Psicologia geral

O que é terapia cognitivo-comportamental?

Muito se tem falado sobre a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Hoje ela é considerada por muitos uma das principais abordagens cognitivas da atualidade. Ela é conhecida por sua eficácia efetiva na redução de sintomas e taxas de recorrência, com ou sem medicação, podendo ser utilizada em uma ampla variedade de transtornos psiquiátricos

O que é terapia cognitivo-comportamental? 

No início da década de 1960, Aaron Beck, na época professor assistente de psiquiatria na University of Pennsylvania, desenvolveu uma forma de psicoterapia que chamou de “terapia cognitiva”, hoje chamamos de terapia cognitivo-comportamental.

Ele desenvolveu sua teoria quando iniciou seus estudos para o tratamento da depressão no qual foi identificado cognições negativas e distorcidas (principalmente pensamentos e crenças). Beck concebeu uma psicoterapia estruturada, de curta duração, voltada para o presente, direcionada para a solução de problemas atuais e a modificação de pensamentos e comportamentos disfuncionais (inadequados e/ou inúteis).

O tratamento é baseado em uma formulação cognitiva, crenças e estratégias comportamentais que caracterizam um transtorno específico, mas também, claro, em uma compreensão de cada paciente de uma forma individual.

Influenciou sua teoria diversos filósofos estóicos, como Epiteto e outros, e teóricos como Karen Horney, Alfred Adler, George Kelly, Albert Ellis, Richard Lazarus e Albert Bandura. Expandindo por pesquisadores e teóricos atuais dos Estados Unidos e do exterior. Existem muitas formas de terapia cognitivo-comportamental que compartilham características da terapia de Beck como :

  • Terapia racional-emotiva comportamental (Ellis, 1962),
  • Terapia comportamental dialética (Linehan, 1993),
  • Terapia de solução de problemas (D’Zurilla e Nezu, 2006),
  • Terapia de aceitação e compromisso (Hayes, Follette e Linehan, 2004),
  • Terapia de exposição (Foa e Rothbaum, 1998),
  • Terapia de processamento cognitivo (Resick e Schnicke, 1993)
  • Sistema de psicoterapia de análise cognitivo-comportamental (McCullough, 1999)
  • Ativação comportamental (Lewinsohn, Sullivan e Grosscup, 1980; Martell, Addis e Jacobson, 2001)
  • Modificação cognitivo-comportamental (Meichenbaum, 1977), entre outras.

A terapia cognitivo-comportamental tem sido adaptada a pacientes com diferentes níveis de educação, renda, culturas e idades, desde crianças pequenas até adultos com idade mais avançada. É usada atualmente em cuidados primários e outras especializações da saúde, escolas, programas vocacionais e prisões, entre outros contextos. É utilizada nos formatos de grupo, casal e família. 

Em poucas palavras, o modelo cognitivo propõe que o pensamento disfuncional (que influencia o humor e o  comportamento do paciente) é comum a todos os transtornos psicológicos. Quando as pessoas aprendem a avaliar seu pensamento de forma mais realista e adaptativa, elas obtêm uma melhora em seu estado emocional e comportamental Para que haja melhora duradoura no humor e no comportamento do paciente, os terapeutas cognitivos trabalham em um nível mais profundo de cognição: as crenças básicas do paciente sobre si mesmo, seu mundo e as outras pessoas. 

Como são as sessão?

As sessões são estruturadas, mas as intervenções podem variar de paciente para paciente. No início das sessões, é necessário criar uma aliança terapêutica, onde o terapeuta vai checar o humor do paciente, os sintomas e experiências que o paciente teve durante a semana que passou, além de nomear os problemas que mais precisa de ajuda para resolver. Chamamos este procedimento de: definição da pauta.

No momento seguinte, examinamos os exercícios de casa ou “plano de ação”, em que o paciente se envolveu desde a última sessão.

A seguir, entramos na discussão de um problema específico que o paciente colocou na pauta, coletamos dados a respeito do problema, conceitualizamos cognitivamente as dificuldades do paciente e planejamos  colaborativamente uma estratégia de resolução dos conflitos, na maioria das vezes a estratégia inclui a solução objetiva e direta do problema, avaliação do pensamento negativo associado ao problema e/ou mudança no comportamento.

