHREYS, 2001).  

Quando chega à fase da adolescência ela é de fundamental importância pois pode afetar diversas áreas. Chegando a afetar até o desempenho acadêmico do adolescente e suas experiências para com os outros. Quando o sujeito nessa fase da vida se encontra com baixa autoestima acaba desenvolvendo defesas ou visões distorcidas em relação a seus sentimentos, pensamentos e outros, dessa forma, acaba dificultando a relação e a interação grupal (COSTA, 2000).

Essa é uma fase muito complexa, pois a pessoa está muito suscetível a alterações nesse campo. Para Moksnes et al., (2010), em meio a ambientes turbulentos os adolescentes acabam recebendo muitas influências que afetam de forma positiva ou negativa, essas influências tendem a vim tanto de forma interna como externa. 

No decorrer do texto pudemos ver que é vista como um fator importante, pois Influencia a forma da pessoa perceber, sentir e responder ao mundo. A alta ou baixa autoestima relaciona-se às experiências da pessoa ao longo da vida, principalmente, as relacionadas à afeição, ao amor, à valorização, ao sucesso ou ao fracasso (SCHRAML, PERSKI, GROSSI, & SOMONSSON-SARNECKI, 2011, p. 140). 

A tal é construída no decorrer de sua vida a partir das influencias e do contato com o outro. Todas as pessoas que passam em suas vidas desde a infância, de uma maneira ou de outra, influenciaram a sua percepção, a visão que tem de si mesmo. Podendo ter uma baixa autoestima ou não. 

A pessoa com baixa autoestima tem prejuízo significativo na saúde mental e emocional, o que pode interferir na vida social, pessoal e profissional. Procure ajuda de um profissional especializado, a Psicoterapia pode intervir positivamente nesses conflitos.  

 

Fabiana da Costa Lima

Psicóloga

CRP11/16615. 

Referências

  1. ASSIS, Simone Gonçalves; AVANCI, Joviana Quintes. Labirinto de espelhos: formação da auto-estima na infância e na adolescência. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, p.25- 49. 2004.
  2. COSTA, A. C. G. Protagonismo juvenil: adolescência, educação e participação democrática. Salvador: Fundação Odebrecht, 2000.
  3. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Aurélio Século XXI: o dicionário da língua portuguesa. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.
  4. HUMPHREYS, Tony. Auto-estima: a chave para a educação do seu filho. São Paulo: Ground, p.15-28, 2001.
  5. LERNER, Léa. Criança também é gente. 3. ed. Rio de Janeiro: Bloch, p.83-90, 1980.
  6. PONTAROLO, Regina Sviech. A relação da auto-estima com o fracasso escolar, P. 01-15, 2008. Disponível em: <http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/ arquivos/1712-8.pdf> Acesso em: 10 jun. 2018.
  7. Rosenberg, M., Schooler, C., Shoenbach C., & Rosenberg, F. Autoestima global e autoestima específica: conceitos diferentes, resultados diferentes. American Sociological Review, 60 , 141-156. 1995.
  8. Moksnes, U. K., Moljord, I. E. O., Espnes, G. A., & Byrne, D. G. The association between stress and emotional states in adolescents: The role of gender and self-esteem. Personality and Individual Differences, 2010.
FABIANA DA COSTA LIMA
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