Desenvolvimento pessoal

Os 4 temperamentos humanos

Introdução

Você já ouviu falar sobre os temperamentos? Sabe quais são os tipos de temperamentos que existem? Consegue identificar suas características? Sabe reconhecer qual o seu próprio temperamento? Sabe identificá-los nos outros? 

A ciência dos temperamentos humanos é uma ciência SIMBÓLICA, e a simbologia estuda a relação entre os seres. Ela deve ser estudada com um OLHAR PROFUNDO.

Aprender a ciência dos temperamentos é um dos meios para o AUTOCONHECIMENTO. A pessoa que conhece o seu temperamento terá em suas mãos as ferramentas necessárias para começar a adquirir o seu AUTODOMÍNIO, além disso, principalmente para os TERAPEUTAS, aquele que possui a capacidade de discernir o temperamento do seu cliente/paciente, será capaz de ajudá-lo e compreendê-lo melhor.

Diz o Dr. Ítalo Marsili:

“O temperamento é uma ESTRUTURA MINERAL da psicologia humana — uma estrutura fixa, que NÃO muda, como um território que precisa ser conhecido ou um papel sobre o qual escrevemos a nossa história.” 

Ítalo Marsili.

O temperamento é o EIXO no qual a nossa biografia rodará. Portanto, é algo INATO em nós, como diz Royo Marín, “é o conjunto de INCLINAÇÕES íntimas que brotam da constituição fisiológica de um homem”.

Para entender essa estrutura, é preciso saber que as coisas NÃO são só materiais, mas têm uma FUNÇÃO. Essa função implica dizer que o objeto — a coisa material — informa possibilidades de ação. Ter em mente a virtualidade das coisas, o que elas podem ser e no que podem se transformar. Em outras palavras, como uma ciência simbólica, a ciência dos temperamentos implica o entendimento de símbolos, e estes possuem várias camadas de significado.

O temperamento e a personalidade

É importante saber que o temperamento é DIFERENTE da personalidade. A personalidade é aquilo de mais individual que um sujeito pode ter, são suas características próprias, o dr. Ítalo utiliza como exemplo a impressão digital.

A personalidade se desenvolve ao longo da vida, os atos é que a formam, ela se forma conforme a história. O temperamento é uma estrutura ESTÁTICA, “um sussurro humilde, porém firme que ecoa de onde você parte”, enquanto a personalidade só ganha forma no fim da vida, o temperamento representa a nossa CONSISTÊNCIA INTERIOR, o centro e, portanto, é a partir deste centro que os nossos atos constituem a nossa personalidade.

Na prática, essa estrutura mineral, como disposição da alma, representa a maneira de REAGIR às determinadas experiências da vida. É um processo de irritabilidade e excitabilidade em diferentes graus.

Os 4 tipos de temperamentos

Existem 4 tipos de temperamentos e cada um deles possuem características de combinação entre os elementos QUENTE e FRIO, SECO e ÚMIDO. Falaremos sobre eles no decorrer das publicações dessa série. Por enquanto, devemos saber que eles são: COLÉRICO, SANGUÍNEO, MELANCÓLICO e FLEUMÁTICO.

Os temperamentos são indicados através das REAÇÕES humanas, podendo ser perdurável e rápida, lenta e perdurável, rápida e curta ou lenta e curta. São as impressões da nossa alma quando é atingida por acontecimentos externos ou por nossos próprios pensamentos.

Ter esse conhecimento, segundo o Rev. Conrad Hock, é ter as respostas para as seguintes perguntas: “Como se conduz o homem?, “Que sentimentos o detêm?, “O que o impulsiona a agir, quando algo o impressiona?”; “Como se comporta quando é louvado ou repreendido, quando é ofendido, quando percebe em si simpatia ou antipatia por alguém?”.

A partir do conhecimento dos temperamentos seremos capazes de responder a essas e várias outras indagações a respeito do ser humano.

O temperamento Colérico

Quente e seco. Esses são os elementos que compõem o temperamento colérico. Seu símbolo é o fogo. O colérico é movido pelo apetite irascível, “agita-se e entusiasma-se por aquilo que é grandioso”.

Observando o fogo é notório que o colérico aspira à ascensão. Tal como o seu símbolo, o colérico tem a característica de marcar: EXPANDE E MARCA. A sua resposta diante de um impacto é rápida e a ação dura, ou seja, a impressão na alma fica por muito tempo. A estação que representa esse temperamento é o verão — “crescente ressecamento que culmina no outono”.

São mais inclinados à ação do que ao pensamento, como são movidos pelo apetite irascível. Os coléricos NÃO se afetam tanto pelo mundo externo, procuram OCUPAR ESPAÇO, são cheios de ENERGIA, são aquelas pessoas que tendem a aparecer dando soluções e propostas para tudo.

Segundo o Rev. Hock, as aspirações do colérico à grandeza constituem-se destas características:

  • Raciocínio agudo;
  • Vontade forte;
  • Grande paixão;
  • Instinto de dominação e liderança.