As sessões preparam as condições do cliente para que o mesmo faça as mudanças no seu pensamento e comportamento durante a semana seguinte, o que, por sua vez, levará a uma melhora no seu humor e funcionamento.

Após discutirmos um problema e definirmos colaborativamente um exercício para se fazer em casa, voltamos para um segundo problema que o paciente colocou na pauta e repetimos o processo. Ao fim de cada sessão, revisamos os pontos importantes e finalizamos com o feedback sobre a sessão.

Os 10 princípios básicos da terapia cognitivo-comportamental

Princípio 1:

A terapia cognitivo-comportamental está baseada em uma formulação em desenvolvimento contínuo dos problemas dos pacientes e em uma conceituação individual de cada paciente em termos cognitivos. 

Exemplo: identificando seu pensamento atual que contribui para seus sentimentos e comportamentos problemáticos.

Princípio 2:

A terapia cognitivo-comportamental requer uma aliança terapêutica sólida com os ingredientes básicos necessários em uma situação de aconselhamento: afeto, empatia, atenção, interesse genuíno e competência.

Princípio 3:

A terapia cognitivo-comportamental enfatiza a colaboração e a participação ativa do cliente, encarando a terapia como um trabalho em equipe; juntos nós decidimos o que trabalhar em cada sessão, a frequência com que devemos nos encontrar e o que ele pode fazer entre as sessões como exercício da terapia, encorajando o cliente a se tornar cada vez mais ativo na sessão: decidindo sobre quais problemas falar, identificando as distorções no seu pensamento, resumindo pontos importantes e planejando a prescrição dos exercícios a serem realizados em casa.

Princípio 4:

A terapia cognitivo-comportamental é orientada para os objetivos e focada nos problemas. Em nossa primeira sessão, peço para o cliente enumerar seus problemas e estabelecer objetivos específicos, de modo que compartilhamos o entendimento de para onde estamos nos dirigindo. Posteriormente, ao discutirmos como melhorar sua rotina diária, ajudo-o a avaliar e responder aos pensamentos que interferem em seu objetivo, avaliar a validade dos seus pensamentos por meio de um exame das evidências. dispõe a testar seus pensamentos mais diretamente por meio de experimentos comportamentais, reconhecer e corrigir a distorção em seu pensamento.

Princípio 5:

A terapia cognitivo-comportamental enfatiza inicialmente o presente. O tratamento da maioria dos pacientes envolve um foco intenso nos problemas atuais e em situações específicas que são angustiantes para eles.

A terapia começa por um exame dos seus problemas no aqui e  agora, independentemente do diagnóstico. 

A atenção se volta para o passado em duas circunstâncias:

A primeira, quando o paciente expressa uma forte preferência por fazer assim e quando não fazer isso pode colocar em perigo a aliança terapêutica. A segunda, quando os pacientes ficam “emperrados” no seu pensamento disfuncional, quando um entendimento das raízes infantis de suas crenças poderá ajudar a modificar suas ideias rígidas. 

Princípio 6:

A terapia cognitivo-comportamental é educativa, tem como objetivo ensinar o paciente a ser seu próprio terapeuta e enfatiza a prevenção de recaídas. Em nossa primeira sessão, educo o cliente quanto à natureza e ao curso do seu transtorno, sobre o processo da terapia cognitivo-comportamental e sobre o modelo cognitivo (i. e., como seus pensamentos influenciam suas emoções e comportamento).

A cada sessão faço com que eles realizem algumas anotações sobre a terapia – ideias importantes que aprendeu – para que possa se beneficiar desse novo entendimento nas semanas seguintes e depois que terminar o tratamento. 

Princípio no 7:

A terapia cognitivo-comportamental visa ser limitada no tempo. Muitos pacientes com depressão e transtornos de ansiedade são tratados em um espaço de 6 a 14 sessões. Os objetivos do terapeuta são promover o alívio dos sintomas, facilitar a remissão do transtorno, ajudar o paciente a resolver seus problemas mais urgentes e ensinar habilidades para evitar a recaída.

