Desenvolvimento pessoal

Como o trauma pode desenvolver a psicossomática

O significado do trauma

Ao longo da história da humanidade tivemos guerras mundiais, catástrofes, e nos dias atuais, pandemia. Não existe uma padronização ao significado palavra trauma. Etimologicamente a palavra “trauma” no grego refere-se à ferida.

A psicanálise terá o olhar para a pessoa que já vivenciou ou está vivenciando o trauma e fará uma leitura de como seu comportamento está diante desse acontecimento, o qual pode estar apresentando sintomas.

“O corpo não é o exterior, sendo a mente o seu interior. Os processos psíquicos não são “dentro” do homem. O “corpo” não lhe é um mero veículo, ou uma veste, ou um calçado. O corpo e a mente interpenetram-se, como desde sempre se sabe. Não há processos puramente orgânicos, e nem unicamente mentais” (Ávila, 1997, p. 38).

É muito limitante para nós definir o que é um trauma para cada pessoa, pois existem diferentes momentos na vida de cada pessoa em que ela mesma pode classificar um trauma vivenciado. Mas de forma generalizada, as pessoas de alguma forma em suas vidas vivenciaram um ou mais traumas, seja ele na morte de um parente querido, um amigo próximo à família ou até mesmo um acidente.

Os acidentes se tiverem sido de trânsito podem ter deixado marcas no corpo e na mente de quem vivenciou. E até mesmo o falecimento de algum envolvido. Destaco também o Acidente Vascular Cerebral (AVC), que dependendo da sua gravidade pode-se levar à morte, ou deixar sequelas no corpo físico, estado mental e até acamação.

As consequências dos traumas

Devido ao trauma vivenciado, muitas vezes a família tem uma reorganização de quem vai cuidar: “vamos ter condições financeiras de pagar um cuidador(a)?”. Como serão as novas adaptações diante desse acontecimento? Muitas vezes as pessoas da mesma família que cuidam da pessoa que por um agravo ficaram dependentes para realizar algumas tarefas “esquecem” de se cuidar, pois estão voltadas para os cuidados de quem “necessita” no momento.

Esses momentos, que tenho vivenciado em meus atendimentos, as pessoas não se alimentam corretamente, não dormem bem, “esquecem” delas próprias e podem desenvolver, por exemplo:

  • Gastrite nervosa,
  • Úlceras,
  • Dermatite,
  • Falta de ar,
  • Tremores,
  • Enxaquecas,
  • Etc.

Algumas dessas doenças citadas não se conhece a origem para a ciência médica, pois elas estão atreladas às emoção e sentimento de cada pessoa.

A importância do trabalho na construção da identidade

O trabalho é um grande auxiliador na construção da identidade, pois “pode ser um poderoso mediador da construção da identidade. Em particular, quando a realização de si mesmo no campo erótico — no amor — é posta em xeque. À medida que a identidade constitui a base da saúde mental (toda crise psicopatológica é centrada por uma crise de identidade), podemos dar-nos conta de como o trabalho pode constituir uma segunda oportunidade de construirmos nosso equilíbrio psíquico e nossa saúde mental” (Dejours, 2001, p. 90).

Entretanto, o sujeito pode adoecer e também apresentar sintomas psicossomáticos, pois “o sofrimento põe o sujeito face às impotências, limites e decadência orgânicos, expondo-o à perspectiva da morte e precipitando defesas e estratégias de enfrentamento que excedem a dimensão orgânica. A doença, as prescrições e os medicamentos — todo este aparato médico — deve adquirir sentido na dinâmica subjetiva, não dizendo respeito apenas à enfermidade como objeto de investigação biomédica, mas, sobretudo, à sua experiência subjetiva e aos destinos dos afetos em jogo” (Winograd& Teixeira, 2011, p. 176).

É de extrema importância o trabalho psicoterapêutico na interpretação de sintomas psicossomáticos, pois este auxilia na compreensão do adoecimento e como ele faz fronteira com os afetos e as representações, interrompendo o incomodo, aumentando a capacidade do sujeito de retomar seu discurso frente aos impedimentos que ele próprio colocava sem saber, é fundamental que se organize os processos psíquicos com a finalidade de cura. A cura como responsabilização dos modos de sofrer.

