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O que é Transtorno Borderline? 

O termo “borderline”, do inglês, refere-se ao que é fronteiriço, limítrofe.

É um transtorno de personalidade, do Tipo B, de difícil diagnóstico, cuja a característica marcante é a instabilidade emocional.

Ou seja, há alternância entre momentos de estabilidade e de descontrole, ocorrendo mudanças constantes de humor e de comportamento devido à dificuldade de controlar os impulsos

As pessoas que padecem de transtorno Borderline costumam ter baixa tolerabilidade a frustrações e podem vivenciar episódios intensos de raiva, depressão ou ansiedade, com duração variável de horas ou dias.
O que torna as relações mais desgastantes, porque podem mudar de opinião sobre os outros de forma dramática e impulsiva se sentirem que determinada pessoa não se importa o suficiente com elas.

Sintomas

Quem desenvolve o Transtorno Borderline tem dificuldade para lidar com as demandas da vida ou estresse. São pessoas mais intensas e tendem a ter um temperamento mais “explosivo”. Acabam tendo atitudes impulsivas prejudiciais à saúde delas e das pessoas com quem convivem, que precisam se “imunizar” deste comportamento, para suportar e lidar com discussões encaloradas e até mesmo agressões.

Geralmente as crises são manifestadas após conflitos emocionais.

Os sintomas mais comuns são:

  • Instabilidade emocional, associada à impulsividade;
  • Insegurança;
  • Relações sociais problemáticas;
  • Dificuldade de aceitar crítica;
  • Sensação de solidão (podendo sentir medo intenso ou raiva quando se sentem abandonados ou negligenciados); 
  • Pensamentos de ameaça suicida;
  • Comportamentos autodestrutivos (como automutilação: cortes, queimaduras, pancadas) na tentativa de se punirem ou aliviarem os sofrimentos;
  • Dificuldade para definir a sexualidade e identidade de gênero;
  • Baixa autoestima;
  • Pensamentos paranoicos de que as pessoas querem lhe causar sofrimento.

Há pacientes que apresentam um comportamento mais intrusivo: que não explodem, não maltratam os outros, mas se recolhem e não querem interagir.

Muitas vezes se sentem mal após explodirem ou ficam remoendo sentimentos de culpa e arrependimento.

Causas

As causas do Transtorno de Personalidade Borderline podem ser diversas e ainda não são confirmadas, mas pesquisadores sugerem que pode se desenvolver devido aos seguinte fatores que dificultam o controle dos impulsos e das emoções:

  • Predisposição genética;
  • Ambiente familiar conflituoso;
  • Desequilíbrios hormonais;
  • Experiências como de morte ou separação;
  • Abuso sexual (principalmente na infância e/ou adolescência)

Não é uma escolha ser borderline. O sofrimento por não controlar os impulsos é muito grande.

Comorbidades

Frequentemente pacientes com borderline podem apresentar comorbidades associadas, como:

  • Depressão;
  • Transtornos de Ansiedade;
  • Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT);
  • Transtornos do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH);
  • Transtornos Alimentares;
  • Transtornos por Abuso de Substâncias;

Diagnóstico

Para obter o diagnóstico preciso, realizado por médico psiquiatra, é necessário cuidado e atenção aos detalhes.
Pois, quando se trata de transtornos mentais, é comum as pessoas confundirem com o Transtorno Bipolar.

Fazer a diferenciação entre o Transtorno de Personalidade Borderline e o Transtorno Bipolar não é fácil, devido à característica semelhante entre ambas: a alternância de humores opostos (o paciente num momento se sente eufórico e no outro apresenta comportamentos depressivos).

Porém, existem algumas diferenças entre esses transtornos, como:

  • A velocidade das mudanças de humor;
  • As suas motivações.

Transtorno de Personalidade Borderline é um transtorno de personalidade e, por mais que o paciente também tenha oscilações de humor, elas são mais instáveis, diferentemente do que ocorre na bipolaridade, já que neste transtorno de humor há dois polos bem marcados que duram um período maior.

Convivência com paciente borderline

Como a convivência com um paciente que padece de transtorno borderline costuma ser complicada, em decorrência dos problemas de relacionamentos, é necessário ter consciência de que é possível paras os familiares, amigos ou pessoas ao redor dessa pessoa tornarem-se alvo de culpa e raiva e, por conta disso, precisam estar preparados para enfrentar os períodos de crise.

É preciso entender o que é o transtorno Borderline, para se conter e não agir com a mesma intensidade.

É importante não julgar, porque por trás dessa doença há um ser humano que precisa de amor e de acolhimento, para perceber que pode ser aceito e também confiar em quem se relaciona, porque são pessoas capazes de se relacionar, desde que sintam empatia e que sejam acolhidas.

A psicoterapia pode oferecer àqueles que convivem com pacientes borderline uma boa ajuda para lidar melhor com os sintomas, encontrando um equilíbrio entre os cuidados dedicados a ele e o próprio bem-estar para seguir adiante com seu propósito de vida.

Tratamento

A cura ainda não foi constada, mas os sintomas podem diminuir tornando possível a melhora no quadro ou remissão.

O tratamento é feito com a associação de psicoterapia e medicação.

Os medicamentos são específicos para cada caso, como: antidepressivos, antipsicóticos e estabilizadores de humor – ajudando a aliviar os sintomas depressivos, de agressividade e do perfeccionismo exagerado, dependendo de cada fase em que se encontram.

Se o paciente estiver enfrentando um período de surto psicótico, com comportamento autodestrutivo ou suicida acentuado, pode ser necessário internação em clínica psiquiátrica, porém, é imprescindível a psicoterapia.

A Terapia Cognitivo-comportamental mostra-se eficaz, pois a ideia é que o paciente possa tomar consciência das sensações e padrões de pensamentos que estão por trás de comportamentos destrutivos, além de desenvolver estratégias para evitá-los, e com isso possibilitar relações mais estáveis, maior tolerância à frustração e possibilidade de controlar alguns impulsos.

Este tratamento é fundamental para o paciente manter uma vida produtiva e satisfatória, mas requer paciência e força de vontade.

ESTE CONTEÚDO TEM CARÁTER INFORMATIVO E NÃO HÁ INTENÇÃO DE SUBSTITUIR AVALIAÇÃO OU TRATAMENTO.

Quer saber mais sobre o transtorno?

Você pode pesquisar mais sobre o assunto, buscar informações. A seguir, eu dou duas sugestões de entretenimento que talvez possam contribuir para esse entendimento:

  • Filme: Garota Interrompida. (1999) – Direção: James Mangold. Elenco: Winona Rider, Angelina Jolie …
  • Livro: Mentes que amam demais: O jeito borderline de ser – Dra Ana Beatriz Barbosa Silva. (2018). Ed Principium.

Se você reconhece algum desses sintomas em si ou em alguém, não hesite em pedir ajuda.

Eu estou à disposição.
Eu realmente espero que este conteúdo seja útil.

Um abraço.

Referências

  1. DSM5 – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Artmed;
  2. CID-10 – Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde. Associação Brasileira de Psiquiatria;
  3. Mentes que amam demais: o jeito borderline de ser – Dra Ana Beatriz Barbosa Silva. (2018). Ed Principium.
Andreza Scatena Dan Scatena Dan
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