Inicialmente, acontecem sessões semanais, decidimos, colaborativamente, experimentar sessões quinzenais e depois sessões mensais. Mesmo após o término, planejamos sessões periódicas de “reforço” a cada três meses por um ano.

No entanto, nem todos os pacientes têm sucesso suficiente em alguns poucos meses. 

Alguns deles precisam de um ou dois anos de terapia (ou possivelmente mais) para modificarem crenças disfuncionais muito rígidas e padrões de comportamento  que contribuem para seu sofrimento crônico. Outros pacientes, com doença mental grave, podem precisar de tratamento periódico por um tempo muito longo para manterem a estabilização.

Princípio no 8:

As sessões de terapia cognitivo-comportamental são estruturadas. Independentemente do diagnóstico ou do estágio do tratamento, seguir uma determinada estrutura em cada sessão maximiza a eficiência e a eficácia. Essa estrutura inclui uma parte introdutória (fazer uma verificação do humor, examinar rapidamente a semana, definir colaborativamente uma pauta para a sessão), uma parte intermediária (examinar o exercício de casa, discutir os problemas da pauta, definir um novo exercício de casa, fazer resumos) e uma parte final (eliciar um feedback).

Seguir esse formato faz com que o processo da terapia seja mais compreensível para os pacientes além de aumentar a probabilidade de eles serem capazes de fazer a autoterapia após o término.

Princípio 9:

A terapia cognitivo-comportamental ensina os pacientes a identificar, avaliar e responder aos seus pensamentos e crenças disfuncionais. Os pacientes podem ter dúzias ou até mesmo centenas de pensamentos automáticos por dia que afetam seu humor, comportamento e/ou fisiologia. O terapeuta ajuda o paciente a identificar as principais cognições e a adotar perspectivas mais realistas e adaptativas, o que leva o paciente a se sentir melhor emocionalmente, se comportar com mais funcionalidade e/ou diminuir sua excitação psicológica. 

Isso é feito por meio do processo da descoberta guiada, usando o questionamento para avaliar seu pensamento. O terapeuta também cria experiências, chamadas experimentos comportamentais, para que o paciente teste diretamente seu pensamento. Dessa forma, o terapeuta se engaja no empirismo colaborativo.

O terapeuta, em geral, não sabe antecipadamente até que ponto o pensamento automático de um paciente é válido ou inválido, mas testam juntos esse pensamento para desenvolver respostas mais úteis e adequadas. 

Princípio no 10:

A terapia cognitivo-comportamental usa uma variedade de técnicas para mudar o pensamento, o humor e o comportamento. 

Embora estratégias cognitivas como o questionamento socrático e a descoberta guiada sejam centrais para a terapia cognitivo-comportamental, as técnicas comportamentais e de solução de problemas são essenciais, assim como são as técnicas de outras orientações que são implementadas dentro de uma estrutura cognitiva. 

No entanto, a terapia varia consideravelmente de acordo com cada paciente, com a natureza das suas dificuldades e seu momento de vida, assim como seu nível intelectual e de desenvolvimento, seu gênero e origem cultural.

O tratamento também varia dependendo dos objetivos do paciente, da sua capacidade para desenvolver um vínculo terapêutico consistente, da sua motivação para mudar, sua experiência prévia com terapia e suas preferências de tratamento, entre outros fatores.

Ficou com dúvidas sobre o tratamento? Fico à disposição 

Psicóloga Fransuele Pereira Gularte

Especialista em psicologia clínica – Terapia Cognitivo Comportamental |  Telepsicologia | Atendimento Psicológico Online | CRP 08/29039

+55 41 99206-6047

Referências:

  1. Beck, judith S. Terapia cognitivo-comportamental: teoria e prática / Judith s. beck ; tradução: Sandra Mallmann da Rosa: revisão técnica: Paulo knapp, Elisabeth Meyer.
Fransuele Pereira Gularte
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