A origem do sintoma psicossomático só pode ser vinculado à história singular de cada um, considerando como único o que o sujeito diz de sua doença. Contemplando o tempo de compreender e elaborar questões profundas, para isso é necessário um trabalho que permita isso.

Mantenha sua agenda sempre cheia!

A importância da terapia

O trabalho psicanalítico através de seu método permite intervir e retomar a história, e nela encontrar pontos de repetição que estruturam o adoecimento e como o sujeito lida com ela, além de integrar e possibilitar a autonomia frente às adversidades cotidianas.

A psicoterapia tem a função de elucidar aquilo que não queremos ver ou compreender no momento, tendo ao lado do psicoterapeuta um apoio para passar a reviver questões importantes, momentos felizes e tristes, perdas traumáticas e conflitos.

“A prática psicanalítica vem se expandindo nas últimas décadas de forma gradativa e passamos a encontrar a psicanálise em diversas áreas do conjunto de terapias. Concomitantemente, ocorreram mudanças na teoria e na técnica que vêm se estendendo até a atualidade, bem como mudanças no tipo de paciente que passou a buscar atendimento na clínica psicanalítica: patologias do espectro narcisista, borderlines ou casos-limites, clínica do vazio, novas subjetividades”(Silva, Gasparetto&Campezatto, p. 44).

É a partir da transferência, processo fundamental para a Psicanálise, que se dá o tratamento, ou seja, também pelo estabelecimento de um vínculo que suporte a angústia e o sofrimento em busca da saúde mental. É necessário acolher o paciente, permitir o seu diálogo e construção subjetiva do que lhe faz sofrer, espaço possível e significativo por promover o sigilo, a confiança e a escuta qualificada.

Este texto é uma alusão à importância do processo psicoterapêutico para uma próspera saúde mental, seja pelos diversos motivos existentes, trabalho, adoecimento psicossomático, patologias mentais ou em busca de um melhor modo de existir, em busca do autoconhecimento e retomada da autonomia de vida. 

Portanto, cuidar da saúde mental é também cuidar do corpo humano, pois a mente controla o corpo, que  por sua vez responde aos estímulos de cada história peculiar, que no individuo diz respeito à sua cultura, valores, etnias, etc.

Na psicoterapia de orientação psicanalítica escutamos e interpretamos, ajudamos a pessoa a (re)significare e refletir os momentos de felicidades e tristeza que pode ser vistos e entendidos a partir de um outro olhar.

Olhar este que nos ajuda a entender momentos vivenciados, sejam eles de dor ou de felicidade, que marcam a essência de existir peculiar, de construir e de (re)construir a história e identificação do ser humano pela linguagem, permitindo expressar cada singularidade.

Psicóloga Cintia Ap. F. Gonçalves

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Referência bibliográfica 

  1. Ávila, LazsloAntonio. (1997). “A alma, o corpo e a psicanálise”. Psicologia: Ciência e Profissão, 17(3), 35-39. https://doi.org/10.1590/S1414-98931997000300006
  2. Besset, Vera Lopes, Zanotti, Susane Vasconcelos, Vieira, Marina Pereira, Costa, Luciana de Siqueira, Silva, Gabriella Valle Dupim da, Brito, Bruna Pinto Martins, & Maluf, Adriana Penatti. (2006). Trauma e sintoma: da generalização à singularidade. Revista Mal Estar e Subjetividade, 6(2), 311-331. Recuperado em 07 de maio de 2021, de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1518-61482006000200003&lng=pt&tlng=pt.
  3. Cardoso, Marta Rezende. (2001). Christophe Déjours. Ágora: Estudos em Teoria Psicanalítica, 4(2), 89-94. https://doi.org/10.1590/S1516-14982001000200007
  4. Silva, Milena da Rosa, Gasparetto, Letícia, &Campezatto, Paula vonMengden. (2015). Psicanálise e psicoterapia psicanalítica: tangências e superposições. Revista Psicologia e Saúde, 7(1), 39-46. Recuperado em 07 de maio de 2021, de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2177-093X2015000100006&lng=pt&tlng=pt.
Cintia Ap Forner Gonçalves
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