Para o seu desenvolvimento, o colérico tem um grande desafio: PRECISA ACOLHER MAIS SEM DAR MUITAS SOLUÇÕES, MAIS PRESENÇA E MENOS PROPOSTAS. O fogo como símbolo do colérico não precisa ser algo que queima, mas algo que AQUECE E CONFORTA.

Precisa assumir uma postura HUMILDE, pois sua tendência mais natural é o orgulho. O Dr. Ítalo explica que a prática da ESMOLA é a atividade ideal para a edificação do colérico. O colérico tem muita energia, mas precisa aprender a orientá-la para o lugar certo. É preciso que o colérico DESCONFIE de seus primeiros pensamentos, que respire fundo e tome decisões de maneira mais DEMORADA.

São Paulo, São Francisco de Sales, São Jerônimo e Santo Inácio de Loyola são exemplos de coléricos.

O Pe. Royo Marín explica que muitos santos possuíam o temperamento colérico. O colérico bem formado consegue direcionar suas energias para se CONCENTRAR em determinado assunto, torna-se PACIENTE e FORTE para suportar os incômodos. Sente-se estimulado constantemente à AÇÃO, o colérico fica confortável com DESAFIOS, com o devido desenvolvimento consegue ter PERSISTÊNCIA naquilo que se propõe SEM TEMER as dificuldades.

O temperamento Melancólico

Frio e seco são suas características. É a secura que o temperamento melancólico tem em comum com o colérico — significa que as pessoas com esses temperamentos tendem a se deixar impressionar menos pelos bens sensíveis, SÃO MOVIDAS PELOS DESAFIOS ÁRDUOS.

O elemento do temperamento melancólico é a TERRA — repousa e marca. O Dr. Ítalo atenta-nos em dizer que o melancólico é ERRONEAMENTE associado à qualidades negativas. As características de frieza e secura significam CONCENTRAÇÃO e RESISTÊNCIA. Os bens árduos são os desejos de coisas SUPERIORES, como a justiça, a nobreza, a lealdade etc.

Enquanto o fogo (colérico) expande, a TERRA (melancólico) SE APROFUNDA. “As coisas do alto e as coisas profundas são duas faces de um mesmo símbolo”. O MELANCÓLICO ASPIRA À PROFUNDIDADE.

A reação de um melancólico a uma determinada experiência é LENTA, mas PERDURÁVEL, ou seja, NÃO se irrita tanto frente às impressões da alma, as reações NÃO chegam imediatamente, mas depois de um determinado tempo, no entanto, AS IMPRESSÕES FICAM PROFUNDAMENTE GUARDADAS.

O melancólico NÃO esquece facilmente, o Rev. Hock explica que as impressões na alma do melancólico se comparam a uma estaca que se FIXA na terra com tanta firmeza, que NÃO é fácil de arrancá-la.

Mesmo com essa característica de fixar as impressões, o melancólico NÃO deixa transparecer suas ondas de emoção, tende ao SILÊNCIO e à SOLIDÃO, “fica facilmente distraído e NÃO escuta NEM presta atenção, por estar ocupado em suas próprias ideias”. O elemento terra é símbolo de gestação, tem consistência e PRECISA DE TEMPO. É onde se planta as sementes, onde se constrói uma casa, garante certa ESTRUTURA.

Essas características dão ao melancólico uma predisposição à PIEDADE, o melancólico tende a praticar naturalmente a oração mental. Para o seu desenvolvimento, o melancólico PRECISA aproveitar sua inclinação à reflexão e AGIR COM FIRMEZA de acordo com seus ideais, é o exercício de PRESENÇA, da prática da virtude, precisa OCUPAR-SE com o TRABALHO ASSÍDUO utilizando a ORDEM e a ORGANIZAÇÃO que lhe são características.

Algumas pessoas desse temperamento: o Apóstolo São João, Santa Teresinha, São Bernardo e Pascal.

O temperamento Fleumático

Iremos, agora, para o outro lado da divisão pedagógica dos temperamentos. Falamos de dois temperamentos anteriores, um quente e outro frio, mas ambos nos quadrantes da qualidade seca cuja impressão dos impactos na alma é longa.

O temperamento fleumático é também frio, assim como o melancólico, porém difere-se pela qualidade úmida. A ÁGUA é o símbolo desse temperamento. As impressões na alma do sujeito fleumático provocam uma irritação FRACA e sua reação é igualmente fraca, quando há alguma reação. As impressões, portanto, DESAPARECEM logo.

O sujeito cujo símbolo temperamental é a água caracteriza-se, em geral, por aquele que quando está num ambiente sem conversar com ninguém, NÃO se sente mal, pelo contrário, está satisfeito nessa situação. De forma bem engraçada e caricata, o fleumático NÃO sente necessidade de conversar mesmo num ambiente com mais pessoas, diferente do colérico que quer mostrar-se com suas atitudes, do sanguíneo (que falaremos na próxima semana) que quer chamar atenção somente pela sua presença, e diferente do melancólico que, talvez, nem quereria estar ali.

As principais características da água é a CONCENTRAÇÃO e o ENVOLVIMENTO, portanto é alguém, naturalmente, INTROSPECTIVO, mas que ENVOLVE os outros. O fleumático é altamente REFLEXIVO e PERSISTENTE, faz jus do ditado “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. O fleumático precisa de algo FORA de si para puxá-lo, a água sem um impulso externo tende a ficar parada, é normal não se abalar pelas pressões do ambiente. A água quando estimulada devidamente pode habitar as profundezas e as alturas, ela é o princípio da vida.

É PRECISO SEMPRE EXIGIR MAIS DE UM FLEUMÁTICO PARA QUE POSSA ALCANÇAR A GRANDEZA. O Pe. Royo Marín diz que “DEVE-SE SACUDI-LO de sua inércia e indolência, empurrando-o às alturas, acender em seu coração apático a labareda de um grande ideal.” É preciso que tenha o DOMÍNIO de si e por isso, a prática espiritual que mais caracteriza é o JEJUM, dominando a si mesmo, ele domina as paixões e dispersões.

S. Tomás de Aquino é um grande exemplo de fleumático.

O temperamento Sanguíneo

Santo Agostinho tinha um temperamento sangüíneo. Naturalmente alegre e simpático, o sangüíneo tem a característica de EXPANSÃO e ENVOLVIMENTO. É a junção dos elementos quente e úmido. Seu símbolo é o AR. O ar envolve e está PRESENTE em todos os lugares, a presença do sanguíneo é facilmente notada e sua característica envolvente faz dele alguém, geralmente, afável e prestativo.

É o ar que faz com que a vida aconteça, o Dr. Ítalo explica que o ar é o meio pelo qual as musas cantam e a música eleva o espírito, é a mediação entre corações e alma. No sanguíneo, diz o Rev. Hock, estão ativos os cinco sentidos, pois necessita ver, ouvir e falar de tudo. Sua reação a uma experiência é rápida e de curta duração, “O SANGUÍNEO É RÁPIDO, MAS POUCO PROFUNDO, com uma irritabilidade superficial”. As palavras voam com o vento, então dificilmente guarda rancor, devido a sua característica de inconstância que pode fazê-lo passar rapidamente do riso à lamúria e vice-versa.

Essas inclinações podem levá-lo ao ato do SACRIFÍCIO DESINTERESSADO, graças à sua “RIQUEZA AFETIVA, É FÁCIL E ÁGIL PARA A AMIZADE E SE ENTREGA A ELA COM ARDOR”, o bom coração do sangüíneo pode CATIVAR OS OUTROS EM TORNO DE SI.

O sangüíneo precisa ter cuidado com a necessidade de adulações, e cuidar de sua inconstância naquilo que exige dedicação. Como é alguém cujo interesse direciona-se às coisas exteriores, PRECISA ENCONTRAR FORA DE SI UM MEIO NOBRE E ELEVADO, precisa seguir os conselhos dos bons, “bem protegidos, os sanguíneos chegarão à santidade”. A mortificação dos sentidos é uma técnica eficaz para que aprimorem suas qualidades e consertem suas falhas.

A prática espiritual que se correlaciona com o sangüíneo é a ORAÇÃO. Na alma do sangüíneo, A INTERAÇÃO E A CONEXÃO ESTÃO EM PRIMEIRO LUGAR, é de sua natureza a fala e, de certo modo, a oração é uma expansão sem forma, assim como o ar, “enquanto o colérico e o melancólico se apegam à estrutura, à prova de que aquilo funciona, e o fleumático busca com ansiedade o efeito dessa forma dentro de si, O SANGÜÍNEO VIVE A ORAÇÃO DE UM MODO MUITO TRANQÜILO, SEM EXPECTATIVAS, POIS PARA ELE BASTAM A CONEXÃO, A FALA E O DIÁLOGO”.

Conclusão

Não há alguém que tenha um temperamento puro, embora o mais comum é que haja a predominância de um único temperamento. Se você leu até aqui pode ter percebido características semelhantes às suas em mais de um temperamento — “a realidade é mais complexa do que todas as categorias especulativas”. Isto se dá porque todos nós somos constituídos dos quatro elementos, contudo há a predominância — geralmente — de um deles.

Um outro ponto importante para apontar é que existem os chamados “temperamentos mistos” e estes constituem na união das características de dois temperamentos, sendo que um ainda se sobrepõe ao outro.

À despeito dessas informações, o temperamento é uma estrutura imutável, portanto não importa se você tem um único temperamento que se sobressaia sobre o resto ou se possui temperamento misto: isto nunca irá mudar. O amadurecimento humano consistirá no esforço de aprimorar as características convenientes a cada situação que nos encontremos e em resistir a determinados impulsos provenientes do nosso temperamento em determinadas ocasiões.

 

Referências bibliográficas

Os 4 temperamentos na educação dos filhos — Dr. Ítalo Marsili.

Os quatro temperamentos e nossa vida interior — Pe. Paulo Ricardo de Azevedo.

Os temperamentos — Conrad Hock.

Teología de la perfección cristiana — Pe. Antonio Royo Marín.

Kleber Andrey Macedo
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